O que se aprende em uma viagem com a escola?

O que se aprende em uma viagem com a escola?

Fernanda Tambelini

29 de novembro de 2019 | 15h16

Na Escola Projeto Vida, os currículos do 5º ao 9º ano contemplam viagens de estudo do meio. Definidas no início de cada ano letivo no planejamento pedagógico, têm os destinos escolhidos de acordo com os conteúdos e habilidades socioemocionais a serem desenvolvidos. Mas, por que viajar para estudar?

O estudo do meio é uma modalidade de saída pedagógica mais complexa, pois envolve ao menos duas disciplinas em um projeto integrador e interdisciplinar. As viagens duram de três a quatro dias e proporcionam aos alunos uma imersão no tema pesquisado, com olhar abrangente para o funcionamento do local visitado. Assim, sempre há uma pergunta de investigação como ponto de partida para os trabalhos e atividades a serem realizados e os alunos levam consigo um roteiro de estudos a ser seguido. 

Além da intencionalidade pedagógica envolvida em todos os estudos do meio, com conceitos curriculares abordados, as viagens também carregam um caráter educacional de cunho atitudinal. “Viajar para aprender é muito diferente de viajar a turismo. Ao conviver com colegas e adultos em outro ambiente, o estudante desenvolve aspectos do autocuidado que só podem ser exercidos fora de casa”, afirma Suzana Mesquita, supervisora do Ensino Fundamental II na Projeto Vida.

Inclusive, autocuidado é uma das competências definidas pela BNCC (Base Nacional Comum Curricular) a serem desenvolvidas pelos alunos. Para os adolescentes, organizar quem ficará hospedado em cada quarto é um dos momentos mais marcantes. São eles que apresentam à coordenação a divisão de alunos por dormitório, mas precisam seguir regras como não excluir ninguém, não ter conflitos nas escolhas e manter separados meninos e meninas.

Além dos conteúdos conceituais e atitudinais, as viagens de estudo do meio têm uma vertente cultural. Povos locais, arquitetura, culinária, artesanato, dança e música etc. Os alunos é que devem fazer uma imersão na cultura local e não vice-versa. É comum os adolescentes pedirem para incluirmos uma “balada” na programação. Nesses casos, aproveitamos a oportunidade para enriquecê-los culturalmente. Em Cananéia, por exemplo, a “balada” é ao som do Fandango! 

Destinos

Em geral, seguimos um roteiro de estudos do meio de acordo com os conteúdos e habilidades socioemocionais a serem desenvolvidas em cada ano, do 5º ao 9º. No entanto, as disciplinas que integrarão o estudo são definidas durante o planejamento pedagógico e podem mudar de acordo com o foco que a equipe de educadores pretende dar para a viagem naquele ano. Uma viagem para estudo da História do Brasil pode incluir os impactos da urbanização no meio ambiente como mais um foco a ser dado em 2020, por exemplo. 

Assim, os destinos visitados nos últimos anos foram:

5º ano: Santos (História e Geografia)

6º ano: Cavernas do PETAR (Geografia, Ciências e Orientação Educacional

7º ano: Ilha do Cardoso e Cananéia. Viagem aliada ao projeto maker do Nave à Vela, em que os alunos construíram um artefato para ajudar a coletar o lixo, doado à comunidade  (História, Geografia e Ciências).

8º: Paraty – Patrimônio Universal da Humanidade decretado em 2019 (História, Geografia e Língua Portuguesa).

9º: Viagem educacional para fechamento do Ensino Fundamental II. Os alunos escolhem um destino entre três apresentados pela escola, que facilitam o estar junto e oferecem muitas atividades coletivas e de valorização de tudo o que aprenderam.

Em todas as viagens, há um registro dos alunos e posterior apresentação de trabalho, a partir de observação direta, experimentação e entrevistas para conhecer as histórias locais e os diferentes pontos de vista das pessoas que fazem a cidade. Há também um ponto transversal a todos os estudos do meio: a sustentabilidade ambiental e econômica das comunidades visitadas.

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