‘Dr Google’: é possível confiar nele?

‘Dr Google’: é possível confiar nele?

Levy Teles e Samuel Lima, especiais para o Estado 

15 de outubro de 2019 | 14h28

Aproximadamente um quarto da população brasileira (26%) recorre primeiro ao Google quando se depara com algum problema de saúde — porcentual não tão distante ao daqueles que buscam apoio médico como primeira opção (35%). A facilidade de acesso à plataforma e o alto número de pessoas sem plano de saúde no Brasil (70%) ajudam a entender o fenômeno, principalmente entre as classes C, D e E.

As informações estão na reportagem publicada em fevereiro de 2019 pela repórter de Saúde do Estadão Fabiana Cambricoli. Após obter acesso à pesquisa inédita do Google Brasil, ela consultou diversos especialistas para entender as vantagens e os riscos do uso da plataforma, e traduzir as informações ao público com linguagem acessível. A matéria também conta histórias reais de três brasileiros que foram ajudados e/ou prejudicados pelas consultas ao “Dr. Google”.

PROPOSTAS DE ATIVIDADES 

1 – Aconteceu comigo

Proponha um debate com os estudantes sobre as experiências deles. Eles já usaram o “Dr. Google” para procurar diagnóstico rápido e gratuito para algum sintoma? Quais as razões para isso? Os alunos já recorreram à automedicação? Algum deles teve problemas por tomar remédios sem indicação ou orientação médica? Qual foi a reação dos pais deles? Os alunos sabem se os pais também fazem esse tipo de busca? O objetivo é aproximar a discussão da realidade dos estudantes, fazendo-os pensar sobre atitudes que podem parecer banais.

2 – Dá para confiar?

Esse exercício requer uso de computador e acesso à internet. Peça aos alunos que pesquisem no Google sobre um sintoma comum — dor de cabeça, por exemplo — e anotem todas as possíveis doenças relacionadas ao problema e as informações divergentes entre os sites. Após alguns minutos, questione os alunos e escreva todas as respostas no quadro. A atividade mostra o problema da confiabilidade na rede e a enorme variação de possibilidades na área médica, o que ajuda a valorizar a ciência e o trabalho do profissional da saúde.

3 – Riscos biológicos

O aumento das pesquisas no Google sobre sintomas e tratamentos de saúde reforça o fenômeno da automedicação entre os brasileiros. É possível analisar os perigos do hábito pela perspectiva da Biologia, em aulas sobre genética e doenças bacterianas, fúngicas e virais. 

Apresente meios de cultura de micro-organismos e explique o funcionamento de medicamentos como antibióticos, por exemplo. A visualização auxilia no entendimento de que cada remédio serve para um fim específico e que os tratamentos são determinados pelo médico com base em diversos fatores, entre eles o histórico do paciente. Trate  o fenômeno da resistência bacteriana e, com auxílio de bulas, mostre os possíveis efeitos colaterais dos remédios – incluindo combinações de risco entre princípios ativos.

  • Ideia simples e prática: cada vez em que abordar alguma doença em sala de aula, é interessante indicar qual o profissional especializado na área da Medicina que trata sobre aquele assunto (clínico geral, cardiologista, otorrinolaringologista, traumatologista, etc). Essa pequena atitude pode familiarizar o aluno com a área da Medicina e incentivar a valorização do trabalho dos médicos.

A repórter Fabiana Cambricoli explica no vídeo abaixo como a matéria foi feita.

Disciplinas envolvidas: Português, Biologia

Anos em que as habilidades podem ser trabalhadas: Ensino Fundamental II e Ensino Médio (1º e 2º anos).

Referências na BNCC: Linguagens e suas Tecnologias, EM13LP30, EF67LP03; Ciências da Natureza e suas Tecnologias EM13CNT303 e EM13CNT207*

 

 

*(EF67LP03) Comparar informações sobre um mesmo fato divulgadas em diferentes veículos e mídias, analisando e avaliando a confiabilidade. 

(EM13LP30) Compreender criticamente textos de divulgação científica orais, escritos e multissemióticos de diferentes áreas do conhecimento, identificando sua organização tópica e a hierarquização das informações, questionando fontes não confiáveis e problematizando enfoques tendenciosos ou superficiais. 

(EM13CNT303) Interpretar textos de divulgação científica que tratem de temáticas das Ciências da Natureza, disponíveis em diferentes mídias, considerando a apresentação dos dados, a consistência dos argumentos e a coerência das conclusões, visando construir estratégias de seleção de fontes confiáveis de informações.

(EM13CNT207) Identificar, analisar e discutir vulnerabilidades vinculadas às vivências e aos desafios contemporâneos aos quais as juventudes estão expostas, considerando os aspectos físico, psicoemocional e social, a fim de desenvolver e divulgar ações de prevenção e de promoção da saúde e do bem-estar.

O Estadão na Escola é parte de uma parceria com o Instituto Palavra Aberta, entidade sem fins lucrativos que lidera o EducaMídia, programa de educação midiática dedicado a formar professores e produzir conteúdos sobre o tema. A parceria é coordenada por Daniela Machado e Mariana Mandelli.

Este material contou com a colaboração de Paulo Zezo, professor de Biologia do Colégio Poliedro. 

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