Série sobre desafios da mulher ajuda a discutir trabalho, direitos e violência

Série sobre desafios da mulher ajuda a discutir trabalho, direitos e violência

Série que discute a mulher na sociedade pode ser abordada em disciplinas como História e Português

Bianca Gomes

12 de dezembro de 2019 | 10h00

Da baixa representatividade no Congresso aos altos índices de feminicídio. Os preconceitos no esporte, na cultura e na educação. Esses e outros desafios da mulher na sociedade são discussões da websérie Deixa Ela, projeto que faz parte das comemorações por um ano de Capitu, site feminino do Estadão.

Projeto do site Capitu é uma parceria com o Facebook e o Internacional Center for Journalists

Distribuídos em dez capítulos – Viver, Fazer Política, Competir, Estudar, Sonhar, Liderar, Trabalhar, Decidir, Ser e Fazer Cultura -, os temas podem ser trabalhados em sala de aula em disciplinas como Português, Artes e História.

No vídeo abaixo, os repórteres Eduardo Gayer e Pepita Ortega, ambos parte da equipe que produziu o Deixa Ela, falam sobre o processo de criação da série.

PROPOSTAS DE ATIVIDADES

1) Violência contra a mulher

Na primeira etapa da atividade, trabalhe com os alunos a análise da mensagem da mídia, a partir da metodologia Triângulo da Mídia, do educador escocês Eddie Dick.

  • Formato

Os alunos deverão entender o porquê da escolha do formato vídeo para tratar de violência doméstica e feminicídio. Isso pode ser feito por meio da comparação de duas produções jornalísticas sobre o tema. No dia a dia, as matérias sobre violência doméstica tratam, em geral, de casos específicos, ações do governo ou estatísticas (o que pode ser verificado pelos próprios estudantes nos sites de notícia). Apesar de necessário, esse tipo de conteúdo nem sempre é o mais apropriado para impactar o leitor e chamar sua atenção para o assunto.

Peça aos alunos para que leiam a matéria “País teve 180 estupros e 720 agressões por dia em 2018, mostra relatório”, que repercute dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e depois assistam ao episódio “Deixa Ela Viver”. Discuta com eles: qual o propósito de cada reportagem; qual mensagem os autores querem passar com elas; como cada uma está estruturada (na primeira, verifica-se a presença de mais números e especialistas, enquanto na segunda há predominância de histórias de vítimas); qual o público alvo de cada reportagem; quais recursos criativos são usados para chamar a atenção do público? E se as produções têm apelo a eles, estudantes.

É interessante que os alunos percebam como o texto e o vídeo selecionados se relacionam com o público de maneiras diferentes apenas pela escolha do formato e do tipo de narrativa. Isso acontece pois, geralmente, histórias de pessoas causam mais empatia do que números.

  • Personagens

“XIV – e assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional.”

No episódio da série Deixa Ela, duas vítimas de violência doméstica não mostraram o rosto e tiveram a voz alterada para preservar a identidade. O sigilo da fonte, direito previsto na Constituição, não é um recurso utilizado cotidianamente pelos jornalistas, apenas quando necessário. Discuta com os alunos:

  • Por que a reportagem optou por não mostrar o rosto de duas vítimas?
  • Foi uma decisão correta?
  • O anonimato das duas personagens prejudica, de alguma forma, a confiança que o leitor tem no relato delas?

2) Quem é Maria da Penha?

No vídeo Deixa Ela Viver, uma das entrevistadas é Maria da Penha, ativista que deu nome à terceira melhor lei do mundo no combate à violência doméstica. Neste exercício, os alunos deverão pesquisar na internet quem foi Maria da Penha. O objetivo, além de conhecer a história da farmacêutica e entender o porquê de ela estar na reportagem da série, é exercitar a fluência digital dos alunos, habilidade prevista em educação midiática.

  • Discuta com os alunos o uso da Wikipedia como fonte de informação. Para entender o funcionamento da edição de verbetes na prática, os estudantes deverão entrar na página do site que fala sobre a Maria da Penha (https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_da_Penha) e explorar as abas “ver histórico”, “editar”. Lá, eles verão, por exemplo, que a edição é coletiva e pode ser feita por qualquer pessoa, mas que segue algumas regras, como a necessidade de atribuir a informação a uma outra fonte.
  • Como pesquisar: em duplas, os alunos deverão pesquisar por “Maria da Penha” no Google e analisar os primeiros resultados que aparecem. Eles devem perceber que os resultados podem ser diferentes, pois levam em conta o histórico de busca de cada um. Outro aspecto importante é notar que podem haver anúncios. O professor pode dar dicas de como pesquisar informações confiáveis no Google. O Lattes, Google Acadêmico, Scielo e Capes são boas referencias para pesquisas na área de educação. Nas demais, é importante se atentar se o texto de autor, data, se cita suas referências.
  • O professor deverá dividir a classe em grupos de cinco pessoas. Metade dos grupos deverá contar a história de Maria da Penha em forma de Cordel, tendo como referência o trabalho do artista popular Tião Simpatia. Os alunos livres  também podem ficar livres para contar a história de Maria da Penha da maneira que quiseram, como em um podcast, por exemplo.
  • Outra metade pode utilizar a técnica de xilogravura para criar imagens que falem sobre o combate à violência contra a mulher, como uma campanha. Eles podem, além de informações sobre a Maria da Penha, incluir números de violência doméstica e feminicídio. As obras de J. Borges podem ser apresentadas aos alunos antes do exercício. A técnica é feita utilizando madeira, canivete e facas. Mas uma opção adaptada e mais barata é usar tinta guache e isopor (por exemplo, bandeja de carne). Os resultados podem ser apresentados em forma de exposição na escola.

3) Memes na educação

Tido por alguns pesquisadores como um novo gênero textual, o Meme pode ser um importante aliado do letramento digital. Apesar de normalmente terem natureza humorística, eles também podem ser usados como instrumento de crítica.

Discuta com os alunos a relação entre os elementos verbais e visuais nas duas imagens.

Depois, divida os estudantes em trios e peça para que cada grupo crie um meme com base no conteúdo apresentado no vídeo Deixa Ela Competir. A dissertação “Memes na internet: entrelaçamentos entre educomunicação, cibercultura e ‘zoeira’ de estudantes nas redes sociais”, do pesquisador Douglas Oliveira Calixto, da Universidade de São Paulo (USP), pode ser usada como referência para professores que queiram saber mais sobre o assunto.

4) Mulheres no mercado de trabalho

O vídeo “Deixa Ela Trabalhar” contou a história de três mulheres para abordar o alto índice de desemprego, a escolha de profissões ligadas ao cuidado do lar e o empreendedorismo de mulheres negras, muitas vezes em razão da falta de oportunidade.

Nesta atividade, os alunos devem pesquisar dados sobre a inserção da mulher no mercado de trabalho. Oriente a busca de fontes confiáveis, como o IBGE e o Insper, ambos citados pela reportagem. Nesta semana, foram divulgados os novos dados do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), feito pela ONU, que podem ser usados para pesquisa.

Em um outro momento, os alunos deverão entrevistar três mulheres de suas famílias ou vizinhanças. A ideia é que eles perguntem questões relativas ao mercado de trabalho (como o que levou à escolha de suas profissões, se cogitaram outras ocupações, se tiveram apoio da família). É interessante que o roteiro de perguntas, também conhecido como pauta, seja feito com toda a classe, em um processo colaborativo.

Por fim, o professor deverá criar uma conta da classe no Twitter para que os resultados do dos exercícios sejam postados pelos próprios estudantes. Uma sugestão é que cada aluno fique responsável por “alimentar” a rede social em um dia da semana, como um rodízio. As histórias das entrevistadas podem ser publicadas em forma de thread, utilizando as frases de maior impacto. Os dados devem sempre estar acompanhados da fonte de informação.

5) Direitos

Por lei, as mulheres possuem os mesmo direitos que os homens. Mas na prática isso não acontece. Parte da explicação é a conquista tardia desses direitos.

Neste exercício, o professor pode dividir a sala em grupos e pedir para que cada um pesquise sobre um dos temas a seguir: direito ao voto, à educação, à prática de esportes, ao trabalho e ao direito de ocupar cargos públicos. É interessante que eles se atentem às datas e aos nomes importantes de cada conquista. Depois disso, os estudantes devem pesquisar a situação atual da mulher em cada área – os vídeos do Deixa Ela podem servir de material de apoio. O resultado do trabalho deve ser apresentado em forma de podcast, tendo como referência o “Pioneiras”, do site Capitu, que narra a trajetória de sete mulheres que marcaram a história da política brasileira.

Uma sugestão de editor de áudio gratuito e simples é o Audacity. É importante que os alunos façam um roteiro antes de gravar o podcast, com falas curtas que podem ser divididas em mais de um locutor. A trilha sonora deve ser escolhida na biblioteca de áudio do Google, onde há opções não pagas.

Disciplinas envolvidas: Artes, História e Português

Anos em que as habilidades podem ser trabalhadas: ensino médio e fundamental 2.

Referências na BNCC:

(EF15AR01) Identificar e apreciar formas distintas das artes visuais tradicionais e contemporâneas, cultivando a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório imagético.

(EF15AR04) Experimentar diferentes formas de expressão artística (desenho, pintura, colagem, quadrinhos, dobradura, escultura, modelagem, instalação, vídeo, fotografia etc.), fazendo uso sustentável de materiais, instrumentos, recursos e técnicas convencionais e não convencionais.

(EM13CHS102) Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas,políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.

(EF69LP07) Produzir textos em diferentes gêneros, considerando sua adequação ao contexto produção e circulação – os enunciadores envolvidos, os objetivos, o gênero, o suporte, a circulação -, ao modo (escrito ou oral; imagem estática ou em movimento etc.), à variedade linguística e/ou semiótica apropriada a esse contexto, à construção da textualidade relacionada às propriedades textuais e do gênero), utilizando estratégias de planejamento, elaboração, revisão, edição, reescrita/redesign e avaliação de textos, para, com a ajuda do professor e a colaboração dos colegas, corrigir e aprimorar as produções realizadas, fazendo cortes, acréscimos, reformulações, correções de concordância, ortografia, pontuação em textos e editando imagens, arquivos sonoros, fazendo cortes, acréscimos, ajustes, acrescentando/ alterando efeitos, ordenamentos etc.

(EF09LP02) Analisar e comentar a cobertura da imprensa sobre fatos de relevância social, comparando diferentes enfoques por meio do uso de ferramentas de curadoria.

(EF09HI09) Relacionar as conquistas de direitos políticos, sociais e civis à atuação de movimentos sociais.

O Estadão na Escola é parte de uma parceria com o Instituto Palavra Aberta, entidade sem fins lucrativos que lidera o EducaMídia, programa de educação midiática dedicado a formar professores e produzir conteúdos sobre o tema. A parceria é coordenada por Daniela Machado e Mariana Mandelli.

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