Investigação científica na Vila segue durante a quarentena   

Investigação científica na Vila segue durante a quarentena   

Escola da Vila

19 de maio de 2020 | 15h11

No estudo sobre as estações do ano, alunos trocaram ideias e formularam hipóteses por meio de fóruns virtuais; construção de um geódromo caseiro possibilitou testes e conclusões

Na Escola da Vila, as aulas de ciências acontecem a partir de uma perspectiva investigativa, em que a ideia é se aproximar do processo de construção do conhecimento científico. Isso significa que a construção do conhecimento está relacionada à formulação de hipóteses, testes, observação de resultados e organização das informações para se chegar a uma conclusão. Mesmo durante a quarentena, a escola tem conseguido trabalhar assim, como ocorreu no estudo dos 6ºs anos sobre as estações do ano, feito inteiramente a distância.

“Esse tema contempla dois aspectos muito importantes da investigação científica, a elaboração e o teste de hipóteses. Para isso, fizemos um esforço grande para manter as principais propostas, mesmo com os professores distantes fisicamente dos estudantes nesse momento”, diz Ana Carolina de Oliveira Luna, professora de ciências naturais dos 6ºs anos, na unidade Butantã.

Ela explica que, sobre esse assunto, as estações do ano, os alunos costumam ter muitas informações. Eles sabem, por exemplo, que o inverno é frio e mais seco, que o verão é quente e chuvoso, e que quando é inverno no Brasil é verão em países mais ao Norte e vice-versa. “Os estudantes também têm hipóteses para explicar como acontecem as estações do ano, e é comum que as informações que têm e as hipóteses pessoais sejam muitas vezes contraditórias, e eles não se deem conta disso sozinhos.”

O processo de trabalho investigativo, segundo a professora, também prevê oferecer ferramentas para ajudar alunos e alunas a pensarem e a organizarem as ideias para construir o conhecimento. Uma dessas ferramentas são validação e apresentação de novas informações — por exemplo, o fato de existir duas estações no ano simultaneamente, uma no Hemisfério Norte e outra no Hemisfério Sul. Elas vão se contrapor ou colaborar para que uma determinada hipótese se fortaleça ou deixe de fazer sentido.

Outro instrumento importante na trajetória investigativa é a possibilidade dos estudantes interagirem entre si para trocar percepções. Eles discutem em pequenos grupos e depois compartilham impressões com outros colegas. “Durante a quarentena, ao longo de três semanas, usamos o fórum do ambiente virtual de aprendizagem (AVA) para isso. Os grupos discutiram as hipóteses que apareciam e, paralelamente, iam recebendo novas informações e lendo textos para defender ou refutar ideias e refinar a discussão”, relata Ana Carolina.

Para testar as hipóteses que tiveram maior consenso, a proposta era que os alunos e alunas usassem um geódromo, modelo que permite a simulação do movimento de translação da Terra e a observação das consequências desse movimento considerando também a inclinação do eixo de rotação do planeta em torno do Sol. Normalmente, eles utilizam esse instrumento coletivamente no laboratório da escola e também nas aulas. “Em casa, a distância, pensamos na possibilidade de propor a construção de um geódromo, com o material que eles tivessem disponível”, conta a professora.

Ela então explicou a ideia para os estudantes, mostrou como construiu o seu geódromo, e cada um fez o seu usando diferentes materiais. A educadora avalia positivamente a experiência, pois conseguiu manter a proposta investigativa, e os alunos testaram hipóteses e chegaram a explicações que faziam sentido e conseguiram apresentar suas conclusões usando o modelo.

“A construção do geódromo mobilizou os alunos e proporcionou um vínculo maior com o estudo a distância. Nos encontros online, eles pegavam o geódromo para demonstrar o que estavam falando, e essa é a principal função do modelo. Considero que os resultados foram muito interessantes e criativos e, de fato, nos possibilitou boas discussões”, finaliza a professora.

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