Vacinas são pauta dentro e fora do colégio

Vacinas são pauta dentro e fora do colégio

Discussões sobre eficácia e fake news em torno das imunizações podem ajudar o professor a falar de ciência e da importância da informação de qualidade

Rafaela Barbosa, especial para o Estadão

20 de agosto de 2021 | 13h03

Desde o começo da pandemia, a vacina se tornou um objeto de desejo, pelo menos da maioria da população do planeta. Há discussões sobre a eficácia de cada marca, tempo de duração da imunização e muita fake news sobre o assunto. Nesta semana, por causa do aumento no número de infecções, a Anvisa recomendou que possa ser dada uma terceira dose, de reforço, em idosos. Além disso, os adolescentes passaram a ser imunizados em vários Estados. Mas será que todos sabem o que são as vacinas e como elas funcionam? 

A história das vacinas começa no século 18, quando Edward Jenner percebeu que algumas vacas possuíam feridas semelhantes às que os humanos apresentavam quando estavam infectados pela varíola. Ele também notou que os ordenhadores dessas vacas não eram tão afetados pela doença. Então, Edward passou a estudar esses trabalhadores e, posteriormente, fez testes em crianças também. Assim, as vacinas começaram a ser pesquisadas. 

Segundo o médico e infectologista André Ricardo Araújo, a função das vacinas é estimular o organismo a produzir defesas contra uma ameaça externa, como o vírus da covid-19. Essas defesas podem proteger de casos leves, graves e, em muitos casos, impedir que a pessoa vacinada seja infectada pela doença. O grau de proteção individual é chamado de eficácia e mede o quão protegido o vacinado está. A eficiência está relacionada a um contexto maior e leva em conta as características de uma população real, como a de uma cidade ou de um país. 

 

 

A produção das defesas, conhecidas como anticorpos, é apontada como principal motivação para que se tomem as vacinas para José Alencar, coordenador de Ciências do Colégio Objetivo. Ele afirma também que a vacinação vai além das defesas individuais. “A vacinação imuniza a população como um todo e impede a propagação dos vírus causadores de problemas”, afirma José. O médico André explicou em vídeo por que a vacinação é importante. 

A vacinação contra a covid-19 ocorreu em tempo recorde devido à gravidade da situação na qual o mundo se encontrava. Por isso, enquanto a imunização de alguns grupos avançava, pesquisas eram feitas para descobrir a segurança da vacinação para outras faixas etárias, como as crianças, por exemplo. No Brasil, por enquanto, apenas o imunizante da Pfizer está liberado para o grupo de 12 a 17 anos. 

Mas, para muitos, ainda resta uma questão: como perder o medo das agulhas? Para José Alencar, o melhor remédio é a informação. “O importante é tanto para evitar o medo de agulhas quanto para entender as reações das vacinas é ser informado.”

 

Vacina contra a covid-19 é aplicada em posto da região central de São Paulo Foto: Werther Santana/Estadão

 

Notícias falsas fazem mal à saúde 

O professor José Alencar acerta quando afirma que se manter bem informado é essencial. Junto com o começo da pandemia, as notícias falsas envolvendo curas milagrosas e mentiras sobre vacinas começaram a ser espalhadas. Seja um tratamento precoce sem eficácia comprovada ou a possibilidade das vacinas alterarem o DNA de alguém, é provável que alunos e professores tenham tido contato com esse tipo de informação falsa. 

Recentemente, um vídeo viralizou nas redes sociais com informações que podem ser perigosas, como a negação de medidas comprovadamente eficazes na prevenção da covid-19 como o uso de máscaras e a necessidade de vacinação. Uma das notícias que circula desde 2020 é a de microchips nas vacinas para rastrear a população e já foi desmentida. 

Esse tipo de informação pode ser replicada muitas vezes e se tornar difícil de controlar. A que fala sobre tratamento precoce, por exemplo, já dura mais de um ano e chegou a ser tema da CPI da covid. Após o uso de medicamentos sem eficácia comprovada para o tratamento da covid, pessoas foram hospitalizadas e, em casos mais graves, morreram. Por isso, além dos cuidados recomendados por especialistas como o uso de máscaras, álcool em gel e distanciamento, é importante estar alerta para não compartilhar notícias falsas e duvidosas. 

 

Foto: Felipe Rau/Estadão

Função das vacinas é estimular o organismo a produzir defesas contra uma ameaça externa. Foto: Felipe Rau/Estadão

 

Propostas de atividades

Atividade 1

Em grupos, a turma deverá selecionar notícias falsas envolvendo aspectos da pandemia divididos em grandes temas como vacinas, tratamento precoce e medidas para conter a contaminação. Em seguida, cada grupo terá que fazer um trabalho de fact-checking  (checagem de fatos). 

Por fim, os grupos vão elaborar uma apresentação que indique como eles descobriram que as notícias eram falsas, quais as informações corretas e como se manter alerta para que esse tipo de informação não seja compartilhada. 

Atividade 2 

A turma, dividida em grupos, deve buscar informações sobre a vacinação em Estados e municípios brasileiros. Dados como o número de pessoas imunizadas ou parcialmente imunizadas, média móvel de mortes e infectados devem ser utilizadas para traçar um panorama de cada local. Em seguida, os grupos vão apresentar as informações levantadas realizando uma análise sobre a situação daquele local.

Atividade 3

Pesquise uma vacina que já é utilizada no Brasil e responda:

  1. Qual a doença ou as doenças que essa vacina previne?
  2. Essa doença foi erradicada do País após a vacinação da população? Quanto tempo depois? 
  3. Os integrantes do grupo já tomaram essa vacina? Por quê?

Atividade 4

Uma proposta de redação sobre alguns aspectos da vacinação contra covid-19 no Brasil. Pode-se abordar a importância de tratar do assunto nos jornais e qual a relação dos familiares com esse tipo de notícia. 

 

Estadão na Escola é parte de uma parceria com o Instituto Palavra Aberta, entidade sem fins lucrativos que lidera o EducaMídia, programa de educação midiática dedicado a formar professores e produzir conteúdos sobre o tema. A parceria é coordenada por Daniela Machado e Mariana Mandelli.

 

Competências:

(EF07CI10) Argumentar sobre a importância da vacinação para a saúde pública, com base em informações sobre a maneira como a vacina atua no organismo e o papel histórico da vacinação para a manutenção da saúde individual e coletiva e para a erradicação de doenças. 

(EF07CI08) Avaliar como os impactos provocados por catástrofes naturais ou mudanças nos componentes físicos, biológicos ou sociais de um ecossistema afetam suas populações, podendo ameaçar ou provocar a extinção de espécies, alteração de hábitos, migração etc.

(EF07CI09) Interpretar as condições de saúde da comunidade, cidade ou estado, com base na análise e comparação de indicadores de saúde (como taxa de mortalidade infantil, cobertura de saneamento básico e incidência de doenças de veiculação hídrica, atmosférica entre outras) e dos resultados de políticas públicas destinadas à saúde.

(EF06CI04) Associar a produção de medicamentos e outros materiais sintéticos ao desenvolvimento científico e tecnológico, reconhecendo benefícios e avaliando impactos socioambientais.

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