Pais superprotetores em pauta: falta de desafios afeta desenvolvimento infantil

Pais superprotetores em pauta: falta de desafios afeta desenvolvimento infantil

Jéssica Nakamura e Marcela Coelho, especiais para o Estado

15 de outubro de 2019 | 14h32

Diferentemente do que acreditam pais e mães superprotetores, estudos internacionais têm mostrado que o desenvolvimento das crianças é muito melhor quando elas são expostas a riscos, como escalar brinquedos altos, subir em árvores e descer de cabeça para baixo no escorregador.

Motivada por uma matéria publicada no jornal norte-americano The New York Times, a repórter especial do Estadão Renata Cafardo entrevistou especialistas brasileiros e pesquisadores de universidades no Canadá e na Nova Zelândia para entender como e por que o excesso de intervenção dos pais – como uma mãe que considerou mandar a criança de capacete para a escola – pode afetar o desenvolvimento dos filhos. 

Para produzir o material, Renata também visitou escolas de São Paulo que já seguem as recomendações de tornar os ambientes “mais perigosos” para que os pequenos desenvolvam habilidades físicas, compreendendo seus limites, e habilidades sociais que os ajudem a se tornar pessoas mais seguras, resilientes e preparadas para lidar com os desafios da vida adulta. 

A repórter especial Renata Cafardo explica como a matéria foi pensada nesse vídeo.

Aproveite o texto para fixar conteúdos de Biologia e também para discutir os limites da superproteção dos pais e a importância do desenvolvimento das habilidades socioemocionais. 

PROPOSTAS DE ATIVIDADES

1 – Ciências

A partir dos exemplos de casos expostos na reportagem, explique e discuta a produção de anticorpos pelo sistema imunológico humano e o mecanismo do medo e da ansiedade no cérebro humano.

2 – Discussões

É possível utilizar a matéria como apoio para levantar debates sobre a superproteção dos pais, com questões como: O que você acha da ideia da mãe citada na reportagem de mandar o filho de capacete para a escola? Como era a escola em que você estudou na infância? Quão superprotetores foram seus pais na sua infância? Como eles são hoje? Você tem independência para andar de transporte público sozinho, por exemplo? Por que você acha que eles agiram/agem dessa forma? Você gostaria de ter tido mais ou menos liberdade do que seus pais ofereceram? Quais foram as situações mais perigosas que você passou na infância? Qual você considera o seu maior ato de coragem? Como você acha que agiria com seus filhos?

3 – Debate em grupo – Habilidades Socioemocionais

Divida os alunos em grupos e peça para que eles apontem situações em que costumam ficar com receio, preocupação, ansiedade ou medo. Alguns exemplos são ir a uma festa sem ninguém conhecido, fazer uma prova, mudar de sala ou de escola, insegurança para votar nas eleições, preocupação em passar no vestibular. A partir dos exemplos expostos pelos alunos, proponha uma reflexão sobre quais pensamentos surgem. Com essas respostas, peça para que eles façam perguntas desafiadoras para si mesmos, tais como: Será mesmo que eu não sei nada de matemática? Se fosse um amigo nessa situação, o que eu diria? 

A intenção da atividade é incentivar os alunos a desafiar os pensamentos inadequados que lhe causam medo para que, quando eles se vejam nessas situações, saibam como agir e consigam permanecer tranquilos e corajosos.

4 – Redação

Proponha que os alunos elaborem um texto dissertativo-argumentativo, seguindo os critérios do Enem, sobre o tema “Os limites da superproteção dos pais no desenvolvimento dos filhos”, utilizando como texto motivador a reportagem produzida por Renata Cafardo.

5 – Laboratório de Jornalismo

Organizar uma visita dos alunos a uma escola (dependendo da estrutura, isso pode ser feito na própria escola em que estudam) para que entrevistem crianças, perguntando, por exemplo, se elas costumam ir a parquinhos frequentemente, se os pais ficam por perto ou deixam que brinquem sozinhas, entre outras questões relacionadas. Com base nesse levantamento, sugerir que os alunos produzam um texto jornalístico para mostrar os resultados da pesquisa e o outro lado da história.

 

Disciplinas envolvidas: Biologia, Português e Redação.

Anos em que as habilidades podem ser trabalhadas: ensino médio

Referências na BNCC: Área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias – EM13CNT104; EM13CNT207; EM13CNT306* Área de Linguagens e suas Tecnologias – EM13LGG303; EM13LGG305*

*(EM13CNT104) Avaliar os benefícios e os riscos à saúde e ao ambiente, considerando a composição, a toxicidade e a reatividade de diferentes materiais e produtos, como também o nível de exposição a eles, posicionando-se criticamente e propondo soluções individuais e/ou coletivas para seus usos e descartes responsáveis.

(EM13CNT207) Identificar, analisar e discutir vulnerabilidades vinculadas às vivências e aos desafios contemporâneos aos quais as juventudes estão expostas, considerando os aspectos físico, psicoemocional e social, a fim de desenvolver e divulgar ações de prevenção e de promoção da saúde e do bem-estar.

(EM13CNT306) Avaliar os riscos envolvidos em atividades cotidianas, aplicando conhecimentos das Ciências da Natureza, para justificar o uso de equipamentos e recursos, bem como comportamentos de segurança, visando à integridade física, individual e coletiva, e socioambiental, podendo fazer uso de dispositivos e aplicativos digitais que viabilizem a estruturação de simulações de tais riscos.

(EM13LGG303) Debater questões polêmicas de relevância social, analisando diferentes argumentos e opiniões, para formular, negociar e sustentar posições, frente à análise de perspectivas distintas.

(EM13LGG305) Mapear e criar, por meio de práticas de linguagem, possibilidades de atuação social, política, artística e cultural para enfrentar desafios contemporâneos, discutindo princípios e objetivos dessa atuação de maneira crítica, criativa, solidária e ética.

O Estadão na Escola é parte de uma parceria com o Instituto Palavra Aberta, entidade sem fins lucrativos que lidera o EducaMídia, programa de educação midiática dedicado a formar professores e produzir conteúdos sobre o tema. A parceria é coordenada por Daniela Machado e Mariana Mandelli.

O material teve a colaboração dos professores Rodrigo Caccere, mestre em Biologia Celular e Estrutura pela Unicamp e professor de Biologia na Escola Viva, e Eduardo Calbucci, professor de Português e fundador do Programa Semente.

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