Cuidado com o bem-estar emocional dos alunos e alunas é foco de várias ações da Vila

Cuidado com o bem-estar emocional dos alunos e alunas é foco de várias ações da Vila

Escola da Vila

02 de setembro de 2020 | 12h10

Durante a quarentena, escola intensifica canais de escuta e contato com estudantes e pessoas do seu entorno; formação de grupos tem objetivo de apoiar estudos e fortalecer laços afetivos.

Os impactos do isolamento social e da pandemia do novo coronavírus têm afetado de maneira diversa as pessoas das diferentes faixas etárias. Os adolescentes e jovens estão entre os grupos mais atingidos, pois, nessa fase, normalmente, eles gostariam de vivenciar sua adolescência com liberdade e autonomia, com a possibilidade de sair sozinhos com os amigos e estar, de certo modo, longe das famílias para construir sua identidade e crescer. “Mas, de repente, aconteceu o contrário. Eles estão trancados em casa e privados desse convívio. Tudo foi abortado, como se a vida tivesse sido suspensa”, diz Susane Lancman, diretora pedagógica do Ensino Médio da Escola da Vila.

Para zelar pelo bem-estar emocional desses alunos e alunas, a Vila vem promovendo uma série de cuidados e iniciativas. Um deles envolve a escuta e um olhar mais atento a quem está no entorno desses adolescentes — as famílias e os professores. Para isso, a escola tem feito mais reuniões do que de costume com os adultos responsáveis e educadores, para estar mais próxima e ter esse acompanhamento.

O contato e as conversas com os estudantes também se intensificaram. “Quando vamos atender um aluno ou aluna, perguntamos, sempre com muita delicadeza, não só sobre as lições e as aulas, mas como ele ou ela está, como vai a família, quem está cozinhando ou fazendo a limpeza da casa. A intenção não é falar o que ele ou ela precisa fazer, mas olhar para a sua necessidade naquele momento”, conta a diretora

Uma das ações nesse sentido foi abrir diariamente uma sala virtual, que fica disponível durante toda a manhã, com rodízio da equipe gestora do Ensino Médio. “Eles podem entrar a qualquer momento para conversar sobre o que quiserem — desde falar sobre faculdades e profissões, comentar algo sobre a rotina em casa ou até mesmo para apenas dizer que estão com saudade.”

Além disso, os plantões dos professores de cada disciplina também são um espaço para os estudantes falarem sobre o que estão pensando, sentindo e vivendo. “Não é só para trazer as dúvidas daquela matéria. Eles podem bater um papo assim como faziam na mesa da cantina do ensino médio. Nesses momentos, a maioria deixa a câmera aberta, o que facilita ter mais intimidade e reforçar os vínculos e até mesmo criar esses laços com alunos e alunas mais novos.”

Alguns ajustes curriculares também foram feitos considerando quais conteúdos poderiam fazer mais sentido nesse momento. No 2º ano do EM, em química, por exemplo, os jovens costumavam aprender sobre mol no contexto de um trabalho de campo realizado na praia. Sem a realização dessa viagem, o currículo foi modificado e esse tema foi substituído por outro que tinha mais possibilidade de acontecer no formato remoto.

Susane afirma que outra atividade que tem ajudado os estudantes é a produção de texto. As crônicas, normalmente trabalhadas em salas do 1º ano do EM, agora tiveram como temática a questão da pandemia. E, a partir de uma reflexão sobre abrir ou não a câmera nas aulas síncronas, os alunos e alunas também escreveram crônicas, poesias ou textos argumentativos sobre o assunto.

Desde o início da pandemia, a escola montou grupos de jovens em cada disciplina, que têm horários para se reunirem e realizar os trabalhos, para que pudessem atravessar esse período juntos e se apoiando mutuamente, não só em relação aos estudos, mas também emocionalmente. Foram mantidas ainda, no modo virtual, atividades formativas que a escola costumava realizar, como festival de poesia, sarau, festa junina e discussões sobre democracia e racismo. “Todas essas ações são como redes de proteção e formas de cuidado, não só do aspecto cognitivo desses alunos e alunas, mas deles de maneira global, como estudantes, filhos ou filhas, jovens, colegas, cidadãs e cidadãos”, finaliza a diretora.


Vale a pena a leitura de algumas crônicas dos nossos alunos e alunas do 1º ano do Ensino Médio.

Cyclamens, Bem-te-vis, Bernardos e Juremas, por Marina Zilles

Lembranças de quarentena, por Miguel Reis

Da escola para a casa, por Alana Rubia de Araújo Leite Vaz

, por Teresa Lisboa

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