Conflito em Cuba incentiva conversa sobre história da América Latina

Conflito em Cuba incentiva conversa sobre história da América Latina

Pedro Vilas Boas, especial para o Estadão

13 de agosto de 2021 | 15h35

Milhares de pessoas saíram às ruas em várias cidades de Cuba para protestar contra o governo do presidente Miguel Díaz-Canel, que substituiu Raúl Castro após seis décadas no poder. Um mês depois das manifestações, ainda há cerca de 800 cubanos detidos. Essa onda de manifestações contra o embargo econômico e a escassez de alimentos e remédios, em meio à pandemia de covid-19, pode ser uma oportunidade para as escolas conversarem sobre a história dos países da América Latina.

No vídeo abaixo, a repórter Fernanda Simas conta os bastidores da reportagem  Insatisfação popular e pressão externa são desafios para regime cubano. A jornalista do Estadão também detalha as motivações por trás dos protestos.

 

 

Na  avaliação de Jorge Almeida, professor de Ciência Política e Ciências Sociais da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o conflito é uma chance de refletir sobre uma abordagem deficiente das escolas em relação aos latinos. “É fundamental discutir Cuba, assim como é fundamental discutir América Latina em geral, que é um tema pouco estudado.”

O ambiente de polarização política no Brasil também intensifica uma discussão superficial sobre o imbróglio em Cuba. “Muita gente se manifesta sem ter conhecimento de causa. Você tem interpretações absolutamente opostas sobre o que acontece na América Latina”, completa.

O professor de História Diego Teófilo, que dá aulas em uma escola no Pará, vivencia essa realidade na prática. Ele orienta que um bom exercício é fazer um paralelo entre fatos internacionais e o que acontece no Brasil. “Provocar os alunos a refletirem sobre sua realidade. ‘O que acha da falta de vacina, fome, educação de qualidade?’. E, a partir daí, discutir. Há uma interpretação individual, mas também existe um sentido coletivo nessa estratégia.”

 

Manifestantes protestam em frente ao Capitólio de Havana, na capital cubana Foto: Ramon Espinosa/AP

 

PROPOSTAS DE ATIVIDADES

Atividade 1

A turma pode ser dividida em dois grupos. Uma parte dos alunos vai estudar o que foi a Revolução Cubana, enquanto os outros estudantes analisam os acontecimentos mais recentes no país.

O primeiro grupo deve observar quem participou da revolução, quais argumentos os revolucionários utilizavam e quem eram os alvos dessas pessoas.

O segundo grupo deve analisar as reivindicações dos manifestantes atuais e as motivações por trás dos protestos.

Já em sala de aula, com intermédio do professor, os alunos de cada grupo vão discutir com o resto da turma o que estudaram. O objetivo é entender como o que aconteceu em Cuba há décadas se relaciona com as manifestações atuais.

 

 

Atividade 2

Tendo como base as leituras indicadas pelo professor, os alunos vão produzir um jornal mural. Nesse pequeno veículo de comunicação, os estudantes vão escrever artigos de opinião e “noticiar” para o resto do colégio o que tem ocorrido em Cuba. O professor deve incentivar os estudantes a fazerem um paralelo entre as manifestações cubanas e as que ocorrem no Brasil neste momento, contra e a favor do atual governo.

Nesse exercício, os alunos também devem levar em consideração o contexto histórico brasileiro, para relacionar com o que ocorre atualmente. A ideia é que eles aprendam enquanto estudam para produzir o jornal e também disseminem o conhecimento para o resto da instituição de ensino.

 

Atividade 3

A turma será dividida em dois grupos. Cada um vai pesquisar os argumentos para os que defendem o regime e os que desejam a abertura econômica. Os estudantes podem, ainda, tentar relacionar o que ocorre em Cuba com acontecimentos no Brasil. Recentemente, ativistas também foram agredidos durante manifestação no Recife, por exemplo. Depois, em sala de aula, os alunos vão tentar defender os argumentos – mesmo que não concordem com eles.  

Ao fim da atividade, cada aluno poderá começar a formar sua opinião sobre o regime, após ouvir os argumentos.

 

Estadão na Escola é parte de uma parceria com o Instituto Palavra Aberta, entidade sem fins lucrativos que lidera o EducaMídia, programa de educação midiática dedicado a formar professores e produzir conteúdos sobre o tema. A parceria é coordenada por Daniela Machado e Mariana Mandelli.

 

 

Competências trabalhadas:

(EM13CHS101) Analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão e à crítica de ideias filosóficas e processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.

(EM13CHS103) Elaborar hipóteses, selecionar evidências e compor argumentos relativos a processos políticos, econômicos, sociais, ambientais, culturais e epistemológicos, com base na sistematização de dados e informações de natureza qualitativa e quantitativa (expressões artísticas, textos filosóficos e sociológicos, documentos históricos, gráficos, mapas, tabelas etc.)

(EM13CHS204) Comparar e avaliar os processos de ocupação do espaço e a formação de territórios, territorialidades e fronteiras, identificando o papel de diferentes agentes (como grupos sociais e culturais, impérios, Estados Nacionais e organismos internacionais) e considerando os conflitos populacionais (internos e externos), a diversidade étnico-cultural e as características socioeconômicas, políticas e tecnológicas.

(EM13CHS404) Identificar e discutir os múltiplos aspectos do trabalho em diferentes circunstâncias e contextos históricos e/ou geográficos e seus efeitos sobre as gerações, em especial, os jovens e as gerações futuras, levando em consideração, na atualidade, as transformações técnicas, tecnológicas e informacionais.

(EM13CHS502) Analisar situações da vida cotidiana (estilos de vida, valores, condutas etc.), desnaturalizando e problematizando formas de desigualdade e preconceito, e propor ações que promovam os Direitos Humanos, a solidariedade e o respeito às diferenças e às escolhas individuais.

(EM13CHS504) Analisar e avaliar os impasses ético-políticos decorrentes das transformações científicas e tecnológicas no mundo contemporâneo e seus desdobramentos nas atitudes e nos valores de indivíduos, grupos sociais, sociedades e culturas.

 

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