Incêndio do Museu Nacional pode ajudar aulas de história

Incêndio do Museu Nacional pode ajudar aulas de história

Felipe Goldenberg e Isaac de Oliveira, especiais para o Estado

15 de outubro de 2019 | 14h32

O Museu Nacional, no Rio de Janeiro, foi consumido pelas chamas de um incêndio em 2 de setembro de 2018. Um ano depois, o Estadão preparou um material especial sobre o assunto.

O palácio, que tinha mais de 200 anos e foi a residência da Família Real portuguesa — quando o Brasil ainda era uma colônia —, abrigava mais de 15 milhões de itens. Oitenta porcento desse acervo foi perdido.

Museu pegou fogo no dia 2 de setembro de 2018 FOTO: Marcos Arcoverde/Estadão

No local, havia objetos pessoais da Família Real, fósseis de dinossauros, sarcófagos, múmias, artefatos indígenas e objetos que ajudavam a contar a história de diferentes regiões brasileiras ao longo do tempo, como do sertão nordestino e do pampa gaúcho, por exemplo. Parte do acervo foi salvo do fogo, como o crânio de Luzia. O fóssil humano, considerado o mais antigo encontrado nas Américas, foi descoberto em Minas Gerais e pertence a uma mulher que viveu há mais de 11 mil anos.

O professor pode abordar esse assunto em sala de aula usando este especial, propondo uma discussão sobre a importância da preservação e da manutenção dos museus e dos acervos brasileiros. Também é possível dividir a turma para pesquisar e apresentar objetos do Museu Nacional. Uma visita, seja presencial ou digital, pode aguçar a curiosidade dos alunos.

Neste vídeo produzido pelo Estadão em abril de 2018, poucos meses antes do incêndio, é possível ver como era o local e algumas de suas peças. Nessa época, o diretor do museu, Alexander Kellner, já dizia que era necessário uma “restauração” para os próximos anos.

PROPOSTAS DE ATIVIDADES

1 – Experiências dos alunos

Questione os alunos sobre as experiências pessoais deles. Instigue-os a refletir sobre a importância de conhecerem a nossa própria história.

  • Você já foi a um museu?
  • O que você mais gostou de ver?
  • Qual a importância de termos museus?
  • Você acha que nós valorizamos a nossa história?
  • Você já ouviu falar de outros incêndios em museus? Por que acha que isso acontece?

2 – Pesquisa

É possível também pedir à turma que se divida em equipes para pesquisar na internet ou em livros alguns dos itens do acervo — sejam aqueles que foram destruídos pelo fogo ou os que resistiram, como o crânio de Luzia. Eles também podem pesquisar sobre os museus da cidade. Depois, peça a eles que apresentem à turma os resultados da pesquisa.

Um ponto importante é pedir aos alunos que analisem a qualidade e a veracidade das informações. O site ou veículo é confiável? O que você achou da abordagem do material?

Quando terminarem a pesquisa, é interessante questioná-los sobre:

  • Quais objetos sobreviveram no incêndio? Quais dos que foram destruídos você encontrou?
  • O que achou deles?
  • Como você pode inserir esses objetos nos seus tempos e espaços? Que características eles têm que os identificam como antigos ou históricos?
  • O que você achou do prédio do Museu Nacional antes do incêndio? Como identificar que ele é antigo ou que foi a residência da Família Real?
  • Quais museus existem na sua cidade ou perto da sua escola?
  • Se você pudesse montar o seu próprio museu, o que gostaria de ver nele?

3 – Visita

Outra atividade que pode ser feita isoladamente ou como uma complementação das anteriores é levar os alunos a um museu — principalmente, se grande parte dos alunos nunca tiver feito esse passeio. A atividade pode ser combinada com a direção da escola e os pais, para organizar uma excursão da turma ao museu escolhido. Essa pode ser uma boa opção para desenvolver a curiosidade da turma.

Caso não seja possível uma visita presencial, há plataformas na internet que permitem tours virtuais. O Google, por exemplo, tem um site gratuito com imagens de 164 peças do Museu Nacional.

Já o projeto ERA Virtual compila em sua plataforma mais de 30 museus espalhados pelo Brasil, com visitas virtuais gratuitas. Você pode conhecê-los através deste link.

Restauração do Museu Nacional deve ser concluída em 2025 FOTO: Fabio Motta/Estadão

Disciplinas envolvidas: Ciências Humanas, História

Anos em que as habilidades podem ser trabalhadas: Ensino Fundamental 4 e 5; Ensino Médio

Referências na BNCC: EF04HI01, EF04HI03, EF04HI10, EF05HI01, EF05HI07, EF05HI08, EF05HI09, EM13CHS104

(EF04HI01) Reconhecer a história como resultado da ação do ser humano no tempo e no espaço, com base na identificação de mudanças e permanências ao longo do tempo.

(EF04HI03) Identificar as transformações ocorridas na cidade ao longo do tempo e discutir suas interferências nos modos de vida de seus habitantes, tomando como ponto de partida o presente.

(EF04HI10) Analisar diferentes fluxos populacionais e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira

(EF05HI01) Identificar os processos de formação das culturas e dos povos, relacionando-os com o espaço geográfico ocupado

(EF05HI07) Identificar os processos de produção, hierarquização e difusão dos marcos de memória e discutir a presença e/ou a ausência de diferentes grupos que compõem a sociedade na nomeação desses marcos de memória. 

(EF05HI08) Identificar formas de marcação da passagem do tempo em distintas sociedades, incluindo os povos indígenas originários e os povos africanos.

(EF05HI09) Comparar pontos de vista sobre temas que impactam a vida cotidiana no tempo presente, por meio do acesso a diferentes fontes, incluindo orais. 

(EM13CHS104) Analisar objetos e vestígios da cultura material e imaterial de modo a identificar conhecimentos, valores, crenças e práticas que caracterizam a identidade e a diversidade cultural de diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço.

O Estadão na Escola é parte de uma parceria com o Instituto Palavra Aberta, entidade sem fins lucrativos que lidera o EducaMídia, programa de educação midiática dedicado a formar professores e produzir conteúdos sobre o tema. A parceria é coordenada por Daniela Machado e Mariana Mandelli.

O material teve a colaboração de Gabriela Simões, professora de História do curso Poliedro, e de Newton Colombo, professor de História do curso Peso 3.

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