Teatro como rito de passagem para o Ensino Médio

Teatro como rito de passagem para o Ensino Médio

Fernanda Tambelini

26 Setembro 2016 | 15h38

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Imagem: Cibele Barreto Fotografia

O fim do Ensino Fundamental pode trazer diversos significados aos adolescentes. Ruptura definitiva com a infância, possível troca de colégio, necessidade cada vez mais próxima de se escolher uma profissão, descobertas sobre seus sentimentos e corpos, novos olhares para as relações e para a sociedade. As mudanças nessa fase vão além da passagem para outro ciclo educacional. Trata-se de um momento importante para os jovens afirmarem sua autoestima e se prepararem para a nova etapa escolar e de vida. Sob esse prisma, a Escola Projeto Vida desenvolve com 8º e 9º anos um projeto teatral, que se tornou um rito de passagem para o Ensino Médio.

Durante um ano e meio (do início do 8º ao primeiro semestre do 9º), os alunos envolvem-se nos diferentes aspectos da montagem de uma peça, da escolha do tema e adaptação do texto à montagem do cenário e confecção dos materiais de divulgação. O primeiro passo é o levantamento, pelos adolescentes, de possíveis temas a serem trabalhados. Feita a escolha, os professores de Língua Portuguesa orientam a busca de textos, livros e filmes sobre o assunto, para que façam um mergulho na temática e decidam qual texto será adaptado à linguagem teatral. A adaptação é feita com o professor de dramaturgia e, em paralelo, há aulas de teatro e música. Cada aluno escolhe se vai se dedicar exclusivamente à encenação, à trilha sonora ou a ambos.

Imagem: Cibele Barreto Fotografia

Imagem: Cibele Barreto Fotografia

Diversas habilidades são desenvolvidas com as experiências vivenciadas ao longo do trajeto. A exposição às distintas linguagens e aos inúmeros aspectos envolvidos na montagem de uma peça teatral confere aos alunos a oportunidade de conhecerem suas próprias aptidões e reforça a autoestima, preparando-os para a passagem ao Ensino Médio. “Do começo ao fim, o projeto proporciona diversos desafios aos adolescentes, desde trabalhar em grupos diferentes dos formados nas salas de aula até fazer coisas novas – como tocar um instrumento ou montar um pôster em softwares de design”, afirma Elisabete G.R. Vecchiato, coordenadora cultural da Escola Projeto Vida.

Imagem: Cibele Barreto Fotografia

Imagem: Cibele Barreto Fotografia

Após a etapa inicial, de aprofundamento no texto e adaptação para o teatro, são escolhidas as personagens, trilha sonora – o que inclui músicas autorais e outras já existentes –, figurinos e cenografia. A escola convida profissionais da área para ministrar oficinas optativas de dramaturgia, cenografia e figurino e aborda os conceitos de forma multidisciplinar com os conteúdos das disciplinas escolares.

Para que todos os estudantes participem, formam-se dois elencos para a mesma peça. Os motores são aquecidos em dois ensaios abertos aos alunos do 6º ao 8º anos e, nas quatro apresentações oficiais para familiares e convidados, tudo é feito pelos jovens. Os adultos cuidam apenas de questões técnicas, como iluminação e som. “Não trabalhamos para que sejam atores, mas para que encarem novos desafios e resignifiquem sua experiência escolar”, conclui Elisabete.