Reprovação escolar. É possível evitar?

Reprovação escolar. É possível evitar?

Colégio Graphein

07 Outubro 2015 | 15h38

Na busca de um modelo adequado ao trabalho escolar que atenda a necessidade pedagógica e educacional de todos os estudantes pudemos experimentar, ao longo dos anos, alguns recursos que se revelaram grandes facilitadores nesta tarefa.

Gostaríamos de destacar cinco dentre eles: Sondagem Permanente, Projeto Singular, Ciclos periódicos de Planejamento/Replanejamento, Investimento no vínculo educador-educando e a Tutoria.

 Garantir que crianças e adolescentes que apresentam necessidades específicas para a aprendizagem tenham sua demanda educacional atendida é um grande desafio, tanto para os educadores quanto para os profissionais ligados ao desenvolvimento de crianças e adolescentes. É preciso acolher o aluno com suas características próprias e ajudá-lo a construir uma nova relação com a instituição escolar e, em última análise, desenvolver a crença na própria habilidade de aprender.

Em nossa experiência constatamos que é um processo longo e desafiador, mas ao mesmo tempo, recompensador, pois as chances de sucesso são reais. Os profissionais devem sempre lembrar que cada aluno é um ser humano único e que precisa de estratégias únicas para seu pleno desenvolvimento. O processo de diagnóstico/sondagem deve ser um instrumento para compreensão da singularidade do indivíduo. É preciso atuar de maneiras diversas, não esperar as mesmas respostas, e reavaliar constantemente procedimentos e objetivos. Os profissionais devem estar sempre prontos a rever paradigmas e ter alto grau de resiliência, pois a estratégia boa para um indivíduo pode não ser boa para outro.

É fundamental a disponibilidade do educador para conhecer e reconhecer aquele aluno específico e atuar atendendo suas necessidades. É o que chamamos de olhar identificatório diante das situações do cotidiano. Estas ideias se aplicam não apenas às crianças e adolescentes com algum transtorno definido, mas também àqueles sem nenhum comprometimento aparente que não conseguem se desenvolver no processo acadêmico apresentando dificuldades para aprender, questões comportamentais ou ambas associadas.

 Há um mês para o fim do ano letivo, o risco de reprovação leva alguns pais a ficarem mais preocupados com o desempenho escolar dos filhos. Apesar do pouco tempo, nem tudo está perdido. Especialistas garantem que ainda dá para recuperar a nota, embora seja uma tarefa que requer foco e esforço diário. 

Vamos compartilhar com você leitor, recursos de resgates psicopedagógicos e como os colocamos em prática no cotidiano de uma escola também focada no trabalho de “TUTORIA”:

Há até bem pouco tempo atrás educação era sinônimo de aprender e adquirir novos conhecimentos e comportamentos. Na atualidade o processo educacional e formativo vai muito além da simples aquisição de conhecimento. É necessário formar um indivíduo crítico, capaz de produzir conhecimentos, analisar criticamente a realidade que o cerca, resolver problemas, encontrar soluções e implantar formas novas de fazer.

Para tanto é fundamental uma formação global, que desenvolva as habilidades e competências do indivíduo. O processo educacional deve contemplar o aperfeiçoamento das características positivas e o desenvolvimento de recursos para que cada um possa lidar com suas dificuldades e/ou inabilidades.

Diante desta tarefa o sistema educacional tradicional, estruturado inicialmente a partir da premissa de que todos aprendem da mesma forma e num mesmo ritmo, é colocado em cheque. Pois, uma formação global e que contemple as diversidades só poderá ser eficaz a medida que a instituição escolar como um todo estiver envolvida e preparada para o trabalho com todas as crianças, jovens e adolescentes, independente de suas características específicas. É necessário um sistema adaptado, profissionais capacitados e uma comunidade escolar disponível para o trato com a diversidade. Em outras palavras é preciso que a escola se adapte à diversidade e não o contrário.

A escola deve estar sempre atenta para algumas questões fundamentais: o que trabalhar, como trabalhar, como avaliar os resultados e quais objetivos a serem atingidos, com aquele indivíduo específico.

Para um processo educacional inclusivo eficaz, um “personagem” essencial é o Tutor. O Tutor é aquele que media quando um estudante apresenta um ritmo diferenciado em suas aquisições para aprendizagem. Podemos dizer que o papel do Tutor é ser um companheiro de quem está com tropeços no aprender, para que haja a construção de um conhecimento significativo e que o indivíduo possa desenvolver confiança na própria capacidade de aprender.

O tutor pode funcionar de muitas maneiras: atuando em uma área do saber em que o aluno tenha maior dificuldade, ajudando a resgatar a compreensão de conceitos, mediando a realização de atividades de fixação, ensinando a se organizar com a própria agenda e a priorizar tarefas, criando roteiros de estudos, estimulando a habilidade de selecionar informações e efetuar pesquisas, entre outros focos de ação.

Porém, sua principal função sempre será a de apoio ao processo de desenvolvimento da habilidade de o estudante “aprender a aprender”, ou seja, o tutor é aquele que estará ao lado do aluno para que ele mesmo construa seus próprios saberes, para que tenha autonomia de pensamento, para que busque solução para as próprias dificuldades e, principalmente, que acredite na própria capacidade de pensar e descubra o prazer em aprender.

 

Camila D’Amico

Coord. Pedagógica

DSC05532 DSC05640