Sociologia e trabalho a partir dos entregadores ciclistas

Sociologia e trabalho a partir dos entregadores ciclistas

Rayssa Motta e Samuel Costa, especiais para o Estado

15 de outubro de 2019 | 14h32

A partir dos dados apresentados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua),  do segundo trimestre de 2019, o repórter de Economia Renato Jakitas desenvolveu a matéria 12h por dia, 7 dias por semana, R$ 936: como é pedalar fazendo entregas por aplicativo. Durante a apuração, Jakitas acompanhou a rotina de entregadores de startups como iFood, Rappi e Uber Eats. 

Três empresas operam com cerca de 30 mil entregadores de bicicleta em SP. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

As histórias registradas pelo jornalista expõem a precarização das condições de trabalho e as jornadas exaustivas a que esses trabalhadores são submetidos. Ao destacar os perfis e os relatos dos entrevistados, a reportagem humaniza um assunto que, por vezes, soa abstrato no noticiário cotidiano (focado na apresentação dos números socioeconômicos).

O texto, que é apoiado por materiais multimídia como vídeos, fotografias e infográficos, pode servir de apoio para as aulas de Sociologia, de História e de Geografia. 

PROPOSTAS DE ATIVIDADES

1 – Sociologia

Discuta o conceito de trabalho na Sociologia e o estudo de teorias sociológicas sobre o trabalho, tais como divisão do trabalho (Émile Durkheim), racionalização do trabalho (Max Weber) e alienação do trabalho (Karl Marx). 

Um ideia complementar interessante é a exibição do documentário Estou me Guardando pra Quando o Carnaval Chegar (2019), de Marcelo Gomes, que fala sobre a produção de jeans em Toritama, no interior de Pernambuco. O longa aborda a relação de trabalho autônomo e perda de direitos trabalhistas na cidade. 

Proponha uma discussão de ideias e reflexões sobre o filme exibido, com a leitura e análise direcionada da reportagem 12h por dia, 7 dias por semana, R$ 936: como é pedalar fazendo entregas por aplicativo, de Renato Jakitas.

2 – História 

Divida a turma em dois grupos. O primeiro pode entrevistar parentes mais velhos para saber detalhes da rotina de trabalho de diferentes gerações (idosos, adultos e jovens). Proponha que a turma faça perguntas sobre rotina, carga horária, remuneração, regime de contratação, etc. O segundo grupo ficará responsável por pesquisar as mudanças na legislação trabalhista brasileira desde a CLT. 

Discuta a legislação trabalhista no Brasil, desde a CLT até a Lei da Terceirização (Lei 13.429/2017), com um debate com a sala toda sobre as alterações na lei e as mudanças práticas na realidade do trabalhador brasileiro. 

É possível exibir também o filme Tempos Modernos (1936), de Charles Chaplin, que satiriza as condições de trabalho de operários com a revolução industrial, em que houve a passagem da produção artesanal para a produção em série. Em seguida, faça um debate sobre a obra com leitura e análise da reportagem. 

Discuta as quatro fases da Revolução Industrial, com foco para  precarização do trabalho, a perda de espaço do emprego formal no Brasil e as formas de organização dos trabalhadores ao longo da História. É possível falar também sobre a terceira e quarta fases da Revolução Industrial e a organização de trabalhadores autônomos. A criação de sindicatos de motoristas de Uber pode introduzir a discussão.

3 – Geografia

Antes dessa proposta, discuta a produção de dados estatísticos e o cálculo do desemprego no Brasil. Então, peça que os alunos, empregando a metodologia do IBGE, produzam um levantamento estatístico sobre a taxa de ocupação entre seus parentes. Depois, compare o resultado com a média nacional segundo a Pnad para refletir sobre sua realidade em relação ao País. Aproveite para trabalhar reportagens sobre as projeções de taxa de desemprego no País. 

Discuta com os alunos as mudanças na linguagem empregadas pelo jornalista ao relatar um tema ou assunto socioeconômico, a partir da análise comparativa dos seguintes textos:

  • Relatório do IBGE
  • Texto produzido pelo jornalista para divulgar a Pnad em uma notícia cotidiana. Sugestão: Pnad mostra um mercado de trabalho fraco
  • Texto produzido pelo jornalista Renato Jakitas na reportagem especial

 

Disciplinas envolvidas: Sociologia, História e Geografia.

Anos em que as habilidades podem ser trabalhadas: ensino médio

Referências na BNCC:  (EM13CHS401) Identicar e analisar as relações entre sujeitos, grupos e classes sociais diante das transformações técnicas, tecnológicas e informacionais e das novas formas de trabalho ao longo do tempo, em diferentes espaços e contextos.

O repórter Renato Jakitas conta nesse vídeo como a matéria foi pensada e elaborada.

(EM13CHS402) Analisar e comparar indicadores de emprego, trabalho e renda em diferentes espaços, escalas e tempos, associando-os a processos de estraficação e desigualdade socioeconômica.

(EM13CHS403) Caracterizar e analisar processos próprios da contemporaneidade, com ênfase nas transformações tecnológicas e das relações sociais e de trabalho, para propor ações que visem à superação de situações de opressão e violação dos Direitos Humanos.

O Estadão na Escola é parte de uma parceria com o Instituto Palavra Aberta, entidade sem fins lucrativos que lidera o EducaMídia, programa de educação midiática dedicado a formar professores e produzir conteúdos sobre o tema. A parceria é coordenada por Daniela Machado e Mariana Mandelli.

O material teve a colaboração de Maria Helena Paiva, professora de Sociologia e Filosofia do Colégio Poliedro; Gabriela Simões, professora de História do Colégio Poliedro; Henrique Lages Chaves, professor de Geografia do Colégio Jesuítas de Juiz de Fora; Jodenir Souza, professor de História do Curso Nota Dez de Juiz Fora; e Victor de Oliveira, bacharel em Ciências Sociais pela Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).  

 

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