Jogos Olímpicos podem ampliar conhecimento dos alunos sobre modalidades esportivas

Jogos Olímpicos podem ampliar conhecimento dos alunos sobre modalidades esportivas

Taísa Medeiros, especial para o Estadão

16 de julho de 2021 | 16h26

Após adiamentos e inúmeros debates a respeito da segurança da realização do evento em razão da pandemia, a Olimpíada de Tóquio começa daqui a uma semana. Em 23 de julho, o evento esportivo terá sua cerimônia de abertura, com um espetáculo artístico para celebrar a cultura nipônica. Vão participar dos Jogos do Japão mais de 11 mil atletas, vindos de 205 países.

Jogos de Tóquio vão até 8 de agosto; em destaque, os anéis olimípicos. Foto: Fabrice Coffrini/AFP

Para evitar a disseminação do novo coronavírus, os atletas apenas poderão visitar locais aprovados pelos oficiais olímpicos e não estão autorizados a utilizar o transporte público. Até o fim do evento, em 8 de agosto, serão realizados mais de 339 eventos em 42 locais.

Com o aumento das infecções pelo novo coronavírus em Tóquio, o Comitê Olímpico Internacional (COI) e o Comitê Organizador dos Jogos optaram por não permitir a presença de plateia em nenhuma das competições que vão ocorrer na cidade. As demais províncias poderão decidir de maneira independente sobre a autorização de público ou não.

Como ocorre a cada edição, modalidades novas são incluídas. Nesta Olimpíada, estreiam cinco esportes: beisebol/softbol, caratê, escalada, surfe e skate. Para Leandro Coresma, professor e coordenador da área de Educação Física no Colégio Pentágono, a inclusão desses esportes nos Jogos e sua maior exposição na mídia vão facilitar o ensino das diferentes modalidades em sala de aula.

“Assim como o futebol tem apelo por estar em toda parte, acredito que com esses esportes estando mais presentes na mídia, a gente vai conseguir atingir de modo eficaz esse conteúdo. O aluno passa a sentir aquilo e ver na prática que existe”, comenta Coresma.

No vídeo abaixo, o jornalista Raphael Ramos, chefe de reportagem da editoria de Esportes do Estadão, conta como escreveu o especial multimídia com cem curiosidades interessantes sobre os Jogos Olímpicos.

 

Durante a pandemia, o ensino de esportes ficou mais complicado, por causa das limitações trazidas pelo online. Com isso, muitos professores tiveram de investir mais em aulas conceituais. Coresma também utilizou a estratégia, mas buscou priorizar atividades práticas. “Fizemos aulas práticas de modo individual, levando o conceito da modalidade esportiva ou da prática corporal. E o aluno, dentro da casa dele, conseguia fazer diversas atividades.”

A Olimpíada é uma oportunidade para incrementar as aulas de Educação Física e abordar as diferentes modalidades esportivas, tanto de maneira conceitual quanto prática. Além disso, os Jogos podem render importantes reflexões e desdobramentos para outras disciplinas. Confira algumas ideias de abordagem:

 

PROPOSTAS DE ATIVIDADES

Atividade 1

A aula de Educação Física pode refletir e debater a respeito do que é considerado esporte hoje em dia, associando-o à cultura. Vale estimular que os alunos comentem a respeito das cinco novas modalidades que foram incluídas nos Jogos deste ano.

O professor também pode fazer uma curadoria dos esportes que entende serem mais viáveis para suas turmas praticarem em casa e realizarem vídeos em formato de tutorial, para ensinar os outros colegas sobre a prática, algumas regras e procedimentos para iniciantes nessas atividades. Cada aluno ficaria responsável por pesquisar um esporte e simular a praticar em vídeo. Os vídeos podem ser editados e compilados para exibir para a turma.

Atividade 2

Para as séries iniciais, o professor de Educação Física tem a oportunidade de trabalhar, de maneira lúdica, a mascote da Olimpíada e seu significado, bem como a importância a e história da Tocha Olímpica.

A mascote Miraitowa é uma criação quadriculada azul que representa antigas tradições e celebra as inovações. O personagem de desenho animado reside no mundo digital, mas tem a capacidade de se transportar para o mundo real.

Após apresentar a mascote e o símbolo olímpico, o professor pode lançar um desafio para a turma: escolher um animalzinho para ser mascote do grupo e também dar um nome ao personagem. Isso estimulará a criatividade e o trabalho em grupo nas crianças.

Mascotes da Olimpíada, Miraitowa (à esq)., e da Paraolimpíada, Someity. Foto: Kimimasa Mayama/ EFE/EPA

Atividade 3

A aula de Geografia pode explorar o aspecto climático e o relevo da localidade que vai receber os Jogos. Como exposto na matéria do Estadão, nos meses de julho e agosto, o calor é intenso em Tóquio. Por isso, as maratonas masculina e feminina, bem como as provas de marcha atlética, vão ocorrer em Sapporo, que fica a mais de 500 quilômetros ao norte da capital.

A ideia é propor aos alunos uma breve pesquisa a respeito do clima, do relevo e de outras características de Tóquio.

Atividade 4

Na aula de História, o professor pode pedir que os estudantes, após lerem a matéria do Estadão, façam uma pesquisa sobre a história da Olimpíada. Eles podem buscar informações sobre como, onde e por que surgiram os Jogos Olímpicos, além de quais eram as modalidades originais.

Após a pesquisa, o professor deve solicitar um quadro comparativo sobre como eram as Olimpíadas na Grécia Antiga e como são as de hoje, com base nos Jogos de Tóquio, explorando a diferença entre as modalidades e a organização dos Jogos.

Atividade 5

A aula de Matemática pode incorporar o tema em um problema. Um exemplo: Considerando a probabilidade de disseminação do vírus, segundo o mapa da Universidade John Hopkins, quantas pessoas poderiam ser infectadas por dia se uma das arenas do evento – de 68 mil lugares – estivesse lotada de espectadores, caso os jogos fossem abertos ao público?

Atividade 6

Em Língua Portuguesa, é possível estimular um debate entre os alunos a respeito do papel da imprensa na difusão de uma cultura (como a japonesa) no contexto de uma cobertura esportiva.

Provoque os alunos a debater os seguintes tópicos:

  • O quanto é possível aprender sobre uma cultura distante a partir da cobertura da imprensa sobre um grande evento, como os Jogos Olímpicos?
  • Por que isso é importante?
  • De que forma isso contribui para a formação humana dos leitores?

O material teve colaboração de Leandro Coresma, professor e coordenador da área de Educação Física no Colégio Pentágono e de Bruno Ferreira, consultor em Comunicação e Educação do Palavra Aberta.

 

Estadão na Escola é parte de uma parceria com o Instituto Palavra Aberta, entidade sem fins lucrativos que lidera o EducaMídia, programa de educação midiática dedicado a formar professores e produzir conteúdos sobre o tema. A parceria é coordenada por Daniela Machado e Mariana Mandelli.

 

Competências trabalhadas:

Anos em que as habilidades podem ser trabalhadas: ensinos médio e fundamental 1 e 2

(EF35EF05) Experimentar e fruir diversos tipos de esportes de campo e taco, rede/parede e invasão, identificando seus elementos comuns e criando estratégias individuais e coletivas básicas para sua execução, prezando pelo trabalho coletivo e pelo protagonismo.

(EF35EF06) Diferenciar os conceitos de jogo e esporte, identificando as características que os constituem na contemporaneidade e suas manifestações (profissional e comunitária/lazer).

(EF12EF04) Colaborar na proposição e na produção de alternativas para a prática, em outros momentos e espaços, de brincadeiras e jogos e demais práticas corporais tematizadas na escola, produzindo textos (orais, escritos, audiovisuais) para divulgá-las na escola e na comunidade.

(EF04GE11) Identificar as características das paisagens naturais e antrópicas (relevo, cobertura vegetal, rios etc.) no ambiente em que vive, bem como a ação humana na conservação ou degradação dessas áreas.

(EF06HI10) Explicar a formação da Grécia Antiga, com ênfase na formação da pólis e nas transformações políticas, sociais e culturais.

(EF06HI12) Associar o conceito de cidadania a dinâmicas de inclusão e exclusão na Grécia e Roma antigas.

(EF05MA08) Resolver e elaborar problemas de multiplicação e divisão com números naturais e com números racionais cuja representação decimal é finita (com multiplicador natural e divisor natural e diferente de zero), utilizando estratégias diversas, como cálculo por estimativa, cálculo mental e algoritmos. Problemas de contagem do tipo: “Se cada objeto de uma coleção A for combinado com todos os elementos de uma coleção B, quantos agrupamentos desse tipo podem ser formados?”

(EF05MA09) Resolver e elaborar problemas simples de contagem envolvendo o princípio multiplicativo, como a determinação do número de agrupamentos possíveis ao se combinar cada elemento de uma coleção com todos os elementos de outra coleção, por meio de diagramas de árvores ou por tabelas.

(EF09LP02) Analisar e comentar a cobertura da imprensa sobre fatos de relevância social, comparando diferentes enfoques por meio do uso de ferramentas de curadoria.

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