Legado olímpico na Projeto Vida: reflexão e experimentação

Legado olímpico na Projeto Vida: reflexão e experimentação

Fernanda Tambelini

17 Outubro 2016 | 15h42

 

Atletismo-1o-ano_2aMuito se falou sobre que legado as Olimpíadas e as Paralimpíadas deixariam para a cidade do Rio de Janeiro e para o país como um todo. Os Jogos terminaram, muita coisa aconteceu desde então e a reflexão sobre seus efeitos na sociedade vão desbotando em meio às urgências e notícias saídas do forno. Os alunos da Educação Infantil na Escola Projeto Vida, entretanto, estenderam a vivência dos Jogos ao longo do mês de setembro. Não apenas enriquecendo seu repertório esportivo, mas também refletindo sobre o significado desses grandes eventos e traçando paralelos entre as Olimpíadas e as Paralimpíadas.

Antes de experimentarem algumas práticas olímpicas, as crianças foram convidadas a reunir o conhecimento que já tinham sobre os Jogos e as modalidades e, a partir daí, os professores mediaram o aprofundamento e aquisição de novos saberes. Murais com fotografias, reportagens, livros e vídeos foram utilizados para enriquecer o repertório dos alunos e algumas práticas foram vivenciadas na escola – o atletismo como esporte Olímpico e o goalball, o vôlei sentado e a corrida para deficientes visuais como práticas Paralímpicas.

O objetivo foi justamente propiciar novas experiências, que permitissem refletir sobre diferentes modos de viver e se relacionar com o entorno e o próprio corpo. “O goalball tem uma singularidade em relação à plateia, que deve manter silêncio na partida. Falamos sobre isso na aula e a postura das crianças que esperavam os dois amigos jogarem – pois adaptamos a prática para evitar acidentes – foi muito interessante. Um exercício diferente, a vivência não apenas de quem joga, mas também de quem está assistindo. Tentar se colocar no lugar do outro é um exercício profundo”, diz Luiz Greco, coordenador da área de Educação Física na Escola Projeto Vida.

A abordagem transdisciplinar é uma marca na Projeto Vida, desde a Educação Infantil até o Ensino Fundamental II. O 5º ano, por exemplo, fez uma visita ao Centro Olímpico, para pensar sobre o esporte de alto rendimento e confrontá-lo com a perspectiva do esporte escolar. Já o 7º ano percorreu o Museu do Futebol, com um roteiro de estudo que abrangia as variadas dimensões do futebol na sociedade atual.

“O papel da escola é fomentar uma perspectiva crítica nas crianças e adolescentes e, para isso, é fundamental que a Educação Física contemple os diferentes aspectos dos esportes, incluindo os sociais, culturais, políticos e até mercadológicos. Durante as Olimpíadas, levamos esse questionamento para as aulas: os Jogos são esporte, negócio ou ambos?”, afirma Greco.