Síntese de DNA em laboratório levanta questões éticas e científicas

Síntese de DNA em laboratório levanta questões éticas e científicas

Ítalo Lo Re e Victor Pinheiro, especiais para o Estado

15 de outubro de 2019 | 14h36

Pela primeira vez na história, cientistas conseguiram reconstruir e sintetizar em laboratório todo o DNA de um organismo vivo, a bactéria Escherichia coli, presente no solo e no intestino humano. O feito inédito, realizado em um Laboratório de Biologia Molecular, no Reino Unido, pode dar pistas para avanços que vão desde tratamentos de doenças genéticas até ações de combate à poluição. Além, é claro, de convidar a uma série de debates sobre o desenvolvimento da biologia sintética e os limites éticos da atividade.

A bactéria Escherichia coli, que habita o intestino humano, ganhou um novo “design” genético Foto: REUTERS/Manfred Rohde/Helmholtz-Zentrum fr Infektionsforschung

A bactéria Escherichia coli, que habita o intestino humano, ganhou um novo “design” genético Foto: REUTERS/Manfred Rohde/Helmholtz-Zentrum fr Infektionsforschung

A matéria Ciência cria 1º ser 100% editado e sintético, da repórter do Estadão Júlia Marques, explica o processo utilizado pelos cientistas para sintetizar o DNA. Além disso, explora as possíveis aplicações do estudo a partir de uma entrevista com Mayana Zatz, geneticista e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP). 

No vídeo abaixo, Júlia explica como a matéria foi feita.

 

PROPOSTAS DE ATIVIDADES

1 – Ciência

Discuta quais as consequências de uma total reconstrução do DNA em laboratório. É possível abordar a complexidade do DNA, composto orgânico cujas moléculas coordenam o desenvolvimento e funcionamento dos seres vivos, principalmente em um contexto de aulas sobre reprodução, clonagem, códons e aminoácidos, entre outros temas correlatos.

Proponha as seguintes questões: se a condição dos seres puder ser reconstruída e sintetizada, quais podem ser as consequências para o futuro, para o meio ambiente e também para o ser humano? Quais seriam os benefícios e os problemas que podem surgir a partir desse experimento?

Há a possibilidade de trabalhar, ainda, a questão dos organismos geneticamente modificados, os alimentos transgênicos, pensando nos impactos à sociedade.

2 – Ética

Discuta com os alunos os dilemas éticos do desenvolvimento científico. A atividade deve promover não só o debate da ciência, como também permitir a discussão de habilidades socioemocionais importantes para lidar com as mudanças.

Para onde estamos caminhando na produção de conhecimento? Como um pesquisador deveria agir se desenvolvesse algo que poderia fazer mal ao próprio ser humano? Qual é o limite do avanço das tecnologias? As pesquisas favorecem (e deveriam favorecer) a quem? Existe algum órgão fiscalizador para controlar a ciência nesse sentido? A clonagem de DNAs de espécies ameaçadas de extinção pode ser um caminho interessante? 

3 – Redação

Como fruto do debate em sala promovido pela proposta anterior, proponha aos alunos a elaboração de um texto para refletir sobre as possíveis consequências do constante desenvolvimento de conhecimento científico. Utilizando a reconstituição do DNA como gancho, pode-se avançar na discussão sobre como a vida do homem pode alterar de configuração, de que maneira as relações podem ser transfiguradas no futuro, entre outros pontos.

 

Disciplinas envolvidas: Biologia, Filosofia, Redação.

Ano em que as atividades podem ser trabalhadas: ensino fundamental 2 e ensino médio

Referências na BNCC: EM13LP01; EM13LP30*, Ciências da Natureza – EM13CNT303*

 

(EM13LP01) Relacionar o texto, tanto na produção como na recepção, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor previsto, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc).

(EM13LP30) Compreender criticamente textos de divulgação científica orais, escritos e multissemióticos de diferentes áreas do conhecimento, identificando sua organização tópica e a hierarquização das informações, questionando fontes não confiáveis e problematizando enfoques tendenciosos ou superficiais.

(EM13CNT303) Interpretar textos de divulgação científica que tratem de temáticas das Ciências da Natureza, disponíveis em diferentes mídias, considerando a apresentação dos dados, a consistência dos argumentos e a coerência das conclusões, visando construir estratégias de seleção de fontes confiáveis de informações.

O Estadão na Escola é parte de uma parceria com o Instituto Palavra Aberta, entidade sem fins lucrativos que lidera o EducaMídia, programa de educação midiática dedicado a formar professores e produzir conteúdos sobre o tema. A parceria é coordenada por Daniela Machado e Mariana Mandelli.

O material teve a colaboração de Ana Paula Murta, professora de Ciências do Fundamental II da Escola Municipal José Madureira Horta, de Belo Horizonte.

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