Um pouco mais de Ciência…

Um pouco mais de Ciência…

Escola da Vila

03 Maio 2016 | 14h50

escola da vila

Cientistas são homens que vivem trancados em seus laboratórios, rodeados por tubos de ensaios, realizam experimentos incríveis e descobrem coisas extraordinárias… Será?

Um dos grandes objetivos do ensino de Ciências é que todos os alunos e as alunas se aproximem das formas de pensar e construir conhecimentos na área científica, formulando hipóteses, elaborando e contrastando explicações, realizando experimentos e interpretando dados, argumentando, lendo e escrevendo textos científicos, enfim, que saibam não apenas teorias, fatos e explicações, mas também que adquiram habilidades que possam usar para seguir aprendendo e para lidar criticamente com um mundo contemporâneo onde a ciência e a tecnologia, sem dúvida alguma, têm grande impacto.

Nesse contexto, qual a importância de um curso como o do GIC – Grupo de Investigações Científicas?

A proposta do GIC é oferecer um espaço de ampliação das vivências de algumas formas de pensar e trabalhar em Ciências Naturais. Sob a orientação de um professor especialista, alunos e alunas engajam-se em projetos investigativos ou de desenvolvimento de soluções (construção de engenhocas). Ao início do trabalho, os projetos são mais estruturados, orientados passo a passo pelo professor e desenvolvidos em grupo, para que os alunos possam se familiarizar com um modelo de construção e condução de uma pesquisa. Ao longo do curso, a intenção é que eles possam desenvolver projetos próprios, sozinhos ou em grupos menores, tomando mais decisões e agindo mais autonomamente.

Nos projetos de cunho investigativo, os participantes aprendem a fazer perguntas investigáveis, precisam pesquisar sobre o tema em diferentes fontes, formulam hipóteses baseando-se nas informações encontradas ou em seus próprios conhecimentos, buscam sugestões de desenho experimental, conduzem experimentos, coletam e analisam dados e, a partir deles, tiram conclusões. Compreender que fatores influenciam a oxidação (escurecimento) de uma fruta depois de aberta, ou como acontece o congelamento de algumas substâncias em temperaturas baixíssimas, são algumas questões que já levaram nossos estudantes a conduzir experimentos, desde o desenho experimental às conclusões possíveis.

Em outro tipo de proposta, eles recebem um problema e precisam encontrar a solução como, por exemplo, bolar uma engenhoca mecânica para atirar um projétil ou construir uma cisterna para coleta de água da chuva e encontrar maneiras de deixar a água limpa para utilizações variadas. Esses desafios também podem envolver pesquisa acerca do problema, sugestões de soluções com a explicação de por que tal solução funcionaria, apresentação do desenho da solução e do método para testar se ela funciona, construção e teste da solução, coleta de dados para ter certeza de que houve uma mudança causada por sua solução, entre outras habilidades.

Embora essas habilidades também sejam desenvolvidas ao longo do curso regular de Ciências Naturais, essa experiência é intensificada e modificada no GIC. O curso mistura alunos e alunas de diferentes séries, possibilitando que os saberes de alunos mais velhos se complementem com a animada e infinita curiosidade dos alunos mais novos, na criação de um espaço enriquecedor e estimulante. Para o professor, é uma grata constatação perceber como os alunos mais velhos (oitavo ano) já compreendem o papel de uma hipótese ou a necessidade de controle de variáveis, frutos do curso regular de Ciências e da forma como as atividades experimentais estão inseridas em nosso currículo. Por outro lado, as perguntas dos alunos de sexto ano surpreendem e movimentam a busca de explicações de muitos dos participantes.

Ainda temos muitos desafios na promoção desses encontros, desde a busca de temas instigantes e possíveis para um grupo tão diversificado, até a inserção de um trabalho de pesquisa e registro mais cuidadoso, como requerem as práticas científicas. A vontade de conduzir experimentos mirabolantes (e de preferência explosivos!) também é um desafio que o professor orientador do grupo precisa administrar. Seja entre tubos de ensaio, revistas científicas ou num debate acalorado, nossa intenção é que nossos alunos continuem encantados com a natureza e seus fenômenos e sigam fazendo muitas perguntas para cada novo conhecimento construído, ao mesmo tempo em que ocorra o fortalecimento de olhares mais críticos, numa rica mistura de ceticismo e admiração.