Física, História e fake news na discussão da chegada do homem à Lua

Física, História e fake news na discussão da chegada do homem à Lua

Bruno Nomura e Heloísa Scognamiglio, especiais para o Estado 

15 de outubro de 2019 | 14h32

A chegada do homem à Lua completou cinco décadas neste ano. Em julho de 1969, na missão Apollo 11, os astronautas Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins decolaram a bordo do foguete Saturno V rumo à Lua. O primeiro a colocar os pés no satélite foi Armstrong, que então disse a famosa frase “É um pequeno passo para o homem; um grande salto para a humanidade”. 

O especial produzido pelas repórteres Giovana Girardi e Roberta Jansen, com infografia de Glauco Lara e web design de Bruno Ponceano, explora os diversos aspectos da missão Apollo 11. A reportagem aborda o contexto histórico em que a missão estava inserida, ou seja, a Guerra Fria, que possibilitou um investimento de bilhões de dólares em tecnologia espacial. Analisa também como a engenharia desenvolvida para concretizar o pouso na Lua possibilitou o desenvolvimento de inúmeros aparelhos que hoje fazem parte do nosso dia a dia. 

Outro assunto presente no especial é a cobertura do pouso na Lua pela imprensa da época – estima-se que 600 milhões de pessoas assistiram à transmissão do pouso pela televisão. O texto também fala sobre o futuro da exploração espacial, que agora tem a intenção de colonizar outros planetas. 

É possível se inspirar no especial de 50 anos da chegada do homem à Lua para aprofundar as aulas de Física e de História, além de trabalhar o texto dos alunos em um exercício jornalístico feito pelas redes sociais, na área de Linguagens. 

Nos vídeos abaixo, a repórter Giovana Girardi e o infografista Glauco Lara explicam como foi produzir o especial.

PROPOSTAS DE ATIVIDADES

1 – Da história para as redes sociais

A cobertura da chegada do homem à Lua foi um marco na história da imprensa mundial. É possível promover uma reflexão sobre o impacto da cobertura do evento em 1969 e pedir para os alunos imaginarem como fariam a cobertura pelas redes sociais se o fato ocorresse hoje. Eles poderiam simular a cobertura por meio do Twitter, do Instagram ou do Facebook, utilizando desde threads até vídeos do IGTV. Assim, podem ser trabalhados  os conceitos de uma cobertura jornalística bem feita, que informe o público com clareza e precisão.

2 – Combatendo Fake News: será que o homem foi mesmo à Lua?

Apresentar as teorias da conspiração de que o homem nunca pisou na Lua. Escolher tópicos abordados pelos conspiracionistas e apresentar o argumento científico que os desmente. Eles dizem, por exemplo, que a bandeira americana não devia tremular no vídeo do pouso na Lua, embora isso ocorra. Qual é a explicação da Física para esse fenômeno?

Outra questão para propor à turma: será que hoje, em um contexto de desinformação, as notícias sobre a chegada do homem à Lua seriam tratadas como fake news por algum grupo ou não? Se sim, quais seriam eles e por quê.

3 – Como funciona um foguete?

Trabalhar os conteúdos necessários para a construção de um foguete caseiro com os alunos. Dividir a sala em duplas e sugerir uma atividade em sala, sob a supervisão do professor: uma competição de foguetes que atinjam a maior distância horizontal. Propor a cobertura da competição em um blog ou nas redes sociais. A Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica tem dicas bem legais para desenvolver a atividade em diferentes anos.

4 – Corrida da Guerra Fria

Dividir a sala em duas equipes e fazer um jogo de perguntas e respostas de múltipla escolha sobre a Guerra Fria. O jogo pode ser no estilo game show: o professor revela a pergunta e a equipe que responder corretamente mais rápido ganha o ponto. Criar questões que abordem a corrida espacial, a corrida armamentista, diferenças entre os Estados Unidos e a União Soviética, personagens históricos atuantes e eventos importantes do período (como a Crise dos Mísseis de Cuba, por exemplo), trabalhando os conhecimentos dos alunos sobre o tema.

 

Disciplinas envolvidas: Física, História e Português.

Anos em que as habilidades podem ser trabalhadas: ensino médio

Referências na BNCC:

Linguagem e suas Tecnologias – EM13LGG101; EM13LGG102; EM13LGG103; EM13LGG202; EM13LGG301; EM13LGG302; EM13LGG701; EM13LGG703; EM13LP01; EM13LP30*

Ciências da Natureza e suas Tecnologias – EM13CNT204; EM13CNT205; EM13CNT301; EM13CNT302; EM13CNT303**

Ciências Humanas e Sociais Aplicadas – EM13CHS101; EM13CHS102; EM13CHS302; EM13CHS303; EM13CHS306; EM13CHS504***

 

(EM13LGG101) Compreender e analisar processos de produção e circulação de discursos, nas diferentes linguagens, para fazer escolhas fundamentadas em função de interesses pessoais e coletivos. 

(EM13LGG102) Analisar visões de mundo, conflitos de interesse, preconceitos e ideologias presentes nos discursos veiculados nas diferentes mídias como forma de ampliar suas as possibilidades de explicação e interpretação crítica da realidade. 

(EM13LGG103) Analisar, de maneira cada vez mais aprofundada, o funcionamento das linguagens, para interpretar e produzir criticamente discursos em textos de diversas semioses. 

(EM13LGG202) Analisar interesses, relações de poder e perspectivas de mundo nos discursos das diversas práticas de linguagem (artísticas, corporais e verbais), para compreender o modo como circulam, constituem-se e (re)produzem significação e ideologias. 

(EM13LGG301) Participar de processos de produção individual e colaborativa em diferentes linguagens (artísticas, corporais e verbais), levando em conta seus funcionamentos, para produzir sentidos em diferentes contextos. 

(EM13LGG302) Compreender e posicionar-se criticamente diante de diversas visões de mundo presentes nos discursos em diferentes linguagens, levando em conta seus contextos de produção e de circulação. 

(EM13LGG701) Explorar tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC), compreendendo seus princípios e funcionalidades, e mobilizá-las de modo ético, responsável e adequado a práticas de linguagem em diferentes contextos. 

(EM13LGG703) Utilizar diferentes linguagens, mídias e ferramentas digitais em processos de produção coletiva, colaborativa e projetos autorais em ambientes digitais. 

(EM13LP01) Relacionar o texto, tanto na produção como na recepção, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor previsto, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.). 

(EM13LP30) Compreender criticamente textos de divulgação científica orais, escritos e multissemióticos de diferentes áreas do conhecimento, identificando sua organização tópica e a hierarquização das informações, questionando fontes não confiáveis e problematizando enfoques tendenciosos ou superficiais.

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(EM13CNT204) Elaborar explicações e previsões a respeito dos movimentos de objetos na Terra, no Sistema Solar e no Universo com base na análise das interações gravitacionais.

(EM13CNT205) Utilizar noções de probabilidade e incerteza para interpretar previsões sobre atividades experimentais, fenômenos naturais e processos tecnológicos, reconhecendo os limites explicativos das ciências.

(EM13CNT301) Construir questões, elaborar hipóteses, previsões e estimativas, empregar instrumentos de medição e representar e interpretar modelos explicativos, dados e/ou resultados experimentais para construir, avaliar e justificar conclusões no enfrentamento de situações-problema sob uma perspectiva científica.

(EM13CNT302) Comunicar, para públicos variados, em diversos contextos, resultados de análises, pesquisas e/ou experimentos – interpretando gráficos, tabelas, símbolos, códigos, sistemas de classificação e equações, elaborando textos e utilizando diferentes mídias e tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC) –, de modo a promover debates em torno de temas científicos e/ou tecnológicos de relevância sociocultural.

(EM13CNT303) Interpretar textos de divulgação científica que tratem de temáticas das Ciências da Natureza, disponíveis em diferentes mídias, considerando a apresentação dos dados, a consistência dos argumentos e a coerência das conclusões, visando construir estratégias de seleção de fontes confiáveis de informações.

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(EM13CHS101) Analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão e à crítica de ideias filosóficas e processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.

(EM13CHS102) Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais da emergência de matrizes conceituais hegemônicas (etnocentrismo, evolução, modernidade etc.), comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.

(EM13CHS302) Analisar e avaliar os impactos econômicos e socioambientais de cadeias produtivas ligadas à exploração de recursos naturais e às atividades agropecuárias em diferentes ambientes e escalas de análise, considerando o modo de vida das populações locais e o compromisso com a sustentabilidade.

(EM13CHS303) Debater e avaliar o papel da indústria cultural e das culturas de massa no estímulo ao consumismo, seus impactos econômicos e socioambientais, com vistas a uma percepção crítica das necessidades criadas pelo consumo.

(EM13CHS306) Contextualizar, comparar e avaliar os impactos de diferentes modelos econômicos no uso dos recursos naturais e na promoção da sustentabilidade econômica e socioambiental do planeta.

(EM13CHS504) Analisar e avaliar os impasses ético-políticos decorrentes das transformações científicas e tecnológicas no mundo contemporâneo e seus desdobramentos nas atitudes e nos valores de indivíduos, grupos sociais, sociedades e culturas. 

O Estadão na Escola é parte de uma parceria com o Instituto Palavra Aberta, entidade sem fins lucrativos que lidera o EducaMídia, programa de educação midiática dedicado a formar professores e produzir conteúdos sobre o tema. A parceria é coordenada por Daniela Machado e Mariana Mandelli.

Este material contou com a colaboração de Luís Negrão, professor de História do Cursinho Fênix, de Londrina (PR).

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