Por que a volta às aulas presenciais é tão importante para as crianças?

Escola da Vila

08 de fevereiro de 2021 | 08h54

2020 foi um ano de muitos desafios. O mundo todo foi convidado, de forma repentina, a mudar uma série de hábitos, a se distanciar de pessoas queridas e a repensar boa parte das lógicas presentes em nossa sociedade.

Para as escolas, ainda que não de forma exclusiva, esse processo foi particularmente difícil. As aulas presenciais foram suspensas e durante meses não se sabia por quanto tempo seria necessário permanecer longe dos espaços físicos – fundamentais para as vivências proporcionadas na Escola da Vila.

Além de todas as dúvidas e angústias que surgiram, muitas das práticas e estratégias pedagógicas da Vila tiveram que ser alteradas e adaptadas, para ganharem novos sentidos nos meios digitais. O fato da Vila já ter, há anos, um robusto ambiente virtual de aprendizagem ajudou muito, mas todos foram pegos de surpresa quando percebeu-se que seria necessário oferecer aulas unicamente a distância.

Diversas soluções foram inventadas para dar conta de suprir as necessidades relacionadas ao processo de desenvolvimento das alunas e alunos. No entanto, é inegável que o distanciamento social restringiu enormemente o convívio escolar, tão importante para que a troca entre pares aconteça.

Para as crianças, esse desafio foi ainda maior. As telas privaram os pequenos de muitas situações que faziam parte do cotidiano na escola: o ato de brincar com o outro, o compartilhamento de experiências e aprendizados, a cumplicidade entre colegas, os conflitos gerados pela convivência e até mesmo os pequenos impasses diários, relativos a disputas e desentendimentos entre os iguais.

Na Vila, todos os espaços são organizados com muito carinho, pensados para que as crianças sejam continuamente convidadas a interagir e se posicionar, seja diante de seus colegas ou das professoras e professores, adultos sempre muito bem preparados para escutar e acolher com afeto.

O contato com a diversidade e com aquilo que não lhe é familiar, seja no âmbito do convívio ou da cultura em geral, é indispensável para o desenvolvimento infantil. O crescimento pessoal de cada criança vem, essencialmente, do experimentar o novo, do despertar da curiosidade, da vontade de conhecer, de errar, tentar de novo e de novo… E isso tudo é potencializado pela presença do outro.

O espaço físico da escola colabora não só para a descoberta de múltiplas formas de se expressar, pois expõe as crianças às diferentes linguagens existentes, como também permite o desenvolvimento dos sentidos. Brincar com a água, sentir a textura da areia, ouvir os pássaros, observar as plantas e dançar ao ar livre, por exemplo, são atividades que fazem parte do dia a dia das crianças na Vila.

Com a volta das atividades presenciais nas escolas, surgiram também novos questionamentos. Como acolher sem abraçar? Como brincar evitando o contato físico? Como dividir os espaços de maneira segura? Como fazer as crianças compreenderem os novos cuidados necessários?

A grande diferença para o começo deste ano, contudo, foi que houve tempo de se preparar. Se em março todos foram pegos de surpresa pela pandemia, desta vez era sabido que seria preciso colocar em prática uma série de alterações de acordo com o novo contexto.

Fernanda Flores, diretora geral da Escola da Vila, conta que o processo de preparação e de readequação dos ambientes da escola foi feito com muito cuidado. Além das adequações estruturais realizadas e do estabelecimento de novos protocolos de convivência, todos os profissionais que trabalham na Vila foram preparados para lidar com a situação da melhor forma possível.

Para reabrir as portas em outubro, mesmo que parcialmente, a Vila contou com a rigorosa Consultoria do Sírio-Libanês, que por meio de estudos e orientações técnicas ajudou a repensar cada cantinho das três unidades da escola. Os espaços amplos e as diversas áreas externas garantem a boa distribuição de estudantes, evitando aglomerações e possibilitando os distanciamentos mínimos necessários.

A troca de experiências com outras escolas do grupo Bahema Educação por meio do Centro de Formação da Vila também foi muito importante, uma vez que possibilitou o compartilhamento de erros e acertos entre 8 diferentes escolas. Enquanto instituição de ensino, também se aprende o tempo todo com os pares.

A boa formação da equipe da Vila dá a segurança de que todos possuem clareza sobre como receber os alunos e alunas, afirma a diretora. Fernanda conta também que, com o tempo, as próprias crianças foram aprendendo e incorporando as novas dinâmicas de convivência dos espaços. Aos poucos, elas passaram a organizar e limpar os ambientes, bem como cuidar mutuamente uma das outras.

Esse tipo de aprendizado, que só o contato presencial permite, também ajuda enormemente os pequenos a compreenderem o momento pelo qual estamos passando. A experiência de recebê-los ano passado trouxe para a escola a convicção de que é possível ocupar novamente as salas de aula com segurança. Ver a alegria das crianças ao voltar para a escola só reforçou essa certeza.

Em 2021, a Vila continuará combinando momentos de aula presencial com aulas a distância, sabendo que nada supera o encontro na escola, mas respeitando seus atuais limites possíveis. A escola e sua equipe estão de portas abertas para todas as famílias que desejarem conhecer nossos novos arranjos físicos. É só agendar uma visita. Venha fazer parte da Vila!

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