Curadoria na Escola
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Curadoria na Escola

Escola Eduque

23 de maio de 2019 | 13h00

          

Curadoria significa o ato de curar, de dedicar cuidado a algo. Logo, o curador é aquele que se responsabiliza por e se dedica a apresentar aquilo que está sob seu cuidado com zelo, da melhor maneira possível.

Provavelmente, a primeira associação que fazemos ao pensar em curadoria é com o universo artístico, lembrando de grandes exposições, museus e galerias. Em arte, a forma como a curadoria se dá revela mais que a respeito das obras em si, pois traça caminhos, conduz o olhar, organiza as obras sob a perspectiva da pessoa que não é a própria autora, mas é responsável por apresentá-las ao público. A curadoria pode ser feita individualmente ou compartilhada, tem uma intenção educativa para com aqueles que visitam o espaço planejado e concebido por outrem.

Mirian Celeste Martins, em Arte e horizontes potenciais na escola contemporânea[1], descreve curadoria como “criação! O curador inventa, pesquisa, seleciona, organiza e cria conceito-chave capaz de impulsionar leituras do público, embora também se discuta o quanto pode determinar caminhos restritos aos artistas para adequá-los à sua própria criação. Um professor-curador assume essa ação quando seleciona obras, espetáculos, músicas que serão apresentados aos aprendizes ou quando planeja visitas a instituições culturais, organiza exposições e apresentações de seus alunos e abre espaços para intervenções poéticas.”.

A curadoria pode ser entendida como um diálogo entre diferentes obras, artistas, linguagens artísticas, períodos e movimentos. Esse diálogo, preparado pelo curador, ganha sentido quando se comunica com o público, quando desperta sentimentos e gera significados. Ao planejar uma curadoria, os curadores precisam estar envolvidos com aquilo que cuidam, precisam pesquisar, trabalhar de forma colaborativa com todos os demais responsáveis por viabilizar uma exposição, articular conhecimentos específicos e torná-los acessíveis ao público.

Assim como o trabalho artístico, o trabalho de uma escola também requer uma boa curadoria para ser bem executado. E a curadoria se dá em diferentes instâncias, partindo de uma esfera nacional, que determina o que não pode deixar de ser contemplado na educação dos estudantes de diferentes regiões do país, até chegar às unidades escolares, públicas e privadas, que farão dialogar o conteúdo da Base Nacional Comum Curricular, com as características da região em que a escola se encontra e da comunidade à qual atende.

Cabe à equipe que faz a curadoria escolar planejar um caminho, descrito no projeto pedagógico da escola, criar um diálogo entre a proposta pedagógica e o currículo escolar, que se traduz em projetos, aulas, eventos. E, mais do que tudo, deixar claros seus objetivos e escolhas para a comunidade escolar (famílias, alunos, funcionários).

O sentimento que todos que participam de uma mesma comunidade escolar desejam partilhar é de que os alunos, aqueles que serão responsáveis pela nossa sociedade muito em breve, sejam capazes e desejem ser curadores de um futuro melhor para si e para o outro.

[1] MARTINS, Mirian Celeste (org.). Pensar juntos mediação cultural: [entre]laçando experiências e conceitos. São Paulo: Terracota, 2014.

Juliana Sales – Coordenadora Pedagógica da Escola Eduque

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