A arte como ferramenta para aulas mais interessantes
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A arte como ferramenta para aulas mais interessantes

Instituto Singularidades

05 Setembro 2018 | 19h00

Ana Tatit é educadora, artista plástica com experiência na linguagem musical. Ela é a professora da disciplina de Artes do primeiro ano da Pedagogia do Instituto Singularidades. No segundo dia de aula deste ano, Tatit convidou seus alunos – uma turma de cerca de 20 pessoas – a recortarem alguns círculos de papel sulfite. Todos fizeram a atividade sem entender muito bem qual seria o objetivo.

 

A viagem da arte

Na sequência, a professora avisou aos alunos que embarcariam em uma grande viagem. Com um pandeiro na mão, Tatit desenvolveu uma brincadeira chamada “Olaria”. A proposta é que ao som do pandeiro e uma canção, os alunos descessem ao chão como um vaso velho e quebrado, e subissem como um novo. É nesta hora que os alunos começaram a desconstruir seus preconceitos. Aos poucos foram se soltando e cada vez mais se interessando pela aula, que os faz rir e aprender.

Após a brincadeira, todos voltaram a sentar-se no chão em círculo. Nesta hora, a professora relatou como foi sua experiência quando professora de Artes da Escola Municipal de Iniciação Artística (EMIA), com crianças entre 5 e 13 anos de idade. Contou aos seus alunos como os professores de linguagens artísticas diferentes conseguiam desenvolver projetos juntos.

“As crianças pequenas trabalham com as linguagens artísticas com muita naturalidade. Elas brincam, pulam, cantam e desenham. Elas são exploradoras, pesquisadoras e cientistas, mas perdem esta naturalidade quando um adulto a bloqueia”, explicou.

Nessa hora, a conversa impactou a turma. Marcos Bezerra, aluno que trabalha como professor de História em uma escola em Taboão da Serra, contou que era meio “sargentão” com seus alunos e que, após a primeira atividade com Tatit, percebeu que suas aulas eram “chatas”. Resolveu então propor uma uma brincadeira em classe, e foi a primeira vez que ouviu dos seus alunos que não queriam que a aula terminasse.

As aulas de artes estimulam a criatividade dos futuros professores. Foto: Acervo Singularidades

 

Atravessando pontes

Depois deste depoimento, Tatit retomou com a turma as atividades que desenvolvem as linguagens artísticas. A brincadeira proposta teve como mote o projeto desenvolvido na EMIA com as crianças de cinco anos.

“Desenvolvemos esse projeto há muitos anos, e agora iremos fazer algo parecido com a turma da Pedagogia. A canção é um xote polonês, que representa a história de duas vilas, com ritmos muito diferentes e separadas por uma ponte. Uma vez por ano, na festa da primavera, os povos das vilas se encontram, tocam juntos e aprendem as canções dos vizinhos ”, conta Tatit.

A professora pediu aos alunos que se separassem em duas grandes fileiras. Para a primeira, foi entregue um instrumento de percussão e ensaiada uma canção. Percussão e canção diferentes para o outro grupo de alunos. Em frente às fileiras de alunos, foram colocados tintas amarelo, azul e magenta e os círculos de papel sulfite feitos no início da aula.

A grande viagem começou! Música, percussão e dança foram intercaladas com pinceladas das artes plásticas. As vilas se encontraram, deram-se as mãos cobertas de tintas, cantaram as canções dos seus vizinhos, misturaram suas culturas e ao fim, um espetáculo de cores e de rostos surpresos com o que aprenderam e sentiram.

Depois da grande farra e as mãos dos alunos pintadas com lindas tonalidades de tintas, Ana explicou sobre as cores primárias – azul, magenta e amarelo – e que por meio da mistura de duas delas pode-se fazer uma explosão de cores.“ Façam tudo pelas crianças. “Ser professor dá trabalho, mas façam, que vale a pena!”. Este foi o recado final passado por Ana Tatit.

 

Ana Tatit é mestre em Artes Plásticas pela Faculdade Santa Marcelina (FASM-SP) e graduada em Licenciatura em Artes Visuais pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).É professora do curso de Pedagogia do Instituto Singularidades desde 2008, e do curso de Educação Artística da FASM-SP desde 2007. Foi professora durante doze anos na Escola Municipal de Iniciação Artística (EMIA/SP). Atuou no Programa Escola Que Vale, pelo Cedac. É autora dos livros: 300 Propostas de Artes Visuais, Ed. Loyola; e da Coleção Brinco e Canto, Ed. Melhoramentos. Coordena o curso de Pós-graduação Latu Sensu “A Arte de Ensinar Arte”, também no Singularidades, desde 2015.