Automutilação e suicídio: como abordar com a turma

Automutilação e suicídio: como abordar com a turma

Bárbara Rubira e Mariana Hallal, especiais para o Estado

15 de outubro de 2019 | 14h25

Em abril, o presidente Jair Bolsonaro sancionou uma lei que determina que hospitais e escolas devem notificar, de forma sigilosa, casos de automutilação e suicídio. A legislação instituiu também a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio. Segundo dados divulgados em setembro do ano passado pelo Ministério da Saúde, o Brasil registrou 5,8 suicídios por 100 mil habitantes em 2016, com um caso a cada 46 minutos.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo todo. A entidade elaborou um Manual para Professores e Educadores, dedicado aos profissionais considerados fundamentais no combate ao problema entre adolescentes.

Uma reportagem feita pela repórter Júlia Marques mostra que a preocupação com o problema já tem mobilizado ações em escolas, consultórios e universidades. Algumas iniciativas partem inclusive dos próprios estudantes, que formam grupos de apoio com a orientação de especialistas.

Foto: Felipe Barduchi/Estadão

Usando a reportagem e o manual da OMS, desenvolva discussões em sala de aula sobre os principais fatores de risco, sinais de alerta e maneiras de prevenir o suicídio.

PROPOSTAS DE ATIVIDADES

1 – Sociologia

Discuta com os alunos: como as ideias de Émile Durkheim sobre o suicídio, elaboradas na França do século 19, se relacionam com o tema nos dias de hoje?

2 – Políticas públicas

Proponha um debate: as iniciativas do poder público no combate e prevenção à automutilação, ao suicídio e a outros problemas relacionados são eficientes? Que outras ações e projetos os alunos conhecem? O que mais poderia ser feito? 

3 – Transtornos psicológicos

Pergunte aos os alunos o que eles sabem sobre depressão e ansiedade. Depois, peça a eles que pesquisem sobre o tema e desenvolvam um trabalho com suas percepções sobre o assunto. O objetivo é desmistificar essas doenças e quebrar preconceitos.

4 – Sem rótulos

Proponha uma atividade para debater os rótulos que são impostos aos adolescentes e discuta as consequências que isso pode ter no desenvolvimento de cada um. É um bom momento para trabalhar as diferenças e as particularidades dos alunos, mostrando que ser diferente é normal.

5 – Internet

Questione os alunos sobre o uso das redes sociais pelos adolescentes. Eles acham que o uso exagerado e certos comportamentos influenciam na autoestima? A realidade mostrada por personalidades das redes sociais pode deixá-los descontentes com a sua própria realidade? O que eles podem fazer para diminuir esses efeitos negativos das redes sociais?

6 – Habilidades socioemocionais

Proponha atividades que incentivem trabalhos em grupo e fortaleça a empatia entre os alunos. As habilidades socioemocionais também podem ser trabalhadas em conjunto com o psicólogo da escola ou da comunidade, por meio de palestras explicativas sobre temas pertinentes à saúde mental da turma (depressão, ansiedade, uso de álcool e drogas, entre outros). Aproveitar momentos de grande debate sobre o tema, como o Setembro Amarelo, é uma opção.

BANCO DE DADOS E MATERIAIS SOBRE O TEMA

Vídeo para trabalhar a vida no Instagram versus vida real (em inglês)

Guia do Instituto Ayrton Senna sobre competências socioemocionais no cotidiano das escolas

Centro de Valorização da Vida

Manual de prevenção do suicídio da Sociedade Brasileira de Psiquiatria

Instituto Vita Alere, que trabalha com suicídio, prevenção e posvenção

Projeto Cuca Legal, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Associação Americana de Suicidologia (em inglês)

A repórter Júlia Marques fala sobre a produção da matéria foi feita nesse vídeo.

Disciplinas envolvidas: Sociologia, Filosofia, Biologia.

Anos em que as habilidades podem ser trabalhadas: ensino médio

Referências na BNCC: Ciências da Natureza e suas Tecnologias – EM13CNT207*

Ciências Humanas e Sociais Aplicadas – EM13CHS502*; EM13CHS503*; EM13CHS605*

*(EM13CNT207) Identificar, analisar e discutir vulnerabilidades vinculadas às vivências e aos desafios contemporâneos aos quais as juventudes estão expostas, considerando os aspectos físico, psicoemocional e social, a fim de desenvolver e divulgar ações de prevenção e de promoção da saúde e do bem-estar.

*(EM13CHS502) Analisar situações da vida cotidiana (estilos de vida, valores, condutas etc.), desnaturalizando e problematizando formas de desigualdade e preconceito, e propor ações que promovam os Direitos Humanos, a solidariedade e o respeito às diferenças e às escolhas individuais.

*(EM13CHS503) Identificar diversas formas de violência (física, simbólica, psicológica etc.), suas principais vítimas, suas causas sociais, psicológicas e afetivas, seus significados e usos políticos, sociais e culturais, discutindo e avaliando mecanismos para combatê-las, com base em argumentos éticos.

*(EM13CHS605) Analisar os princípios da declaração dos Direitos Humanos, recorrendo às noções de justiça, igualdade e fraternidade, identificar os progressos e entraves à concretização desses direitos nas diversas sociedades contemporâneas e promover ações concretas diante da desigualdade e das violações desses direitos em diferentes espaços de vivência, respeitando a identidade de cada grupo e de cada indivíduo.

O Estadão na Escola é parte de uma parceria com o Instituto Palavra Aberta, entidade sem fins lucrativos que lidera o EducaMídia, programa de educação midiática dedicado a formar professores e produzir conteúdos sobre o tema. A parceria é coordenada por Daniela Machado e Mariana Mandelli.

O material teve a colaboração de Luciana Cardoso, psicóloga e professora de Filosofia da escola Imaculada Conceição (Pelotas/RS).

 

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