Dicas para escolher livros infantis

Dicas para escolher livros infantis

Fernanda Tambelini

10 de março de 2020 | 18h27

Ler e contar histórias para os filhos é fundamental para o desenvolvimento deles. Mas, como escolher essas histórias? Carolina Adele Sandroni, coordenadora de Educação Infantil da Escola Projeto Vida, dá dicas de como selecionar livros adequados para as diferentes idades e explica o papel do adulto na interação da criança com a obra.

Interesses e conhecimentos

Procurar por um título em uma livraria pode ser difícil, afinal, são muitas opções. O primeiro caminho para acertar na escolha é considerar os interesses e conhecimentos de mundo que a criança já tem ou está começando a ter. Histórias de infâncias em outros contextos, natureza, animais e relações familiares são alguns exemplos.

Essa seleção feita pelos adultos é mais uma maneira de apresentar o mundo às crianças. Para isso, é preciso conhecer bem os filhos (ou alunos, no caso dos educadores) e saber o que interessa a eles. Visitar a livraria e se debruçar sobre as produções é uma boa estratégia para encontrar títulos adequados, já que é muito importante que o adulto leia antes o livro e entenda o que é interessante e ao mesmo tempo desafiador.

Variedade

Ao mesmo tempo em que é interessante oferecer mais de um livro sobre os temas que as crianças gostam, é preciso ficar atento para ampliar o leque e trazer desafios diferentes para relacionar com o conhecimento de mundo e vivência pessoal que cada um já tem. Atualmente, existe uma variedade grande de obras sobre o universo infantil, desde as coisas simples do cotidiano até perdas e relações familiares.

Também é interessante variar a editora e os autores, proporcionando experiências diferentes aos pequenos leitores. Obras escritas por homens, mulheres, jovens, idosos, pessoas de outros continentes… tudo isso traz à tona realidades de outras culturas e etnias.

Fora do óbvio

Livros infantis não precisam ser previsíveis e simplistas. Os mais interessantes são aqueles que fazem pensar sobre o enredo, que surpreendem. As ilustrações também não devem ser estereotipadas e não precisam ser a representação imediata do texto. O ideal é que tenham um valor artístico, criem uma ambiência para o livro e tragam informações complementares ao texto, já que o livro infantil carrega a mistura dessas duas linguagens e o encontro delas permite que a criança faça uma composição mais ampla do cenário trazido pelo livro. 

Padrão de qualidade

Mais do que apenas a história a ser contada, o livro carrega um bem cultural, a literatura. Observar a qualidade desse objeto em si também é importante: encadernação, folhas, impressão, ilustração, design, tamanho, possibilidade de a criança manipular com autonomia. São muitos aspectos a serem observados e valorizados!

Páginas mais grossas para crianças muito pequenas, por exemplo, dão a elas mais autonomia para manusear e revisitar as histórias lidas pelos adultos. Além de desenvolver a autonomia, elas aprofundam suas impressões sobre a história, articulam o que ficou em sua memória com o que está sendo observado nas imagens, levantando novas informações.

Interação

O papel do adulto na apresentação da literatura na infância vai além da seleção dos títulos. É imprescindível que ele leia o livro algumas vezes com a criança, converse com ela sobre a história, revisite trechos que geraram dúvidas, interesse ou comentários e verifique o que ela está entendendo.

A escolha é apenas o primeiro passo, o trabalho a ser feito com a criança é o passo seguinte. Por isso, é importante ir à livraria, folhear os livros, conhecê-los. Levar para casa livros que encantem também ao adulto é fundamental! Assim, ele consegue fazer uma crítica anterior e, então, convidar a criança a conhecer a obra. 

 

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