Lousa OU tela? Tecnologia inserida na cultura escolar

Lousa OU tela? Tecnologia inserida na cultura escolar

Fernanda Tambelini

31 Maio 2016 | 10h27

Apesar de crianças e adolescentes da geração z – nascidos entre 1990 e 2010 – serem considerados nativos digitais, a escola para a maioria deles ainda segue modelos convencionais de ensino e aprendizagem.

A Escola Projeto Vida, que este ano comemora 25 anos de existência, encarou o desafio de tonar a tecnologia parte da cultura escolar, assim como a lousa e o livro já são recursos habituais a serviço da aprendizagem. Por isso, investe no que considera fundamental para que a integração aconteça: infraestrutura e formação dos professores. “É muito comum ouvirmos que o professor é resistente, mas não é bem assim. Na verdade, ele quer inovar, mas precisa de condições para isso”, afirma Maristela Alcântara, gestora de tecnologia da escola e especialista em tecnologia educacional.

Dois aspectos devem ser analisados ao pensarmos em tecnologia para educação. A finalidade da ferramenta em si e a intencionalidade pedagógica. Sob esse prisma, o conceito de ensino híbrido – abordagem pedagógica para a personalização da educação – ganha uma nova roupagem. Trata-se da união das práticas usuais do professor com a tecnologia como ferramenta para potencializar o aprendizado do aluno.

Existem algumas formas de organização do espaço de aula que possibilitam esse trabalho focado na personalização do ensino. Na Projeto Vida, dois modelos de ensino híbrido estão sendo usados no Fundamental I e II: a “sala de aula invertida” e as “estações rotativas”. A abordagem está sendo adotada nas diferentes disciplinas.

Na sala de aula invertida, o professor utiliza recursos tecnológicos para disponibilizar materiais aos alunos, que têm o primeiro acesso sozinhos e, depois, trocam informações, discutem, tiram dúvidas e produzem conjuntamente durante a aula. Isso é potencializado pela tecnologia, que facilita a transmissão de materiais em diferentes formatos, a comunicação e a produção colaborativa do conhecimento.

Já nas estações rotativas, formam-se espaços diferentes de aprendizagem em uma mesma sala de aula, cada um com recursos e objetivos específicos. As crianças são agrupadas e passam, em rodízio, por todas as estações. Enquanto em uma estação os alunos fazem representação do Sistema Solar com massa de modelar, outro grupo aprende sobre a órbita da Terra utilizando computadores e uma terceira estação oferece papel e lápis para as crianças registrarem os nomes dos planetas.

Para isso, é fundamental o planejamento e a organização do espaço. A equipe pedagógica se reúne semanalmente em encontros formativos e ao menos uma vez por mês o foco é a tecnologia. Além disso, a escola criou um departamento para dar suporte diário aos educadores na organização das aulas e oficinas esporádicas sobre temas pontuais.