Festa Junina e a formação cultural na Projeto Vida

Festa Junina e a formação cultural na Projeto Vida

Cibele Barreto

06 Junho 2018 | 14h05

O mês de junho, no Brasil, é quase sinônimo de festividades regadas à música, dança, comidas e bebidas típicas, fogueira e brincadeiras coloridas. A Festa Junina é uma das poucas manifestações culturais populares que sobrevivem nas grandes cidades brasileiras e seguem mobilizando pessoas de diferentes origens socioculturais, em contrapartida à cultura de massa difundida largamente pela mídia.

A formação cultural dos alunos constitui um dos princípios norteadores da Escola Projeto Vida e faz parte do projeto pedagógico desde a Educação Infantil até o Ensino Fundamental 2. Assim, temos uma abordagem pedagógica para a festa oferecida às famílias, desde a escolha e pesquisa do tema até o envolvimento da equipe, crianças e adolescentes, seleção de músicas e coreografias e organização do concurso de quadrilhas dos alunos do Fundamental 2.

A coordenadora cultural da escola, Elizabete Vecchiato, explica que as festividades de junho representam uma excelente oportunidade para conhecermos, valorizarmos e nos envolvermos com a diversidade de manifestações culturais populares ainda vivas e pujantes em muitas comunidades espalhadas por todo o país. “É um momento para todos nós, professores, funcionários, alunos e familiares, conhecermos melhor nossa identidade brasileira e nos sentirmos cada vez mais parte dela”, diz.

Temáticas, nossas Festas Juninas envolvem toda a escola e ensinam a todos! Alguns dos temas trabalhados foram Ser tão paulista, Santos, mitos e tradições, Viva Inezita, Copa e cozinha e Violas e violeiros. Esse ano, nossa festa homenageia os Mestres da Cultura Popular Brasileira. Para se ter uma ideia da riqueza, teremos nada menos que quadrilha com Inezita Barroso e Antônio Nóbrega, samba rural com Mestre Bule Bule, ciranda praieira com Lia de Itamaracá, maneiro pau com Mestre Cirilo, cacuriá com Dona Teté do Cacuriá, carimbó com Pinduca e coco de roda com Dona Selma.

O resultado, no dia da festa, é sempre bonito e surpreende a quem participa pela primeira vez. Mas para chegar ali, muito trabalho é realizado nos meses anteriores. Após a seleção do tema, há uma reunião de formação com todos os docentes. Em seguida, os professores de música iniciam os trabalhos com os alunos, apresentando compositores e contextualizando as tradições escolhidas. Só então, entram as músicas, ritmos e coreografias. Isso porque é importante que as crianças saibam onde nasceu aquela manifestação cultural, onde fica aquele lugar e quem são aquelas pessoas que mantêm vivas nossas identidades. O objetivo vai muito além de uma apresentação de dança para os pais.

“Crianças e adolescentes em São Paulo quase não têm acesso à cultura popular. O período da Festa Junina é um verdadeiro portal para se trabalhar isso. O que fica é a vivência, o respeito e o conhecimento de que existem várias manifestações culturais populares, que não são trazidas pela cultura de massa”, afirma Elizabete.