Relação positiva com o saber proporciona jornada de aprendizagem para toda a vida

Relação positiva com o saber proporciona jornada de aprendizagem para toda a vida

Escola da Vila

24 de junho de 2020 | 13h02

Ao cultivar espaços de conversa, valorizar a cultura, mostrar interesse pelo estudo e incentivar a postura crítica, a família ajuda a criança a criar vínculos com o conhecimento.

A relação das crianças e dos adolescentes com o conhecimento — que vem muito da valorização do saber e da cultura na escola e na família — tem um impacto bastante significativo não só no empenho escolar dos alunos e alunas, mas, principalmente, no vínculo com o estudo e com a aprendizagem ao longo da vida.

“Quando a família valoriza espaços de conversa, cultiva a cultura literária, musical, científica, mostra interesse genuíno pelos temas que as crianças estão aprendendo e se envolve até de certa maneira lúdica com a descoberta e a indagação, tudo isso compõe algo que chamamos hoje de uma relação com o conhecimento que dura para a vida toda, em que você não depende apenas de espaços escolares ou da intermediação de terceiros para ter uma relação com o saber”, diz Fernanda Flores, diretora-geral da Escola da Vila.

De acordo com ela, toda ação da família que dá importância ao seguir pensando e ao trazer mais perguntas comunica um interesse pelo conhecimento. “A transmissão de uma cultura não acontece apenas pela palavra, mas pelas atitudes, pelo conjunto de posicionamentos e da escuta ativa da família”, explica. E isso ocorre em pequenas atitudes no cotidiano. “Por exemplo, quando a criança faz uma pergunta, em vez de dar uma resposta pronta, podemos seguir a conversa e questionar ‘porque você pensou isso?’ ou ‘você já percebeu tal coisa a partir disso que me contou?’”

Com as crianças, a qualquer idade, e adolescentes, essas situações vão desde usar espaços públicos culturais, como museus e exposições, e a família compartilhar seus gostos culturais, musicais — como mostrar a playlist das músicas favoritas e contar o porquê — até conversar sobre o que se leu ou assistiu e acompanhar as notícias que estão na mídia, criando um espaço de questionamento crítico sobre as situações que o mundo está passando.

Fernanda afirma que a escola deve ajudar mães e pais a ter consciência dessa transmissão e trazer a perspectiva de que o envolvimento da família vai além de acompanhar as atividades escolares. “Vai se estabelecendo uma relação na qual o que mais importa é o aprendizado e o avanço na compreensão do que é envolver-se e dedicar-se. Como consequência, melhora o desempenho na escola.”

Outro aspecto importante na relação das crianças com o conhecimento, segundo ela, é saber enfrentar as dificuldades. “Quando escola e família mostram que a dificuldade faz parte do processo de aprendizado, que aprendemos com os erros e que as pessoas não são iguais nas suas facilidades, gostos e dificuldades, isso ajuda a criança a entender que ela pode gostar mais de alguma coisa e ter mais dificuldade em outra e que isso não a diminui na relação com o conhecimento”. As famílias também contribuem para que seus filhos e filhas tenham uma relação saudável com o saber ao ressaltar que ninguém é perfeito em tudo, mas que, com esforço, é possível superar dificuldades.

Para Fernanda, inicialmente, a criança precisa desse cenário escolar e familiar, em que todo mundo se empenha para constituir essa relação. “E, quando isso é feito, cada um na sua responsabilidade, o que compete à instituição escolar e o que compete à família, isso se torna um valor pessoal internalizado e vai pautar a vida adulta daquela pessoa”. Fernanda conclui que, para além dos resultados a curto prazo, esse envolvimento da família e da escola fortalece naturalmente a relação que a criança desenvolverá com o saber, proporcionando impactos culturais e sociais em seu futuro.

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