Alfabetização em tempos de pandemia: o que mudou?

Alfabetização em tempos de pandemia: o que mudou?

Escola da Vila

03 de fevereiro de 2021 | 16h05

Entre os tantos desafios colocados pela pandemia à formação educacional, a alfabetização é certamente uma das maiores preocupações das famílias e das escolas. Se esse sempre foi um dos temas mais importantes da educação básica, as aulas remotas e o distanciamento social tornaram a questão ainda mais complexa.

A alfabetização é um processo longo, contínuo e que não possui início em um determinado momento específico, igual para todas as crianças. Mesmo que a passagem da Educação Infantil para o Ensino Fundamental seja um marco significativo nesse sentido, as crianças começam a se alfabetizar logo cedo, quando passam a perceber o mundo e a querer entender tudo aquilo que está à sua volta.

São muitas as situações cotidianas que despertam o interesse dos pequenos em descobrir e exercitar diferentes formas de se expressar por meio da linguagens, dentre as quais a escrita e a leitura são algumas das mais fascinantes – e, claro, indispensáveis em nossa sociedade.

Miruna Kayano, coordenadora do Ensino Fundamental I da Escola Vila, conta que a literatura é um dos pilares fundamentais no processo de alfabetização da Vila, por meio do qual as crianças são introduzidas à cultura escrita. Muito do trabalho que é desenvolvido ao longo dos primeiros anos do Ensino Fundamental vem de aspectos já introduzidos anteriormente, na Educação Infantil.

Alfabetizar não significa apenas ensinar os alunos e alunas a ler e escrever corretamente, mas também ajudá-los a construir significados e ganhar fluência na comunicação escrita. Para que o desenvolvimento dessas habilidades seja pleno, é primordial que haja um equilíbrio entre introduzir novas referências e aprofundar-se naquelas já dominadas pelas crianças.

As rodas de leitura sempre fizeram parte do cotidiano escolar da Vila. Sentar junto para ler, ouvir e compartilhar histórias sempre foi uma forma de instigar os estudantes a se interessar pelo universo literário. Além de ser um dos motores da alfabetização, ajudando na construção de uma série de noções e significados sociais comuns, o contato com a literatura desenvolve imaginação e criatividade, aguçando a sensibilidade das crianças.

No início de 2020, com o fechamento temporário dos espaços escolares, muitas dúvidas e questionamentos surgiram sobre como dar continuidade às práticas pedagógicas adotadas pela Vila. Miruna conta também que, depois de um período inicial dedicado ao acolhimento e à compreensão do contexto em que cada aluna e aluno estava inserido, os professores e professoras passam a estruturar e propor novas dinâmicas de leitura e escrita a distância.

Entre elas, a leitura de pequenos textos, frases ou mesmo palavras em voz alta, seja durante uma aula online, seja a partir do envio de vídeos gravados pelas famílias. Já para atividades relacionadas à escrita, os estudantes foram divididos em grupos bem menores do que o costume, possibilitando interações mais próximas e diretas com as professoras e os demais colegas – dimensão em que se teve maior perda no ensino à distância.

Em todos os casos, tentou-se aproveitar ao máximo as situações cotidianas que estavam sendo vividas pelas crianças, para que elas enxergassem, de forma ainda mais explícita, o sentido dos aprendizados construídos coletivamente em aula. Uma simples lista de supermercado, por exemplo, tornou-se um intrigante objeto de estudo, em que os alunos e alunas se viam, ao mesmo tempo, convidados a compartilhar suas rotinas e desafiados em termos linguísticos.

O ato de alfabetizar sempre implicou na necessidade de constantes adaptações e mudanças de estratégias pedagógicas, tanto por conta das condições individuais de cada criança, quanto por questões específicas de cada turma. Os desafios colocados pela pandemia foram, sem dúvidas, muito grandes, pois o mundo todo foi pego de surpresa. No entanto, com o passar do meses, novas soluções que atendessem às atuais necessidades foram sendo testadas e aprimoradas pela equipe da Vila.

Agora, para o início do ano letivo de 2021 (que ainda será organizado de forma híbrida, combinando momentos presenciais com encontros remotos), o grande ganho foi a possibilidade de se preparar e organizar novos planos de atividades. Segundo Miruna, já foi possível identificar certos padrões e entender quais metodologias funcionam e quais não funcionam neste novo cenário de formação e alfabetização escolar.

2020 não foi um ano perdido e este ano certamente também não será. Isso porque, não só as aprendizagens e a alfabetização consistem em processos contínuos, que nunca são completamente interrompidos, como também porque a Escola da Vila está segura em conhecer novas soluções pedagógicas que garantem o desenvolvimento dos alunos e alunas nas condições do presente.

Venha conhecer a Vila e fazer parte de nossa comunidade escolar!

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