República pelo Twitter: alunos podem analisar linguagem, história e formas de governo

República pelo Twitter: alunos podem analisar linguagem, história e formas de governo

Mariana Hallal, especial para o Estado

15 de outubro de 2019 | 14h40

Neste ano, o movimento que culminou na Proclamação da República completa 130 anos. Os repórteres Marcelo Godoy e Paula Reverbel prepararam um material especial, chamado Viva a República. O projeto inédito está sendo lançado nesta terça-feira, 15 de outubro. Através do Twitter, eles contam o que aconteceu um mês antes do ato que marcou a troca da monarquia pela república.

A reportagem e as contas no Twitter criadas pelo projeto podem auxiliar os ensinamentos sobre república, monarquia, formas de governo e sociedade. Também ajuda os alunos a se apropriarem de diferentes tipos de texto e a perceberem as transformações sofridas pela língua portuguesa no Brasil entre 1889 e 2019, assim como entenderem as diferenças e semelhanças entre aquela sociedade e a atual. 

PROPOSTAS DE ATIVIDADE

1 – Linguagem

O especial traz uma série de edições antigas de diversos jornais do Brasil. Peça para que os alunos identifiquem notícias problemáticas (com conteúdo que hoje é considerado racista, machista ou homofóbico, por exemplo) e as reescrevam, adequando à linguagem e à sociedade atuais.

2 – Formas de governo

Trabalhe com os alunos as diferenças entre a monarquia e a República. Uma forma de fazer isso é através de debate. Separe a turma em dois grupos, de monarquistas e republicanos, e instigue-os a encontrar argumentos pró e contra cada um dos regimes. 

3 – Diferentes sociedades

Proponha uma atividade para comparar a sociedade brasileira de 1889 com a sociedade atual. Através de uma pesquisa histórica, os estudantes podem perceber como o Brasil estava posicionado frente a uma série de questões e como está agora: economia, saúde, educação, liberdades individuais e outras. Os jornais podem ajudar na pesquisa.

4 – Conhecendo a República

Os alunos sabem o que, de fato, é a República? Desenvolva uma atividade na qual eles possam aprender quais são os princípios que embasaram a proclamação da República e quais problemas da monarquia levaram ao rompimento com esta forma de governo. Os ideais de República de 1889 ainda são vistos na sociedade atual?

5 – Idioma vivo

Proponha aos alunos que eles atualizem a linguagem usada nos tuítes para uma linguagem mais atual. Se princesa Isabel, marechal Deodoro da Fonseca e outros personagens históricos vivessem nos dias de hoje, como eles usariam as redes sociais?

6 – Linguagem para redes sociais

A forma de se comunicar de alguns personagens da época (que pode ser encontrada nas contas de Twitter do especial Viva a República) é diferente de agora? Peça aos alunos que apontem os termos usados na época e que não estão mais em uso e discuta o que acontece com a língua ao longo do tempo. Explore a mudança da linguagem para acompanhar as discussões da sociedade.

7 – História no Twitter

Convide os alunos a repetirem a mesma atividade usando outro fato histórico. Exemplo: como seria a transição da ditadura militar para a democracia contada através do Twitter? Peça aos alunos para criarem contas de personagens relativos a um fato histórico e narrarem o que aconteceu com base em jornais da época.

8 – Rompimento institucional

A transição da monarquia para a República não foi o único rompimento institucional vivido pelos brasileiros. Questione os alunos quais foram os outros rompimentos que aconteceram na história do país, estabelecendo paralelos entre eles.

O repórter especial Marcelo Godoy conta como o especial foi pensado no vídeo abaixo.

Disciplinas envolvidas: Língua Portuguesa e História.

Anos em que as habilidades podem ser trabalhadas: ensino fundamental 2 e ensino médio

Referências na BNCC: Linguagem e suas Tecnologias – EM13LGG102; EM13LGG104; EM13LGG302; EM13LGG401; EM13LGG703*, Ciências Humanas e suas Tecnologias – EF09HI01; EF09HI02; EM13CHS504; EM13CHS603*. 

*(EM13LGG102) Analisar visões de mundo, conflitos de interesse, preconceitos e ideologias presentes nos discursos veiculados nas diferentes mídias, ampliando suas possibilidades de explicação, interpretação e intervenção crítica da/na realidade.

(EM13LGG104) Utilizar as diferentes linguagens, levando em conta seus funcionamentos, para a compreensão e produção de textos e discursos em diversos campos de atuação social.

(EM13LGG302) Posicionar-se criticamente diante de diversas visões de mundo presentes nos discursos em diferentes linguagens, levando em conta seus contextos de produção e de circulação.

(EM13LGG401) Analisar criticamente textos de modo a compreender e caracterizar as línguas como fenômeno (geo)político, histórico, social, cultural, variável, heterogêneo e sensível aos contextos de uso. 

(EM13LGG703) Utilizar diferentes linguagens, mídias e ferramentas digitais em processos de produção coletiva, colaborativa e projetos autorais em ambientes digitais.

(EF09HI01) Descrever e contextualizar os principais aspectos sociais, culturais, econômicos e políticos da emergência da República no Brasil.

(EF09HI02) Caracterizar e compreender os ciclos da história republicana, identificando particularidades da história local e regional até 1954.

(EM13CHS504) Analisar e avaliar os impasses ético-políticos decorrentes das transformações culturais, sociais, históricas, científicas e tecnológicas no mundo contemporâneo e seus desdobramentos nas atitudes e nos valores de indivíduos, grupos sociais, sociedades e culturas.

(EM13CHS603) Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de suas experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, sistemas e regimes de governo, soberania etc.).

O Estadão na Escola é parte de uma parceria com o Instituto Palavra Aberta, entidade sem fins lucrativos que lidera o EducaMídia, programa de educação midiática dedicado a formar professores e produzir conteúdos sobre o tema. A parceria é coordenada por Daniela Machado e Mariana Mandelli.

O material teve a colaboração de Cesar Ceneme, professor de Língua Portuguesa, e Gabriela Simões, professora de História, ambos do curso Poliedro.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: