Tragédia em Paraisópolis: escolas podem discutir desigualdade, violência e acesso à cultura

Tragédia em Paraisópolis: escolas podem discutir desigualdade, violência e acesso à cultura

Alunos podem analisar cobertura da imprensa sobre o caso e debater temas como criminalização do funk e racismo estrutural

Bianca Gomes

05 de dezembro de 2019 | 10h00

Nove pessoas morreram pisoteadas e doze ficaram feridas no último domingo, 1º., após tumulto que, segundo relatos, foi ocasionado por uma ação da Polícia Militar no Baile da Dz7, pancadão mais famoso de Paraisópolis que reúne uma média de 3 mil a 5 mil pessoas aos finais de semana.

Baile da Dz7 em Paraisópolis é opção de lazer para milhares de jovens. Foto: Tiago Queiroz / Estadão

A tragédia pode ser abordada em sala de aula com alunos do fundamental 2 e médio em disciplinas como História, Geografia e Sociologia. Os temas são diversos: fake news, criminalização do funk, acesso à cultura e ao lazer, desigualdade e violência.

No vídeo abaixo, o repórter Marco Antonio Carvalho conta como foi a apuração da matéria Nove pessoas morrem pisoteadas durante baile funk em Paraisópolis:

PROPOSTAS DE ATIVIDADES

1) Os diferentes meios para uma mensagem

A Base Nacional Comum Curricular contempla o ensino das diferentes formas de processar, transmitir e distribuir informação confiável em diferentes artefatos digitais. Nesta atividade, os alunos deverão analisar como o Estadão comunicou a tragédia que ocorreu em Paraisópolis em diferentes canais de distribuição de notícia. É importante que os alunos percebam, entre outros aspectos, a linguagem usada em cada meio (se é formal, informal, se utiliza emoticons, texto e/ou vídeo) e o tamanho da mensagem. Eles devem discutir o porquê da mensagem ser apresentada de forma diferente em cada meio.

2) Gêneros

Texto 1) “O que se viu no baile funk na favela de Paraisópolis, na zona sul da capital, na madrugada do domingo passado foi absolutamente inaceitável. Nove pessoas morreram pisoteadas e 12 ficaram feridas em razão de tumulto surgido a partir de uma ação da Polícia Militar (PM). Segundo a PM, agentes de segurança perseguiam dois suspeitos, que entraram no baile como meio de fuga. A polícia, então, invadiu a festa, que tinha cerca de 5 mil pessoas, para dar continuidade à perseguição, desencadeando uma grande confusão entre os participantes do evento.”

Texto 2) “Nove pessoas morreram pisoteadas e 12 ficaram feridas durante tumulto após ação da Polícia Militar em baile funk na comunidade de Paraisópolis, zona sul de São Paulo, na madrugada deste domingo, 1.º. A corporação afirma que os agentes de segurança perseguiam dois suspeitos em uma moto, quando entraram no local da festa, que reuniu cerca de 5 mil pessoas. Já moradores, em relatos e vídeos, acusam os PMs de agir com truculência. O Estado informou que vai investigar as circunstâncias das mortes para apontar se houve excessos.”

Texto 3) “Diretora da Redes da Maré e professora visitante do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), Eliana Sousa Silva argumenta que tragédias como a de Paraisópolis, ocorridas a partir de ações policiais, explicitam uma conduta do Estado que deve ser combatida: a de criminalizar a população e as manifestações culturais da periferia. Após ação policial que terminou em tumulto na comunidade da zona sul paulistana, nove jovens morreram. Moradores acusam a Polícia Militar de agir com truculência, o que é negado pela corporação.

Que tipos de falhas do Estado ficam claras em episódios como o ocorrido em Paraisópolis? 

O que aconteceu em Paraisópolis acontece de maneira muito recorrente em favelas e periferias de todo o País. A polícia costuma chegar de maneira truculenta, muito desrespeitosa, em uma posição de enfrentamento e com pouca inteligência. Mas tem o aspecto também de criminalizar o baile funk, uma atividade cultural artística que tem origem na periferia. Há um processo de criminalização da manifestação cultural dessa população, uma confusão entre o que é atividade ilícita e criminosa que acontece nesse território e o que é apenas um evento cultural onde jovens estão querendo se divertir. Há muitos outros eventos culturais na cidade onde as pessoas usam drogas também, mas, fora da periferia, a abordagem da polícia não acontece da mesma forma. Tem o aspecto também de criminalizar o baile funk, uma atividade cultural artística que tem origem na periferia Eliana Sousa Silva, diretora da Redes da Maré e professora visitante do IEA-USP 

Quais seriam as maneiras mais eficientes de coibir atividades criminosas nesses espaços sem colocar em risco os frequentadores desses eventos? 

Em primeiro lugar, é preciso que o poder público repense sua forma de atuar nas periferias. Não pode ser sempre de forma violenta, com medo estabelecido. E não se pode criminalizar toda manifestação cultural que ocorre na periferia como se ela estivesse sempre ligada a grupos criminosos. Atividades ilícitas devem ser combatidas com ações de inteligência. É absurdo fazer uma ação num evento com 5 mil pessoas com o argumento de que duas pessoas teriam atirado.”

Peça aos alunos que leiam os três textos retirados do site do Estadão e identifiquem o gênero textual de cada um, destacando suas características e funções que exercem. No caso do primeiro exemplo, trata-se do editorial, que reflete a opinião do jornal (portanto, não tem compromisso com a imparcialidade). O segundo é uma notícia, texto cujo principal objetivo é informar o ocorrido da forma mais isenta possível. Por último, uma entrevista, gênero que se baseia em perguntas e respostas com determinado personagem ou especialista. 

Outra possível atividade é pedir aos alunos que pesquisem sobre a história do funk como gênero musical, suas influências e desenvolvimento no País (o documentário Funk Rio, de 1994, de Sérgio Goldenberg, pode ser um material de apoio). O resultado pode ser apresentado em forma de seminário ou mesmo em formato de música, utilizando o gênero estudado.

3) Representação na mídia

Uma das críticas recorrentes aos veículos de comunicação é que favelas como a de Paraisópolis costumam aparecer na mídia apenas em momentos de tragédia. Aspectos positivos, como projetos sociais e artísticos, acabam ficando de fora da cobertura do dia a dia. A partir desse entendimento, divida a classe em grupos de quatro e peça para que cada um analise a cobertura sobre Paraisópolis em grandes veículos de comunicação. Eles podem pesquisar nos próprios espaços de busca dos sites ou na aba “notícias” do Google, colocando o termo entre aspas para achar a ocorrência exata do que estão procurando. O recorte temporal da análise poderá ser os últimos seis meses. Eles podem classificar as notícias como “violência”, “pobreza”, “cultura” e “projetos sociais” (claro que, se o professor achar necessário, pode incluir outras possibilidades).

Reúna todos os grupos e discuta com eles como a favela tem sido retratada na grande mídia e como esse tipo de representação contribui para a construção do imaginário popular e de estereótipos. É interessante que o professor apresente, após a dinâmica, o conceito de jornalismo comunitário.

Os grupos deverão se reunir novamente e pesquisar, na internet, iniciativas positivas que estejam ocorrendo em diferentes favelas da região e escrever matérias sobre elas. Cada grupo poderá ficar responsável por uma comunidade diferente. Ao final, a sala deverá criar um jornal online com todas as reportagens produzidas, podendo distribuí-las individualmente em meios diferentes (ver questão 1), observando a linguagem de cada e o tamanho. No WhatsApp, por exemplo, eles poderão usar emoticons. No Instagram, fazer stories. 

É interessante que, para guiar a produção das reportagens, o professor mostre aos alunos jornais comunitários – principalmente para exibir a diferença das matérias que saem lá e na grande mídia. Jornal Espaço do Povo (Paraisópolis), Voz das Comunidades (Complexo do Alemão) e Agência Mural de Jornalismo das Periferias, que cobre todos os bairros afastados do centro de São Paulo, são bons exemplos. 

4)  Criminalização do Samba e do Funk

“O empresário paulista Marcelo Alonso encaminhou à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) 20 mil assinaturas favoráveis ao projeto que visa criminalizar o funk no Brasil. No texto, ele diz que “os chamados bailes de “pancadões” são somente um recrutamento organizado nas redes sociais por e para atender criminosos, estupradores e pedófilos a prática de crime contra a criança e o menor adolescentes ao uso, venda e consumo de álcool e drogas, agenciamento, orgia e exploração sexual, estupro e sexo grupal entre crianças e adolescente, pornografia, pedofilia, arruaça, sequestro, roubo e etc.”. O Estado de S. Paulo. No Twitter, Anitta critica duramente proposta que quer criminalizar o funk no Brasil, 2017. Disponível em: https://bit.ly/2rcBwuY>. Acesso em 04. dez. 2019

“No início do século XX João da Baiana integrou alguns dos pioneiros e mais famosos grupos profissionais de samba. Naquela época João sofria forte perseguição da polícia quando andava pelas ruas cariocas com seu pandeiro em mãos. Ocorria ali uma forte repressão ao samba, visto que sambista era tido como sinônimo de criminoso.” SILVEIRA, A. A., NETA, O. C. D. S., MONTE, G. M. V., & VASCONCELOS, V. L. Do Samba ao Funk: quando ritmos viram casos de polícia. Sobral, 2017. 

“O Baile da Dz7 é o pancadão mais famoso de Paraisópolis. Há quase uma década, o baile funk reúne, em média, entre 3 mil e 5 mil pessoas em fins de semana e é considerado por muitos moradores como a principal alternativa de lazer da favela.” O Estado de S. Paulo. Baile da Dz7 em Paraisópolis é opção de lazer para milhares de jovens, 2019. Disponível em: https://bit.ly/2LmmoC5>. Acesso em 04. dez. 2019. 

A partir da leitura dos texto acima, o aluno deverá elaborar um texto dissertativo/argumentativo com o seguinte tema: “Criminalização do samba: o direito à cultura e ao lazer nas periferias do Brasil”. 

5) Checagem

A foto abaixo circulou nas redes sociais como exemplo do que ocorre em bailes funks:

A partir da foto, discuta com os alunos a necessidade de checar informações e fotos que eles recebem pelas redes sociais ou veem em sites duvidosos. Antes de compartilhar, eles devem verificar se tal informação é ou não verdadeira. Mostre a eles a extensão do Google “Reveye”, que possibilita a pesquisa de imagem reversa e é útil para verificar montagens e imagens colocadas fora de contexto. Eles podem praticar utilizando a própria imagem do exercício. A busca mostrará que ela não foi tirada em um baile funk, mas durante a comemoração do natal no Jardim Elisa Maria, conforme mostrou matéria do Estadão.

Outras dicas para verificar informações e fotos podem ser passadas aos alunos:

  1. Duvide quando o texto tiver linguagem sensacionalista, erros gramaticais, letras maiúsculas, pontos de exclamação.
  2. Duvide quando o texto não tiver data, fontes de informação, autor.
  3. Solicite a checagem da informação sempre que possível. Hoje, diversos sites de fact checking disponibilizam canais no WhatsApp para denúncia de conteúdo suspeito (Aos Fatos, Comprova, Boatos.org são alguns). 

A partir da imagem, vale discutir com os alunos a criação de memes. Como na maioria das vezes trata-se da fotografia de alguém que é tornada pública, é preciso ter o cuidado com o direito de imagem daquela pessoa e também com a exposição a qual ela é colocada. O caso do dono da página ‘Te Sento a Vara’ que foi condenado a pagar R$ 100 mil a idoso que originou meme pode ser citado como exemplo

6) Desigualdade

Paraisópolis é a segunda maior favela de São Paulo, com mais de 100 mil habitantes. A partir do mapa abaixo, peça aos alunos que entrem no Google Street View e pesquisem o local da tragédia em Paraisópolis (Rua Rudolf Lotze). Em seguida, eles devem explorar ruas próximas à favela, paralelas à Avenida Giovanni Gronchi, por exemplo. 

A ideia é que eles percebam como as desigualdades estão tão próximas, poucos metros uma da outra. O professor pode apresentar o retrato que o fotógrafo Tuca Vieira fez em 2004 de um prédio luxuoso do Morumbi que divide muro com Paraisópolis e também exibir o documentário Entremundo – Um dia no bairro mais desigual do mundo, de Thiago B. Mendonça e Renata Jardim, que mostra os cotidianos tão diferentes dos moradores dos bairros vizinhos.

É possível também incluir a discussão sobre a formação de Paraisópolis. Na tese sobre a favelização do espaço urbano em São Paulo, a pesquisadora Juliana Vargas de Castilho apresenta um estudo de caso de Paraisópolis e Heliópolis. O site da prefeitura de São Paulo traz imagens históricas do local que, aos poucos, foi sendo ocupado. Artigo “O processo de urbanização da favela de Paraisópolis (SP): desigualdade ou acesso ao direito habitacional?”, de Raquel Machado Werneck, também trata do assunto e pode ser apresentado aos alunos.

7) Violência

A morte dos jovens de Paraisópolis pode ser abordada em sala de aula partindo do conceito de Necropolítica, do camaronês Achille Mbembe, no qual se discute o poder de quem deve viver e de quem deve morrer. 

É interessante que o professor fale sobre o uso da força policial em casos como o de Paraisópolis não na perspectiva de uma intencionalidade individual, mas como algo legitimado pelo estado em relação, principalmente, a negros e periféricos. 

Em um contexto maior, discuta com a sala o conceito de racismo estrutural. É possível trazer materiais como o filme ‘O ódio que você semeia’, que discute no contexto americano como a ação policial violenta tem alcançado os jovens negros com brutalidade, e o documentário ‘Não Saia Hoje’, sobre os crimes de maio. Trabalhar com o livro ‘O sol na cabeça’, que traz crônicas do Geovani Martins, um escritor do Rio de Janeiro, morador de favela. Principalmente o conto ‘Rolezim’, que fala sobre a violência policial.

Outra sugestão é o trabalho com o slam, uma poesia falada sobre e pela periferia como forma de expressão da realidade nas favelas, mas também como denúncia das opressões.

Disciplinas envolvidas: Arte, História, Geografia, Sociologia

Anos em que as habilidades podem ser trabalhadas: ensino médio e fundamental 2

Referências na BNCC:

Língua Portuguesa: EF09LP02, EM13LGG603, EF69LP07

Artes: EF69AR16

Ciências Humanas: EM13CHS602, EM13CHS204, EM13CHS102, EM13CHS205, EM13CHS503, EM13CHS502

(EF09LP02) Analisar e comentar a cobertura da imprensa sobre fatos de relevância social, comparando diferentes enfoques por meio do uso de ferramentas de curadoria.

(EM13LGG603) Expressar-se e atuar em processos de criação autorais individuais e coletivos nas diferentes linguagens artísticas (artes visuais, audiovisual, dança, música e teatro) e nas intersecções entre elas, recorrendo a referências estéticas e culturais, conhecimentos de naturezas diversas (artísticos, históricos, sociais e políticos) e experiências individuais e coletivas.

(EF69LP07) Produzir textos em diferentes gêneros, considerando sua adequação ao contexto produção e circulação – os enunciadores envolvidos, os objetivos, o gênero, o suporte, a circulação -, ao modo (escrito ou oral; imagem estática ou em movimento etc.), à variedade linguística e/ou semiótica apropriada a esse contexto, à construção da textualidade relacionada às propriedades textuais e do gênero), utilizando estratégias de planejamento, elaboração, revisão, edição, reescrita/redesign e avaliação de textos, para, com a ajuda do professor e a colaboração dos colegas, corrigir e aprimorar as produções realizadas, fazendo cortes, acréscimos, reformulações, correções de concordância, ortografia, pontuação em textos e editando imagens, arquivos sonoros, fazendo cortes, acréscimos, ajustes, acrescentando/ alterando efeitos, ordenamentos etc.

(EF69AR16) Analisar criticamente, por meio da apreciação musical, usos e funções da música em seus contextos de produção e circulação, relacionando as práticas musicais às diferentes dimensões da vida social, cultural, política, histórica, econômica, estética e ética.

(EM13CHS204) Comparar e avaliar os processos de ocupação do espaço e a formação de territórios, territorialidades e fronteiras, identificando o papel de diferentes agentes (como grupos sociais e culturais, impérios, Estados Nacionais e organismos internacionais) e considerando os conflitos populacionais (internos e externos), a diversidade étnico-cultural e as características socioeconômicas, políticas e tecnológicas

(EM13CHS205) Analisar a produção de diferentes territorialidades em suas dimensões culturais, econômicas, ambientais, políticas e sociais, no Brasil e no mundo contemporâneo, com destaque para as culturas juvenis.

(EM13CHS602) Identificar e caracterizar a presença do paternalismo, do autoritarismo e do populismo na política, na sociedade e nas culturas brasileira e latino-americana, em períodos ditatoriais e democráticos, relacionando-os com as formas de organização e de articulação das sociedades em defesa da autonomia, da liberdade, do diálogo e da promoção da democracia, da cidadania e dos direitos humanos na sociedade atual.

(EM13CHS102) Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.

(EM13CHS502) Analisar situações da vida cotidiana, estilos de vida, valores, condutas etc., desnaturalizando e problematizando formas de desigualdade, preconceito, intolerância e discriminação, e identificar ações que promovam os Direitos Humanos, a solidariedade e o respeito às diferenças e às liberdades individuais.

(EM13CHS503) Identificar diversas formas de violência (física, simbólica, psicológica etc.), suas principais vítimas, suas causas sociais, psicológicas e afetivas, seus significados e usos políticos, sociais e culturais, discutindo e avaliando mecanismos para combatê-las, com base em argumentos éticos.

O Estadão na Escola é parte de uma parceria com o Instituto Palavra Aberta, entidade sem fins lucrativos que lidera o EducaMídia, programa de educação midiática dedicado a formar professores e produzir conteúdos sobre o tema. A parceria é coordenada por Daniela Machado e Mariana Mandelli.

O material teve a colaboração da pesquisadora do Observatório de Favelas e mestranda em Educação Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas pela UERJ, Natalia Conceição Viana, e dos professores Evermando dos Santos Santana, do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo e da Rede Pública do município de São Paulo, William Oliveira Gomes da Silva, do Colégio Poliedro, Anglo e Santo Américo.

 

 

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