Vou me adaptar!

Vou me adaptar!

Fernanda Tambelini

28 Julho 2016 | 14h45

Adaptação 1

No fim das férias de julho, muitas famílias estão apreensivas com o início do segundo semestre letivo. Seja porque seus pequenos irão à escola pela primeira vez em agosto ou porque resolveram – ou precisaram – mudar os filhos de colégio no meio do ano. “É um momento muito importante na vida delas. Precisamos cuidar para que a adaptação respeite o tempo de cada uma, até que se sinta segura no ambiente ainda desconhecido”, afirma Mariangela Ancelmo, coordenadora da Educação Infantil na Escola Projeto Vida.

A Projeto Vida aplica um processo gradual de adaptação, em que os sentimentos dos alunos são respeitados e o vínculo com os adultos da instituição é construído em meio a acolhimento e proposição de desafios estimulantes às crianças. O tempo necessário para estabelecer o vínculo inicial com a professora ou auxiliar de sala é de cerca de sete a dez dias e, aos poucos, seu círculo de contatos aumenta até que ela se sinta totalmente à vontade no espaço. Em todos os casos, o processo de adaptação é individual. “Cada criança mostra que ainda não está bem de forma diferente. Algumas choram, outras demonstram agressividade ou timidez e até mesmo sintomas físicos, como dores de cabeça e de barriga”, conta Mariangela.

Alguns aspectos são fundamentais para que a adaptação seja bem sucedida: o processo deve ser individualizado, respeitando as necessidades específicas de cada família; o tempo de permanência na escola deve aumentar gradativamente, para que o aluno adquira confiança de que aquele é um espaço interessante e de que os pais voltarão para buscá-lo; esse aumento gradual deve respeitar a capacidade de cada criança, não deve ser imposto de forma única para todas; nos primeiros dias, a presença dos pais na escola é essencial; o adulto responsável deve sempre se despedir da criança; é papel do colégio acolher os sentimentos de pais e alunos. Outro ponto importante é dizer a verdade para a criança em todas as situações.

Mariangela ressalta também a preparação das famílias para a adaptação, pois quanto mais difícil for para elas autorizarem a escola a cuidar de seus filhos, mais difícil será para a criança se sentir bem. Em uma reunião, orienta os pais para que transmitam segurança às crianças, com dicas como não se prolongar na despedida, ficar na escola no local combinado e o que falar para os pequenos. “Com tudo isso, estamos sempre olhando para o aluno. É preciso diferenciar um desconforto que amadurece e faz parte do desenvolvimento de um sofrimento, tanto para a criança quanto para os pais. Se for sofrimento, é preciso rever e adaptar o processo”.

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