Muito além do futebol

Muito além do futebol

Fernanda Tambelini

25 Outubro 2016 | 10h58

Tchoukball 1 Tchoukball 2

Quando pais e mães das crianças e adolescentes de hoje ocupavam os bancos escolares, era comum que as aulas de Educação Física fossem amadas ou odiadas – com a mesma intensidade – a depender das habilidades de cada aluno com os esportes tradicionais, como futebol, vôlei, basquete e handebol. Dificilmente, outras práticas eram inseridas, restringindo o repertório de cultura corporal apresentado.

Na Escola Projeto Vida, a Educação Física contribui com as demais áreas e todo o currículo é para a formação de indivíduos com olhar multicultural e para a valorização da diversidade. Para isso, há constante pesquisa de modalidades culturais e esportivas a serem incorporadas no currículo, incluindo tchoukball, hockey, rúgbi, baseball, jogos de raquete, capoeira, danças, lutas, ginásticas e atletismo, além dos mais convencionais já conhecidos no Brasil.

O objetivo é que as aulas contemplem diferentes identidades e representações culturais. “Buscamos no entorno e em outras comunidades o que as pessoas jogam, como se divertem. Queremos mostrar que as nossas verdades não são necessariamente verdades para os outros, desconstruir a ideia de que o sujeito só é sujeito se ele joga futebol, por exemplo”, explica Luiz Greco, coordenador de Educação Física na Escola Projeto Vida, que integrou o grupo de estudos de Cultura Corporal da Universidade de São Paulo.

Aqui, a Educação Física abrange três campos distintos, todos com a inserção de modalidades diversificadas: educação física escolar, com aulas regulares previstas no currículo; cursos complementares, que oferece opções para as crianças e adolescentes se aprofundarem nas áreas de interesse; e treinamentos, onde se trabalha desempenho para participar de campeonatos, festivais e torneios.

Uma estratégia utilizada para a inserção de novas práticas é o uso de oficinas promovidas por especialistas. Se a modalidade for bem recebida e houver interesse crescente nas crianças e adolescentes, pode entrar para o currículo regular, virar um novo curso complementar e até mesmo entrar para o rol dos treinamentos, como aconteceu com o tchoukball, modalidade pouco praticada no Brasil e na qual a escola é hoje destaque. Alunos e familiares que praticam esportes incomuns ou populares também são convidados para compartilhar seus conhecimentos e experiências. “A intenção é enriquecer o repertório das crianças, mostrar que em outros lugares têm gente fazendo outras coisas”, conclui Greco.