Quando o conflito sai do real para o virtual

Quando o conflito sai do real para o virtual

18 Novembro 2016 | 08h59

CIBELE BARRETO FOTOGRAFIA

A comunicação mediada pela tecnologia, via WhatsApp ou Facebook, além de dinamizar a troca de informações pode reforçar o sentido de comunidade e contribuir com a rotina escolar. Mas essas mesmas relações podem ficar em risco a partir do que se diz nos grupos virtuais. As ferramentas de comunicação não são um problema em si, mas a forma como as pessoas as utilizam.

Não é raro ver questões e conflitos cotidianos saírem do ambiente escolar e entrarem descontextualizados nos grupos de pais do WhatsApp, distorcidos por interpretações equivocadas. “Existe uma ideia de que ter conflito é ruim, que o conflito é evitável, mas na realidade é o oposto. Muitas vezes nas situações de conflito, a Escola e os pais têm um contexto adequado para ajudar a criança a trabalhar em si, atitudes e comportamentos que irão favorecê-la para a vida”, afirma Mônica Padroni, Diretora da Unidade Infantil da Escola Projeto Vida. Ao invés de expor o conflito no grupo virtual, algumas perguntas podem ser feitas pelos pais no sentido de orientar os filhos, como sugere Mônica: “O que você acha sobre o que aconteceu? O que você fez quando isso aconteceu? Como você levou a questão para a professora? O que aconteceu depois disso?”

Para a Diretora da Unidade Fundamental da Projeto, Silvia Elayne, “a formação de cidadãos autônomos passa pela ideia de que a criança possa sentir segurança e força em si própria, que ela possa sentir a força que tem. Então, trabalhamos para que isso aconteça, para elas sentirem que são capazes.” Quando os pais expõem questões no WhatsApp, que relacionam seus filhos a conflitos, além de tirarem o direito de anonimato das crianças, também “tiram a possibilidade dos filhos viverem conflitos e aprenderem com isso, porque quando vivem um conflito eles sentem muitas coisas”, complementa Silvia.

Quando informados, os professores da Projeto Vida estão preparados para agir em benefício do aluno. Quando isso acontece os educadores trabalham com a criança no sentido de instrumentalizá-la, prepará-la para lidar com situações futuras. O cenário por vezes é complexo e os pais são os primeiros educadores dos filhos. Silvia reforça a importância dos pais confiarem em si próprios e contarem com a ajuda da Escola. É nesse contexto que Mônica acentua um dos princípios que orienta a Projeto Vida: “O papel da Escola é promover o diálogo das diferenças, e diferenças de opinião”. Afinal, não é possível formar cidadãos críticos e resolver conflitos sem que as crianças sejam orientadas à enxergarem e respeitarem as diferenças. Conflito no contexto escolar pode significar ensino e aprendizado.