Plano de recuperação da Mata Atlântica motiva debate sobre meio ambiente na sala de aula

Plano de recuperação da Mata Atlântica motiva debate sobre meio ambiente na sala de aula

Larissa Burchard, especial para o Estadão

06 de agosto de 2021 | 15h53

Abordar em sala de aula o Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica (PMMA) pode ajudar os estudantes a entenderem o papel de órgãos públicos e da sociedade para preservar a natureza. Instituído em 2012, o PMMA tem como objetivo orientar os municípios em ações de conservação e recuperação do bioma, levando a um desenvolvimento urbano sustentável.

A série de reportagens do Estadão, escrita pelos jornalistas Daniel Rocha e Júnior Bordalo, no entanto, aponta que dos 3.429 municípios que têm Mata Atlântica, apenas 271 possuem o plano em execução ou em fase de elaboração. O material também mostra que entre 2019 e 2020 o desmatamento avançou cerca de 13 mil hectares da Mata Atlântica.

A Mata Atlântica deveria cobrir boa parte da faixa litorânea brasileira, do Rio Grande do Sul até o Rio Grande do Norte. Foto: Adriana Mattoso/SMA

O plano vem para cumprir a Lei da Mata Atlântica, criada em 2016 para regulamentar a conservação, proteção e uso da biodiversidade do bioma. Os PMMAs direcionam as políticas ambientais para as esferas municipais, de acordo Ana Paula Rovedder, professora do Departamento de Ciências Florestais na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). “Os PMMAs indicam áreas prioritárias para conservação, restauração e manejo de remanescentes da Mata Atlântica”, explica.

Com o PMMA, as políticas ambientais são descentralizadas e se aproximam das realidades regionais. O município pode realizar programas de pagamentos por serviços ambientais ou zonas de produção agroecológicas, por exemplo. Porém, os planos só entram em prática com o envolvimento das comunidades, diz a professora. “Sem participação social não há PMMA”, diz Ana.

O exemplo mostrado na reportagem é de Caxias do Sul, segunda cidade mais populosa do Rio Grande do Sul. O município elaborou o PMMA em 2012 e, em 2014, realizou o cadastramento de áreas de preservação permanente e de reserva legal da Mata Atlântica.

Propriedade de Charles Venturin em Caxias do Sul: agricultor mantém reserva de Mata Atlântica em sítio produtor de uva, tomate e caqui. Foto: Charles Venturin/Arquivo pessoal

Charles Venturini é um dos personagens da matéria. O agricultor submeteu seu sítio ao cadastramento em Caxias do Sul. Hoje 7,5 dos 28 hectares do terreno estão protegidos. Para ele, foi possível equilibrar a sua produção com preservação, pois pragas que antes vinham na lavoura, agora ficam na reserva da mata.

Ao contrário de Caxias do Sul, Bonito, no Mato Grosso do Sul, é o município brasileiro com maior desflorestamento, ou seja, maior perda de cobertura vegetal do bioma.

De acordo com o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, feito pela Fundação SOS Amazônia e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Bonito tem 416 hectares desmatados, seguido por Águas Vermelhas (MG), com 369 hectares perdidos, e Wanderley (BA), com 350 hectares. Conforme mostrou a reportagem, nenhuma dessas cidades têm o PMMA.

No vídeo a seguir, os trainees do Estadão Júnior Bordalo e Daniel Rocha contam os bastidores da apuração e as dificuldades da reportagem.

 

 

Saber a importância do PMMA e dos municípios na preservação da Mata Atlântica pode ajudar os alunos a entender como as políticas ambientais estão ligadas ao coletivo e como propor soluções para os problemas da sua região. A seguir você confere atividades propostas para alunos dos anos finais do ensino fundamental.

 

ATIVIDADES PROPOSTAS

1. Refletir sobre a Mata Atlântica

A partir da leitura das matérias, o professor pode propor aos alunos uma reflexão sobre a importância do bioma Mata Atlântica. Para isso, em casa, os estudantes devem pesquisar nas reportagens e em outras fontes as respostas para as seguintes perguntas:

  • Qual a importância de preservar a Mata Atlântica?
  • Como a população pode ajudar a preservar a Mata Atlântica?
  • Qual o papel dos órgãos públicos na preservação do bioma?

Os alunos devem levar essas primeiras impressões para a sala de aula e apresentar o que encontraram nas pesquisas. Com isso, o professor pode introduzir o estudo do bioma Mata Atlântica e suas características.

 

2. O papel da imprensa

A temática também pode ser utilizada como uma reflexão sobre o papel da imprensa em evidenciar problemas ambientais. Nesta atividade, o professor sugere que cada estudante procure e faça um levantamento sobre outras reportagens sobre a Mata Atlântica. Com as matérias já selecionadas, os estudantes separam quantas pautas diferentes sobre o bioma surgiram a partir do jornalismo.

O professor pode dar encaminhamento para a atividade propondo um mural colaborativo na plataforma educacional Padlet. O estudante posta no mural a matéria que encontrou e escreve uma sinopse crítica explicando porque a reportagem que escolheu é importante para entender as demandas ambientais da sociedade.

 

Acordo de Paris incentiva o fim da prática de desmatamento. Foto: Ed Ferreira/Estadão

 

3. Meio ambiente e comunidade

Nesta atividade, os estudantes fazem um exercício jornalístico e interdisciplinar, envolvendo Ciências, Geografia e Língua Portuguesa. A atividade pode ser realizada em grupos. Os professores devem pedir para que os alunos façam uma pesquisa na sua cidade ou bairro sobre questões ambientais próprias da localidade ou do bioma.

Com o levantamento, os estudantes começam uma investigação e vão a campo para entrevistar comunidade, especialistas e demais pessoas envolvidas no problema ambiental que escolheram. O material coletado servirá para escrever uma reportagem com o auxílio do professor de Língua Portuguesa. Além de texto, os estudantes têm como explorar outros tipos de linguagem, como vídeos, fotos e áudios. As produções podem ser compartilhadas em um mural colaborativo no Padlet e depois discutidas em sala de aula.

4. As consequências da desinformação

O tema da preservação ambiental também passa por obstáculos como a desinformação. A atividade sugerida busca fazer os estudantes refletirem sobre como as fake news (notícias falsas) podem trazer consequências sérias na vida da população. Em grupos de quatro ou cinco pessoas, os estudantes devem pesquisar em sites – como Estadão Verifica ou Comprova – checagens feitas de notícias falsas sobre questões ambientais como distorção de dados, desinformação sobre ativistas ou fotos tiradas de contexto.

Após a escolha das matérias, os grupos devem fazer dois exercícios. O primeiro é escrever onde a desinformação foi compartilhada (Twitter, Facebook e Whatsapp) e qual era o objetivo do material (desinformar, mentir, influenciar).

No segundo exercício, a ideia é os alunos dizerem como fariam para verificar a informação. Para isso, podem ter como suporte o vídeo feito pelos jornalistas Júnior Bordalo e Daniel Rocha, que mostram os bastidores das reportagens.

Nessa parte, eles devem trabalhar com o processo jornalístico, descrevendo se entrevistariam especialistas e/ou procurariam a informação em outros sites ou em documentos. Assim, os alunos compreendem o trabalho de um repórter e podem entender como a desinformação alcança diversos temas.

 

Estadão na Escola é parte de uma parceria com o Instituto Palavra Aberta, entidade sem fins lucrativos que lidera o EducaMídia, programa de educação midiática dedicado a formar professores e produzir conteúdos sobre o tema. A parceria é coordenada por Daniela Machado e Mariana Mandelli.

 

 

Competências: 

(EF09CI12) Justificar a importância das unidades de conservação para a preservação da biodiversidade e do patrimônio nacional, considerando os diferentes tipos de unidades (parques, reservas e florestas nacionais), as populações humanas e as atividades a eles relacionados.

(EF09CI13) Propor iniciativas individuais e coletivas para a solução de problemas ambientais da cidade ou da comunidade, com base na análise de ações de consumo consciente e de sustentabilidade bem-sucedidas.

(EF07GE11) Caracterizar dinâmicas dos componentes físico-naturais no território nacional, bem como sua distribuição e biodiversidade (Florestas Tropicais, Cerrados, Caatingas, Campos Sulinos e Matas de Araucária).

(EF07GE12) Comparar unidades de conservação existentes no Município de residência e em outras localidades brasileiras, com base na organização do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).

(EM13CNT206) Discutir a importância da preservação e conservação da biodiversidade, considerando parâmetros qualitativos e quantitativos, e avaliar os efeitos da ação humana e das políticas ambientais para a garantia da sustentabilidade do planeta.

(EM13CNT301) Construir questões, elaborar hipóteses, previsões e estimativas, empregar instrumentos de medição e representar e interpretar modelos explicativos, dados e/ou resultados experimentais para construir, avaliar e justificar conclusões no enfrentamento de situações-problema sob uma perspectiva científica.

(EM13CNT303) Interpretar textos de divulgação científica que tratem de temáticas das Ciências da Natureza, disponíveis em diferentes mídias, considerando a apresentação dos dados, tanto na forma de textos como em equações, gráficos e/ou tabelas, a consistência dos argumentos e a coerência das conclusões, visando construir estratégias de seleção de fontes confiáveis de informações.

(EM13CHS301) Problematizar hábitos e práticas individuais e coletivos de produção, reaproveitamento e descarte de resíduos em metrópoles, áreas urbanas e rurais, e comunidades com diferentes características socioeconômicas, e elaborar e/ou selecionar propostas de ação que promovam a sustentabilidade socioambiental, o combate à poluição sistêmica e o consumo responsável.

(EM13CHS304) Analisar os impactos socioambientais decorrentes de práticas de instituições governamentais, de empresas e de indivíduos, discutindo as origens dessas práticas, selecionando, incorporando e promovendo aquelas que favoreçam a consciência e a ética socioambiental e o consumo responsável.

(EM13CHS305) Analisar e discutir o papel e as competências legais dos organismos nacionais e internacionais de regulação, controle e fiscalização ambiental e dos acordos internacionais para a promoção e a garantia de práticas ambientais sustentáveis.

(EF69LP03) Identificar, em notícias, o fato central, suas principais circunstâncias e eventuais decorrências; em reportagens e fotorreportagens o fato ou a temática retratada e a perspectiva de abordagem, em entrevistas os principais temas/subtemas abordados, explicações dadas ou teses defendidas em relação a esses subtemas; em tirinhas, memes, charge, a crítica, ironia ou humor presente.

(EF69LP06) Produzir e publicar notícias, fotos denúncias, fotorreportagens, reportagens, reportagens multimidiáticas, infográficos, podcasts noticiosos, entrevistas, cartas de leitor, comentários, artigos de opinião de interesse local ou global, textos de apresentação e apreciação de produção cultural – resenhas e outros próprios das formas de expressão das culturas juvenis, tais como vlogs e podcasts culturais, gameplay, detonado etc.– e cartazes, anúncios, propagandas, spots, jingles de campanhas sociais, dentre outros em várias mídias, vivenciando de forma significativa o papel de repórter, de comentador, de analista, de crítico, de editor ou articulista, de booktuber, de vlogger (vlogueiro) etc., como forma de compreender as condições de produção que envolvem a circulação desses textos e poder participar e vislumbrar possibilidades de participação nas práticas de linguagem do campo jornalístico e do campo midiático de forma ética e responsável, levando-se em consideração o contexto da Web 2.0, que amplia a possibilidade de circulação desses textos e “funde” os papéis de leitor e autor, de consumidor e produtor.

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