As fake news sobre vacinas e a volta do sarampo

As fake news sobre vacinas e a volta do sarampo

Carla Menezes e Marina Cardoso, especiais para o Estado

15 de outubro de 2019 | 14h27

A volta de doenças antes erradicadas no Brasil leva a uma discussão sobre o impacto das informações falsas nas redes sociais. A matéria da repórter de Saúde do Estadão Fabiana Cambricoli mostrou como o Ministério da Saúde estava preocupado com o fato de que muitos pais têm deixado de vacinar os filhos por causa de boatos sobre supostos riscos dos imunizantes. 

O impacto nas campanhas de vacinação foi tão preocupante que o órgão federal iniciou um monitoramento de boatos e mobilizou uma equipe para checar os principais assuntos compartilhados principalmente no WhatsApp e Facebook. Na época da reportagem, em seis meses de ação, ao menos 185 focos de desinformação foram encontrados; 90% deles estava relacionado com as vacinas.

Publicações ganham selos segundo a veracidade. ‘É uma questão de saúde pública’, diz coordenadora Foto: Portal Ministério da Saúde/Reprodução

Reconhecido internacionalmente, o programa de imunização brasileiro viu doenças como sarampo e poliomielite voltarem a ameaçar o país após os índices de cobertura vacinal caírem em 2017. As discussões sobre o tema ganham ainda mais força e interdisciplinaridade e podem ser discutidas de forma ampla nas aulas de Biologia, Português e História, ou nas áreas de Humanidades, Linguagem e Ciências da Natureza. 

PROPOSTAS DE ATIVIDADES

1 – Biologia

A temática permite explorar múltiplos aspectos em sala de aula. Inicie o debate sobre o efeito social dessas doenças; como o sarampo, o HPV ou a poliomielite afetariam a vida da comunidade escolar? Antes de entrar no estudo da bioquímica celular (sistema imunológico e anticorpos) e na biotecnologia (vacinas como resposta imunológica natural ou artificial), proponha a seguinte tarefa:

É verdade que vacina causa reação, faz mal ou resulta em outras doenças no futuro? É importante redirecionar a curiosidade dos alunos para um canal de elucidação. Proponha a confecção de uma lista geral com as principais dúvidas sobre o tema. Dê a oportunidade para que cada aluno ou grupo coloque  sua dúvida escrita em um lugar visível (no quadro ou em uma cartolina). Ao fim da exposição do conteúdo da disciplina, peça para que eles escrevam as respostas discutidas em sala de aula e criem um selo de “‘É MENTIRA” ou “É VERDADE”, apontando o que é falso e o que é verdadeiro. Caso prefira, faça o download da imagem abaixo, recorte os ícones e distribua entre seus alunos.

2 – Português 

Frear a cultura de desinformação é um desafio importante. Os impactos dos boatos e fake news podem ser sentidos em diversos campos da vida cotidiana. Converse com seus alunos sobre como eles têm consumido informação atualmente. Colete com a turma quais são as notícias importantes que aconteceram no dia e proponha as seguintes questões: De que mídia você conseguiu isso? A partir desta notícia, você se sente completamente informado? Quais programas de TV costuma assistir e quais os motivos que te fazem gostar? Quais páginas da web visita? 

Após o primeiro debate, inicie a discussão sobre fake news e boatos. Todo conteúdo jornalístico profissional tem como base as seguintes perguntas: Quem? O que? Quando? Onde? Como? Por que? Muitos dos textos de desinformação suprimem grande parte dessas perguntas. 

Proponha aos alunos um “telefone sem fio”, famosa brincadeira onde o primeiro da fila escuta uma informação e precisa falar no ouvido do próximo da fila o que escutou e, assim por diante, até que o último fale em voz alta para toda a turma. Dê ao primeiro da “linha” dez segundos para ler uma informação parecida com essa: Na manhã de ontem um jovem de blusa azul e calça amarela caminhou até a padaria ao lado da farmácia porque queria comprar um cacho de uva para aliviar sua dor de cabeça.  Ao final da rodada, peça para que o primeiro e o último escrevam a frase que ouviram e avaliem o que mudou no meio do caminho e como a informação, mesmo que verdadeira, pode se transformar em mentira se for disseminada de forma incorreta. Proponha também a análise das seguintes perguntas, principais direcionadores da boa prática jornalística: Quem? O que? Quando? Onde? Como? Por que? 

3 – História

Discuta sobre como a temática, mesmo sem os canais digitais disponíveis, já foi pauta de discussões sociais e movimentos em outras épocas, como a Revolta da Vacina, em 1904 no Rio de Janeiro. 

4- Atividade interdisciplinar: 

A escola é um espaço em que se concretiza o conhecimento e que começa a cultivar nos jovens a sua capacidade de agir. Que tal promover a cooperação e o trabalho em rede? Essas são habilidades socioemocionais, que também fazem parte da BNCC e são importantes para o desenvolvimento no ambiente escolar. Proponha a produção de um boletim de checagem no WhatsApp ou em algum formato impresso que seja compartilhado entre a comunidade local. Criem uma cartilha com o passo a passo para reconhecer uma notícia falsa (você pode se basear nesta que criamos, que está aqui abaixo). 

Explore, se for o perfil da turma, a criação de gifs ou memes informativos, de forma que eles possam utilizar no dia-dia. Proponha uma roda de conversa com um agente de saúde e um jornalista da região. Permita que os alunos os entrevistem e consolidem a experiência em uma matéria jornalística, que tenha informações importantes, já vistas anteriormente. 

5 – Sugestão de tema para redação

“O Ministério da Saúde iniciou há seis meses um monitoramento para identificar os boatos mais frequentes espalhados pelas redes sociais. O monitoramento serviu como insumo para elaboração de uma campanha e de um canal no Whatsapp, onde as informações são checadas. […] O ministério já identificou 185 focos de fake news na Internet, ou seja, temas de saúde que têm sido alvos de diversas publicações com dados incorretos ou evidências científicas inexistentes”. 

CAMBRICOLI, Fabiana. Ministério da Saúde identifica 185 focos de fake news e reforça campanhas. Disponível em: https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,ministerio-da-saude-identifica-185-focos-de-fake-news-e-reforca-campanhas,70002510310 . Acesso em 11 out. 2019 (adaptado)

Proposta: a partir da leitura do texto acima, elabore um texto dissertativo/argumentativo com o seguinte tema: “Como a sociedade pode colaborar no combate às fake news na atualidade? Quais são os prejuízos que a desinformação pode trazer para as pessoas?”. Reúna dados, argumentos e fatos e relacione-os de maneira coesa. 

 

Disciplinas envolvidas: Biologia, Português e História

Anos em que as habilidades podem ser trabalhadas: Fundamental 2 e Ensino Médio

Referências na BNCC: EM13LP39, EM13LP40, EM13LGG101

No vídeo abaixo, a repórter Fabiana Cambricoli explica como a matéria foi feita.

(EM13LP39) Usar procedimentos de checagem de fatos noticiados e fotos publicadas (verificar/avaliar veículo, fonte, data e local da publicação, autoria, URL, formatação; comparar diferentes fontes; consultar ferramentas e sites checadores etc.), de forma a combater a proliferação de notícias falsas (fake news).

(EM13LP40) Analisar o fenômeno da pós-verdade – discutindo as condições e os mecanismos de disseminação de fake news e também exemplos, causas e consequências desse fenômeno e da prevalência de crenças e opiniões sobre fatos –, de forma a adotar atitude crítica em relação ao fenômeno e desenvolver uma postura flexível que permita rever crenças e opiniões quando fatos apurados as contradisserem. 

(EM13LGG101) Compreender e analisar processos de produção e circulação de discursos, nas diferentes linguagens, para fazer escolhas fundamentadas em função de interesses pessoais e coletivos.

O Estadão na Escola é parte de uma parceria com o Instituto Palavra Aberta, entidade sem fins lucrativos que lidera o EducaMídia, programa de educação midiática dedicado a formar professores e produzir conteúdos sobre o tema. A parceria é coordenada por Daniela Machado e Mariana Mandelli.

O material teve a colaboração dos professores Adryano Stwart, do Over Colégio e Curso (Natal/RN), Diego Riogrande, do Colégio Ciências Aplicadas (Natal/RN), e Geane Camilo, da Escola Professora Maria Heraclides Lucena Miranda (Brejo Santo/CE)

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