Renúncia de Evo Morales: crise na Bolívia vai além das aulas de história e geografia

Renúncia de Evo Morales: crise na Bolívia vai além das aulas de história e geografia

Bianca Gomes

14 de novembro de 2019 | 10h00

Após uma escalada de tensões, que incluem violentos protestos e forte pressão das Forças Armadas, Evo Morales renunciou ao cargo de presidente da Bolívia no último domingo, 10, menos de um mês depois de ser reeleito para o quarto mandato à frente do país.  

Foto: Presidência da Bolívia / AFP

No pano de fundo da crise estão as denúncias de fraude nas eleições presidenciais de 20 de outubro, reforçadas por um relatório da Organização dos Estados Americanos (OEA) que recomendou a anulação do primeiro turno entre Evo e Carlos Mesa.

A matéria Entenda a crise que levou à renúncia de Evo Morales na Bolívia, produzida pela editoria de Internacional do Estadão, explica todos os acontecimentos que levaram à saída de Evo. No vídeo abaixo, o repórter Murillo Ferrari conta detalhes da cobertura:

PROPOSTAS DE ATIVIDADE

1) Gonzalo Sánchez de Lozada x Evo Morales

Não é a primeira vez que a população boliviana vive uma situação como a atual. Em outubro de 2003, o então presidente Gonzalo Sánchez de Lozada renunciou ao cargo após uma onda de manifestações exigindo sua saída. Nesta atividade, os alunos deverão pesquisar as motivações dos protestos contra Sánchez e comparar com as atuais contra Evo Morales. Além de entender os anseios da população em dois momentos diferentes da história da Bolívia, é interessante que os alunos identifiquem: viés ideológico de cada líder, origem social e política de ambos e momento socioeconômico do país.

É possível utilizar o acervo Estadão como fonte, pesquisando pelos nomes dos dois governantes na busca do site ou pela data dos acontecimentos. Um outro exercício possível é comparar cada cobertura jornalística, incluindo aspectos como tipo de linguagem usada nas notícias e espaço dedicado ao tema.

Página da editoria de internacional do dia 18/10/2003. Foto: Acervo Estadão

2) Folha de coca

A folha de coca tem usos culturais, rituais e medicinais reconhecidos na Constituição boliviana. Porém, parte da produção acaba tendo como destino o narcotráfico, mais especificamente a fabricação de cocaína. A situação foi alvo de discussão em 2017, quando os Estados Unidos criticaram o aumento de 12 mil para 22 mil hectares a superfície legal de cultivos da planta no país. Tendo em vista o tema, divida os alunos em quatro grupos. Cada um deverá apresentar um seminário sobre os seguintes assuntos:

  • De que forma a folha de coca está presente na cultura boliviana
  • Qual a importância econômica da coca na Bolívia
  • Quais são os possíveis usos medicinais da coca
  • Como se dá o narcotráfico na Bolívia e qual a participação da cocaína

Após a apresentação dos seminários, eles deverão escrever um texto dissertativo/argumentativo sobre o tema: “Desafios do cultivo da folha de coca na Bolívia”.

3) Preparando comidas típicas

Uma das formas de conhecer um país é por meio da alimentação. Nesta atividade, um prato tradicional da Bolívia seria escolhido e, posteriormente, executado pelos alunos por meio da supervisão do professor. Confira sugestão de receita para empanada da chef Izabel Alvares:

  • Ingredientes:

Para a massa: 500 g de farinha de trigo, 1 colher (sopa) de sal, 100 g de manteiga em temperatura ambiente, 1½ xícara de água.

Para o recheio: 100 g de manteiga, 2 cebolas picadas, 1 pimentão verde pequeno cortado em cubos, 1 pimentão vermelho pequeno cortado em cubos, 1 xícara de cebolinha verde picada, 500 g de carne moída, ½ xícara de uva passa branca, 3 ovos cozidos picados, 2 xícaras de azeitonas verdes picadas, 1 colher (sopa) de orégano, ½ colher (chá) de cominho, sal e pimenta do reino a gosto, 1 gema ligeiramente batida (para pincelar).

  • Modo de preparo:
  1. Misture bem todos os ingredientes da massa até ficarem bem incorporados. Amasse bem até formar uma massa homogênea. Cubra com filme plástico e deixe descansar por cerca de 1 hora
  2. Prepare o recheio: derreta a manteiga e refogue a cebola, os pimentões e a cebolinha. Junte a carne moída e refogue até começar a dourar. Retire a panela do fogo, acrescente o restante dos ingredientes, misture e reserve
  3.  Divida a massa em pequenas porções. Sobre um superfície lisa e enfarinhada, abra cada uma, com um rolo de macarrão, em espessura bem fina. Corte com um aro. Recheie com a carne, dobre a massa sobre ele e torça as bordas
  4. Coloque em uma assadeira untada com óleo e polvilhada com farinha de trigo. Pincele com a gema e leve ao forno moderado (180 ºC), previamente aquecido, por cerca de 30 minutos ou até que fique dourada. Sirva ainda quente

4) Arte na Bolívia e na América Latina

Miguel Alandia Pantoja é considerado um dos pintores bolivianos mais influentes do século XX. Ele foi um ativo participante de momentos centrais da história da Bolívia, principalmente a revolução de 1952 e a Comuna de La Paz, de 1971. Em suas obras, se destacam as influências do indigenismo andino e do muralismo. Em sala de aula, é possível trabalhar os seguintes pontos:

  • Peça aos alunos que citem nomes de artistas visuais. Escreva na lousa todos os nomes mencionados e peça para a sala relacionar o país de origem de cada um. O mais provável é que apareçam poucos artistas latino-americanos. A partir da dinâmica, proponha um debate com os alunos sobre o porquê de eles não conhecerem a arte de países vizinhos ao Brasil
  • Divida os alunos em grupos de três. Cada grupo deverá pesquisar sobre um artista de um país da América Latina e apresentar os resultados em forma de seminário na aula. A ideia é ampliar o repertório da classe. A escolha de quem serão os artistas pode ter como base o site do Memorial da América Latina, onde há uma seleção dos principais nomes latino-americanos
  • Em parceria com o professor de história, prepare uma aula sobre o artista boliviano Miguel Alandia Pantoja. Uma sugestão é começar falando sobre três momentos importantes da história do país que o artista trata em sua obra: a guerra do Chaco, a revolução de 1952 e a Comuna de La Paz de 1971. Depois, apresente as principais obras de Pantoja e discuta com os alunos como ele usou a arte para representar os três momentos e fazer críticas sociais. Sugestões de obras: La lucha del pueblo por su liberación, reforma educativa y voto universal e Testimonio
  • Os alunos deverão escolher uma obra de Pantoja e produzir uma releitura. É importante explicar a eles que a releitura é uma nova interpretação dada a determinada obra. Não se trata de uma cópia, mas de um novo olhar que tem como referência a criação original. Na releitura, o aluno poderá incluir elementos pessoais que fazem parte da sua cultura. Como exemplo, o professor pode mostrar as diversas releituras já feitas do quadro Mona Lisa, de Leonardo da Vinci

5) O bolivarianismo na América Latina

O termo começou a ser utilizado pelo ex-presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e acabou sendo apropriado também pelo ex-presidente do Equador, Rafael Correa, e pelo agora ex-presidente da Bolívia, Evo Morales. Os alunos deverão pesquisar a origem e o significado da expressão, incluindo a história de Simón Bolívar e as características políticas associadas ao “bolivarianismo”. Depois disso, devem criar um mapa mental apontando como o bolivarianismo influenciou diferentes países da América Latina. Por fim, o professor pode propor um debate em sala de aula para comparar as propostas originais de Simón Bolívar com a forma que elas foram usadas na América Latina. A ideia é que os alunos percebam, sozinhos, que há contradições. Por exemplo, o fato de que Bolívar era elitista, liberal e não defendia a inclusão de negros no processo eleitoral.

Sugestão de leitura complementar: O General em seu Labirinto, de Gabriel Garcia Márquez

6 – Salar de Uyuni e o lítio

Maior deserto de sal do planeta, o Salar de Uyuni é um dos pontos turísticos mais interessantes da Bolívia. Mas além da beleza, o lugar se apresenta como um enorme potencial econômico por ter a maior reserva de lítio do mundo. Veja opções de atividades para abordar o assunto:

  • Por ser o metal mais leve que existe, o Lítio é largamente usado na produção de pilhas e baterias. Peça aos alunos que respondam: qual a relação entre o lítio e as energias sustentáveis?
  • A pilha de lítio-Iodo é muito usada nos marca-passos por fornecer uma grande diferença de potência (d.d.p.) e por ter produtos e reagentes sólidos, não liberando gases e assim podendo ser fechado hermeticamente e usado dentro desses aparelhos. A partir das semirreações da pilha Lítio-Iodo dadas a seguir, o aluno deverá calcular a diferença de potencial:

2 Li (s) → 2 Li + + 2 e – E 0 = + 3,04 eV
I2(s) + 2 e – →2 I – E 0 = – 0,54 eV

7 – Fronteira com o Brasil

A partir do mapa da América do Sul, localize a Bolívia e destaque com os alunos duas particularidades: a Bolívia é um país “enclausurado”, ou seja, um dos poucos da América do Sul que não possui saída para o oceano. Além disso, é o país que faz a maior fronteira com o Brasil. 

  1. Discuta com os alunos: como a falta de saída para o mar pode ser uma dificuldade econômica para a Bolívia. Recupere, neste tópico, a histórica disputa do país com o Chile por uma saída ao mar. Uma proposta interessante é pedir para os alunos procurarem notícias sobre a disputa antes da aula, assim eles estarão mais preparados para a discussão
  2. A reportagem ‘A nova face da imigração nos 464 anos de São Paulo’ mostra que os Bolivianos são os que mais vieram para a cidade de São Paulo no século 21. 

Divida os alunos em grupos de 4 a 5 e peça para que elaborem uma apresentação sobre os seguintes tópicos: 

  • Quais motivos levaram os bolivianos a migrarem para o Brasil? Neste tópico, o professor pode sugerir aos alunos que procurem dados de desemprego e pobreza. O IDH da Bolívia é um bom indicador 
  • Como funciona a entrada legal de migrantes no Brasil? É importante que os alunos pesquisem sobre as diferenças entre refugiado, migrante, asilado e exilado. E quais são os requisitos para obter o status de refugiado. O documento “Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados”, de 1951, e a Lei de Migração, que entrou em vigor em 2017, são boas referência
  • Trabalho análogo à escravidão de bolivianos no Brasil. Neste tópico, os alunos podem pesquisar notícias sobre denúncias de trabalho escravo envolvendo bolivianos. É interessante que eles percebam as novas configurações do trabalho escravo contemporâneo e sugiram formas de evitar esse cenário

Depois da apresentação de todos os grupos, discuta com os alunos se a atual situação da Bolívia pode aumentar a migração para o Brasil, como acham alguns especialistas. Outra opção de atividade utilizando o mapa consiste nos seguintes passos:

  • Entregar um mapa da América do Sul para cada grupo de alunos. Eles devem identificar:  em vermelho, a fronteira Brasil-Bolívia; com quadrados em preto, as cidades de Corumbá, Porto Quijarro e Puerto Suárez; em azul, os rios Madeira e Mamoré
  • Cada grupo se dedicará à pesquisa de um dos fluxos que ocorre nessa fronteira: produtos agrícolas bolivianos, manufaturados e bens de consumo brasileiros, mercadorias ilícitas (drogas e armas) e a imigração de bolivianos
  • Ao final, os grupos apresentarão os resultados uns aos outros e o professor mediará um debate sobre como a instabilidade política na Bolívia pode impactar os fluxos presentes na fronteira

8 – Economia

Proponha aos alunos que pesquisem em duplas ou trios as principais atividades econômicas da Bolívia e o desempenho da economia do país nos últimos anos. Os alunos perceberão que o país apresenta atividades econômicas de destaque, como a produção de gás natural, zinco, ouro, estanho e outros metais. Também constatarão a importância da soja e outros produtos agrícolas. Ao mesmo tempo, os alunos vão perceber que o desempenho econômico do país foi muito positivo nos últimos 15 anos. 

A partir disso, peça que leiam a reportagem indicada no início da matéria e respondam: quais razões podem ter levado um país com dados econômicos relativamente positivos a uma instabilidade política grave como a que tem apresentado? 

É importante, após a discussão, enfatizar que algumas atividades econômicas, mesmo quando em crescimento, podem gerar reduzidos impactos sociais, sobretudo quando dependente do setor primário da economia, pois geram menos empregos do que as atividades dos setores secundário e terciário.

Ressalte também a importância das tensões raciais no país, dada a diversidade étnica da população e as diferenças sociais verificadas entre indígenas (cerca de 60% da população), mestiços e brancos. A concentração das riquezas entre reduzidas parcelas da sociedade deverá ser lembrada, dado que se trata de um fenômeno comum à América Latina. Neste último caso, seria interessante apontar a distribuição espacial desses diferentes grupos, dando destaque para a maior presença de brancos e mestiços nas regiões mais ricas do país, ou seja, nas terras baixas, onde estão as jazidas de gás natural e a produção de soja. 

9 – Amazônia

Maior floresta tropical do mundo, a Amazônia também ocupa parte do território boliviano. Os estudantes devem se reunir em grupo e levantar possíveis problemas envolvendo a biodiversidade da Amazônia e o impacto das ações antrópicas neste contexto. A atividade deve ser trabalhada pelas disciplinas de biologia e inglês. Ela pode ser feita com base no seguinte material: Sunset drone flight deep in Amazon Jungle, Bolivia, Introduction to Biodiversity, Documental Planeta Bolivia,O que está acontecendo com a Amazônia em dez perguntas e respostas.

Disciplinas envolvidas: Artes, Biologia, Geografia, Inglês, História, Química e Redação

Anos em que as habilidades podem ser trabalhadas: ensino médio e fundamental 2

Referências na BNCC:

Ciências Humanas – EM13CHS103, EM13CHS202, EM13CHS306, EM13CHS402, EF69AR01

Ciências da Natureza -EF08CI01, EM13CNT206

Linguagens – EF09LP02, EM13LGG603, EF69LP07

(EM13CHS103) Elaborar hipóteses, selecionar evidências e compor argumentos relativos
a processos políticos, econômicos, sociais, ambientais, culturais e epistemológicos,
com base na sistematização de dados e informações de diversas naturezas (expressões
artísticas, textos filosóficos e sociológicos, documentos históricos e geográficos, gráficos,
mapas, tabelas, tradições orais, entre outros).

(EM13CHS202) Analisar e avaliar os impactos das tecnologias na estruturação e nas
dinâmicas de grupos, povos e sociedades contemporâneos (fluxos populacionais,
financeiros, de mercadorias, de informações, de valores éticos e culturais etc.), bem como
suas interferências nas decisões políticas, sociais, ambientais, econômicas e culturais.

(EM13CHS306) Contextualizar, comparar e avaliar os impactos de diferentes modelos
socioeconômicos no uso dos recursos naturais e na promoção da sustentabilidade
econômica e socioambiental do planeta (como a adoção dos sistemas da
agrobiodiversidade e agroflorestal por diferentes comunidades, entre outros).

(EM13CHS402) Analisar e comparar indicadores de emprego, trabalho e renda em
diferentes espaços, escalas e tempos, associando-os a processos de estratificação e
desigualdade socioeconômica.

(EF09LP02) Analisar e comentar a cobertura da imprensa sobre fatos de relevância social, comparando diferentes enfoques por meio do uso de ferramentas de curadoria.

(EM13LGG603) Expressar-se e atuar em processos de criação autorais individuais e coletivos nas diferentes linguagens artísticas (artes visuais, audiovisual, dança, música e teatro) e nas intersecções entre elas, recorrendo a referências estéticas e culturais, conhecimentos de naturezas diversas (artísticos, históricos, sociais e políticos) e experiências individuais e coletivas.

(EF69LP07) Produzir textos em diferentes gêneros, considerando sua adequação ao contexto produção e circulação – os enunciadores envolvidos, os objetivos, o gênero, o suporte, a circulação -, ao modo (escrito ou oral; imagem estática ou em movimento etc.), à variedade linguística e/ou semiótica apropriada a esse contexto, à construção da textualidade relacionada às propriedades textuais e do gênero), utilizando estratégias de planejamento, elaboração, revisão, edição, reescrita/redesign e avaliação de textos, para, com a ajuda do professor e a colaboração dos colegas, corrigir e aprimorar as produções realizadas, fazendo cortes, acréscimos, reformulações, correções de concordância, ortografia, pontuação em textos e editando imagens, arquivos sonoros, fazendo cortes, acréscimos, ajustes, acrescentando/ alterando efeitos, ordenamentos etc.

(EF08CI01) Identificar e classificar diferentes fontes (renováveis e não renováveis) e tipos de energia utilizados em residências, comunidades ou cidades.

(EF69AR01) Pesquisar, apreciar e analisar formas distintas das artes visuais tradicionais e contemporâneas, em obras de artistas brasileiros e estrangeiros de diferentes épocas e em diferentes matrizes estéticas e culturais, de modo a ampliar a experiência com diferentes contextos e práticas artístico-visuais e cultivar a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório imagético.

(EM13CNT206) Discutir a importância da preservação e conservação da biodiversidade, considerando parâmetros qualitativos e quantitativos, e avaliar os efeitos da ação humana e das políticas ambientais para a garantia da sustentabilidade do planeta.

O Estadão na Escola é parte de uma parceria com o Instituto Palavra Aberta, entidade sem fins lucrativos que lidera o EducaMídia, programa de educação midiática dedicado a formar professores e produzir conteúdos sobre o tema. A parceria é coordenada por Daniela Machado e Mariana Mandelli.

O material teve a colaboração dos professores: Diana Ribas Rodrigues Roque, professora do Liceu Jardim e mestranda na UFABC, Alvanio Cambrea Bononi, do Colégio Renovação, André Guibur, do Cursinho da Poli, Augusto Silva, do Sistema Anglo de Ensino, Bárbara Yuka, da Escola Roberto Norio, Cris Carmo, do Curso Poliedro e Filonared, Edson Yoshio Aihara, do Colégio Poliedro São Paulo e Anglo Morumbi, Evermando dos Santos Santana, do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo e da Rede Pública do município de São Paulo, Paulo Inácio Vieira Carvalho, do Grupo Etapa, Sergio de Moraes Paulo, do Colégio Pentágono e Curso Objetivo Osasco, William Oliveira Gomes da Silva, do Colégio Poliedro São Paulo e Anglo Morumbi.

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