Organizar a rotina é fundamental para conciliar home office e estudo das crianças

Organizar a rotina é fundamental para conciliar home office e estudo das crianças

Escola da Vila

05 de agosto de 2020 | 17h21

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Delimitar os espaços e os períodos de trabalho e de lazer da família, planejar as atividades e manter diálogo constante favorecem a convivência harmoniosa na quarentena.

Entre as adaptações enfrentadas pelas famílias em isolamento social, conciliar o home office com o cuidado das crianças e dos adolescentes talvez seja um dos maiores desafios. Com a retomada das atividades escolares virtuais em agosto, os adultos tiveram de se readaptar para garantir que os alunos e as alunas continuassem aprendendo em meio ao convívio familiar. Pensando nisso, Vera Maria Barreira, orientadora educacional e coordenadora do Ensino Fundamental II da Escola da Vila, reuniu algumas dicas para estipular uma rotina mais produtiva, saudável e harmoniosa no segundo semestre.

A primeira coisa a fazer, segundo ela, é organizar os espaços de trabalho dos adultos responsáveis, o espaço dos estudantes e os ambientes da família. “Mesmo que não se tenha um cômodo específico ou escritório para cada um, é importante delimitar esses locais, que podem ser um canto ou mesmo uma mesa.”

A divisão de horários também é fundamental. A orientadora recomenda definir três momentos distintos: o das atividades em comum, como as refeições que, preferencialmente, todos devem fazer juntos; os períodos em que os adultos estão trabalhando e os filhos e as filhas estão fazendo as atividades escolares; e os momentos de lazer e de brincar livremente.

No caso das crianças com menos de 12 anos, a sugestão é elaborar uma rotina por escrito, de modo a antecipar para ela o que vai acontecer. Para as que ainda não sabem ler, podem ser feitos desenhos ou coladas fotos e ilustrações para que entendam e acompanhem o que está acontecendo.

Nos horários em que pais e mães estão focados no home office e não podem ser interrompidos, como durante uma reunião online, eles podem combinar um sinal para comunicar isso para as crianças, como uma plaquinha ou um lenço amarrado na porta. Também é recomendável organizar com antecedência atividades para entreter os jovens nesses períodos. Uma dica simples é empurrar os móveis e jogar um lençol por cima deles para montar uma cabana. Ou disponibilizar algumas caixas grandes de papelão para a brincadeira. Ao se anteciparem para esses momentos, em que não poderão dar atenção aos filhos e filhas, os adultos evitam que fiquem restritas ao celular ou à televisão.

Essa antecipação ajuda na organização da rotina, principalmente quando os alunos e alunas mais novos precisam de apoio durante as aulas online. Se acontecer de haver uma reunião de trabalho no mesmo horário da atividade escolar, é possível deixar tudo preparado para a criança conseguir entrar no ambiente virtual sozinha, apenas clicando num botão, por exemplo, ou então já definir previamente que não dará para ela participar daquela aula.

Embora os filhos e filhas mais novos demandem mais da família, também é importante acompanhar os adolescentes, reservando um momento do dia para conversar com eles — por exemplo, durante as refeições — e saber como estão. “Nessa idade, eles costumam se isolar um pouco e, muitas vezes, estão no quarto sozinhos, e pais e mães não têm certeza se estão bem, se estão fazendo algum atividade, falando com os amigos ou se estão chateados”, observa Vera.

Nesse diálogo com os jovens, ela orienta que os responsáveis não façam apenas perguntas, mas também contem um pouco como foi o seu próprio dia e como estão se sentindo para propiciar uma troca. “Em vez de um interrogatório, os adultos podem trazer um pouco dos seus sentimentos — se estão cansados da quarentena ou com saudades dos amigos — para que os filhos e filhas também se sintam à vontade e tragam os seus”, finaliza a orientadora.

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