Óleo no nordeste: veja diferentes atividades para abordar o tema em sala de aula

Óleo no nordeste: veja diferentes atividades para abordar o tema em sala de aula

Bianca Gomes

31 de outubro de 2019 | 10h00

O vazamento de petróleo no litoral nordestino já é considerado um dos maiores desastres ambientais da história do País. As manchas foram vistas pela primeira vez no fim de agosto e ainda são de origem desconhecida.

No especial Estadão no rastro do óleo, a repórter Priscila Mengue e o fotógrafo Tiago Queiroz percorreram os locais atingidos pelo vazamento por quatro dias. Além do prejuízo à natureza, a reportagem detalha como o desastre ambiental afetou a economia da região e saúde dos moradores.

Óleo se espalhou pelos 9 Estados da região Nordeste. Foto: Tiago Queiroz / Estadão

As dez matérias que compõem o material podem servir de base para diferentes atividades sobre o tema, principalmente nas áreas de Linguagens, Ciências Humanas e suas Tecnologias Ciências da Natureza. No vídeo abaixo, a repórter de Metrópole Priscila Mengue fala sobre os bastidores da apuração:

PROPOSTAS DE ATIVIDADE

1 – Artes: intervenção e maquete

Em sala de aula, monte uma roda de conversa para discutir as possíveis causas e impactos do vazamento de petróleo – tanto sociais quanto ambientais. A partir do debate, divida os alunos em grupos grandes – de 6 a 7 pessoas, dependendo do tamanho da sala – e peça para que eles elaborem intervenções na escola com o propósito de chamar atenção de outros alunos e funcionários para o desastre. Um exemplo possível é colar no chão do colégio cartolinas pretas/marrons – fazendo referência às manchas. É importante que, além da intervenção em si, eles colem em murais do colégio informações resumidas sobre a tragédia, com números e palavras destacadas.

Se houver tempo, antes de dividir os grupos, faça uma aula expositiva para mostrar bons exemplos de intervenções. Uma referência importante no Brasil que pode ser apresentada aos alunos é a artista Lygia Clark. Em suas instalações tridimensionais, a artista propõe a interação entre público e objeto artístico. Um exemplo é a série Bichos, de 1960, composta por esculturas metálicas articuláveis que possibilitavam a coparticipação de quem estava contemplando a obra. Parte do neoconcretismo,  Lygia Clark fazia de sua arte uma experiência, com obras que tiram o público da condição de espectador e o coloca como parte da criação.

Não deixe, porém, de falar que a intervenção não precisa ser necessariamente uma instalação física. Inclui dança, teatro, o que a imaginação permitir. A única premissa é conseguir a atenção do público e fazê-lo despertar para determinada causa.

Outra opção de atividade de artes, desta vez com grupos de 4 ou 5 pessoas, é pedir para que os alunos analisem as fotos do vazamento de óleo presentes na reportagem e, a partir delas, montem uma maquete que represente algum aspecto da tragédia. Por se tratar de uma temática ambiental, é interessante que eles utilizem apenas materiais recicláveis para o trabalho, como papelão, tampa e plástico. O resultado pode ser exposto em uma feira de ciências do colégio.

2 – Lobistas x Ambientalistas

De um lado, os que defendem a indústria do petróleo. Do outro, ativistas do meio ambiente que se preocupam com os impactos ambientais da exploração petrolífera. A proposta da atividade é simular os bastidores da política ambiental. Antes, é necessário que o professor explique o conceito de lobby à classe.

Um grupo de alunos deverá estudar argumentos para defender a indústria do petróleo. É possível abordar a importância do recurso natural para o crescimento econômico e soberania nacional, além de sua utilização como matéria-prima de diversos produtos do nosso dia a dia . O grupo de ambientalistas deverá estudar os danos do petróleo à natureza. O próprio caso do Nordeste pode ser utilizado.

O objetivo central do exercício não é apenas trabalhar a argumentação dos alunos, mas fazê-los enxergar que trata-se de um debate complexo. Ao final, eles devem entender que as posições não são irreconciliáveis (como parecem no primeiro momento).

3 – Políticas ambientais brasileiras

O derramamento no litoral nordestino abre espaço para o debate sobre os riscos ambientais decorrentes da exploração e transporte do petróleo. Uma importante referência neste cenário é o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo (PNC), cujo objetivo é estruturar procedimentos e ações em casos de incidentes de poluição por óleo. Com base no especial do Estado, discuta com os alunos quais pontos do PNC foram ou não colocados em prática. Traga para o debate também outras importantes leis ambientais do Brasil, como o Código Florestal e o Sistema Nacional de Unidades de Conservação.

4 – Nordeste x Golfo do México

Causado pelo afundamento de uma plataforma de petróleo da empresa BP, o vazamento no Golfo do México, ocorrido em 2010, é considerado um dos maiores desastres ambientais dos últimos anos. A ideia do exercício é fazer um paralelo entre os episódios do México e do Brasil. Revise com os alunos a história do vazamento no Golfo, destacando quais foram as causas e consequências do desastre, além de tecnologias desenvolvidas na época para deter ou minimizar este tipo de acidente. Em seguida, peça para que os alunos, a partir das reportagens do Estado sobre o vazamento no Nordeste, comparem as tragédias.

Se houver tempo, uma boa opção é exibir o filme Horizonte Profundo – Desastre no Golfo, do diretor Peter Berg, que retrata o vazamento no México.

5 – Comércio mundial

Estudos técnicos realizados pela Petrobrás confirmaram que o petróleo teria origem na Venezuela. A partir disso, é possível trabalhar com os alunos a questão do comércio mundial de petróleo, com ênfase para o papel da Venezuela como exportadora do produto.

Peça aos alunos uma análise que mostre as principais rotas de escoamento de petróleo no mundo. O site da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) fornece diversas opções de recursos audiovisuais, como a imagem a seguir:

Mapa sobre o fluxo de petróleo. Fonte: Organização dos Países Exportadores de Petróleo

Outra possibilidade é debater com os alunos a importância da OPEP no preço do petróleo no mercado internacional. Primeiro, peça para que eles pesquisem sobre o que é a OPEP, quem faz parte e por qual motivo ela existe. Depois, recupere momentos da história em que a Organização promoveu interferências significativas no valor do petróleo, como na primeira grande crise do petróleo, em 1973, ou durante a década de 1980, na guerra entre Irã e Iraque, dois importantes membros da OPEP.

6 – Ecossistema

O vazamento de óleo atingiu uma região de barreira de corais, frágil a qualquer nível de poluição. Especialistas acreditam tratar-se de um dano inestimável. Em sala de aula, revise com os alunos o que são os corais, como esses ecossistemas se desenvolvem e quais papéis desempenham na região. O documentário Projeto Coral Vivo e o documentário Recifes Preciosos podem ser exibidos em sala.

Aproveite para discutir o conceito de teias e cadeias alimentares, questionando os alunos sobre como elas podem ser afetadas em consequência da redução de organismos produtores – no caso do vazamento no Nordeste, representados pelo fitoplâncton, dado o escurecimento da água e a redução da luz que entra em contato com estes seres.

Outra sugestão é abordar os efeitos do óleo para animais. Já é de conhecimento dos especialistas que o espalhamento de óleo prejudicou diversas espécies, como tartarugas e aves. Neste caso, são bem-vindos os conceitos de bioacumulação e biomagnificação trófica.

7 – Laboratório

As imagens das manchas nas águas do nordeste mostram que óleo e água não se misturam. Nos vídeos em que voluntários aparecem tirando o poluente do mar, essa relação fica ainda mais clara. O motivo? São moléculas de polaridades diferentes. Para explicar essa interação aos alunos, faça um experimento simples. Basta utilizar: galão com torneira, água, óleo e bexiga.

8 – Tema de redação

“As manchas de óleo que atingem o Nordeste já chegaram ao mercado de pescado. Os poluentes dificultam a ação dos pescadores e pesquisas já orientam que se evite comer produtos das regiões afetadas. O Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) realizou uma pesquisa com 50 animais marinhos e detectou resquícios do óleo em todos eles. Um estudo será feito para verificar se há metais pesados no material. No organismo humano, essas substâncias podem causar náuseas, vômito, enjoo, problemas respiratórios e arritmia cardíaca, entre outras consequências nocivas.”

MENGUE, Priscila; GOLDENBERG, Felipe; TEIXEIRA, Milena. Óleo afeta mercado de pescado e estudo da UFBA alerta sobre contaminação. Disponível em: https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,oleo-afeta-mercado-de-pescado-e-estudo-da-ufba-alerta-sobre-contaminacao,70003061252 Acesso em 30 out. 2019

Proposta: a partir da leitura do texto acima, elabore um texto dissertativo/argumentativo sobre os impactos socioambientais do vazamento de óleo no Nordeste, propondo medidas que podem ser tomadas para reduzir os danos.

9 – Linha do tempo

Os alunos deverão montar uma linha do tempo para mostrar a evolução da investigação sobre a origem do vazamento de petróleo. A partir das reportagens do Estado, eles devem mostrar quais foram as principais descobertas e contradições ao longo das semanas.

Disciplinas envolvidas: Artes, Biologia, Geografia, História, Química e Redação

Anos em que as habilidades podem ser trabalhadas: ensino médio e fundamental 2

Referências na BNCC: Artes -EF15AR01; EF15AR04.

Ciências Humanas – EF05GE12; EM13CHS302; EM13CHS102.

Ciências da Natureza: EF02CI04, EF03CI04, EF07CI05, EF09CI13, EM13CNT206.

Linguagens: EF69LP07; EF69LP13.

(EF15AR01) Identificar e apreciar formas distintas das artes visuais tradicionais e
contemporâneas, cultivando a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o
repertório imagético.

(EF15AR04) Experimentar diferentes formas de expressão artística (desenho, pintura, colagem, quadrinhos, dobradura, escultura, modelagem, instalação, vídeo, fotografia etc.), fazendo uso sustentável de materiais, instrumentos, recursos e técnicas convencionais e não convencionais.

(EF05GE12) Identificar órgãos do poder público e canais de participação social responsáveis por buscar soluções para a melhoria da qualidade de vida (em áreas como meio ambiente, mobilidade, moradia e direito à cidade) e discutir as propostas implementadas por esses órgãos que afetam a comunidade em que vive.

(EF06MA32) Interpretar e resolver situações que envolvam dados de pesquisas sobre contextos ambientais, sustentabilidade, trânsito, consumo responsável, entre outros, apresentadas pela mídia em tabelas e em diferentes tipos de gráficos e redigir textos escritos com o objetivo de sintetizar conclusões.

(EF02CI04) Descrever características de plantas e animais (tamanho, forma, cor, fase da vida, local onde se desenvolvem etc.) que fazem parte de seu cotidiano e relacioná-las ao ambiente em que eles vivem.

(EF03CI04) Identificar características sobre o modo de vida (o que comem, como se
reproduzem, como se deslocam etc.) dos animais mais comuns no ambiente próximo.

(EF07CI05) Discutir o uso de diferentes tipos de combustível e máquinas térmicas ao longo do tempo, para avaliar avanços, questões econômicas e problemas socioambientais causados pela produção e uso desses materiais e máquinas.

(EF09CI13) Propor iniciativas individuais e coletivas para a solução de problemas ambientais da cidade ou da comunidade, com base na análise de ações de consumo consciente e de sustentabilidade bem-sucedidas.

(EM13CNT206) Discutir a importância da preservação e conservação da biodiversidade,
considerando parâmetros qualitativos e quantitativos, e avaliar os efeitos da ação
humana e das políticas ambientais para a garantia da sustentabilidade do planeta.

(EM13CHS102) Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas,
políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais
(etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento
etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que
contemplem outros agentes e discursos.

(EM13CHS302) Analisar e avaliar criticamente os impactos econômicos e socioambientais de cadeias produtivas ligadas à exploração de recursos naturais e às atividades agropecuárias em diferentes ambientes e escalas de análise, considerando o modo de vida das populações locais – entre elas as indígenas, quilombolas e demais comunidades tradicionais –, suas práticas agroextrativistas e o compromisso com a sustentabilidade.

(EF69LP07) Produzir textos em diferentes gêneros, considerando sua adequação ao contexto produção e circulação – os enunciadores envolvidos, os objetivos, o gênero, o suporte, a circulação -, ao modo (escrito ou oral; imagem estática ou em movimento etc.), à variedade linguística e/ou semiótica apropriada a esse contexto, à construção da textualidade relacionada às propriedades textuais e do gênero), utilizando estratégias de planejamento, elaboração, revisão, edição, reescrita/redesign e avaliação de textos, para, com a ajuda do professor e a colaboração dos colegas, corrigir e aprimorar as produções realizadas, fazendo cortes, acréscimos, reformulações, correções de concordância, ortografia, pontuação em textos e editando imagens, arquivos sonoros, fazendo cortes, acréscimos, ajustes, acrescentando/ alterando efeitos, ordenamentos etc.

(EF69LP13) Engajar-se e contribuir com a busca de conclusões comuns relativas a problemas, temas ou questões polêmicas de interesse da turma e/ou de relevância social.

O Estadão na Escola é parte de uma parceria com o Instituto Palavra Aberta, entidade sem fins lucrativos que lidera o EducaMídia, programa de educação midiática dedicado a formar professores e produzir conteúdos sobre o tema. A parceria é coordenada por Daniela Machado e Mariana Mandelli.

O material teve a colaboração dos professores Cris Carmo, do Curso Poliedro e Filonared, Fernando Caiafa Gancev, do Curso e Colégio Objetivo, Poliedro e Liceu Jardim, Gabriela de Araújo Carvalho, do Curso do Poliedro, Hugo Anselmo, do Anglo São Paulo, João Usberco, do Anglo São Paulo, João Batista Petucco, do Colégio Vital Brazil, Mauro Oto, do Colégio Poliedro, Leandro Linck, do Colégio Ser!, Luiz Antonio Gerardi Junior, do Colégio Mater Amabilis, Talita Cristina Dellariva, do Curso Poliedro.

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