Não há um planeta B

Não há um planeta B

Escola da Vila

02 de junho de 2021 | 10h05

Para ver mais fotos, clique na tag: #FotoVilaPeloClima

Por Mateus Moreira, professor de Biologia do Ensino Médio da Escola da Vila e responsável pelo SustentaVila

Em recente carta aberta à juventude e para as organizações jovens no Brasil, Denise Hamú, representante do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) analisa a oportunidade que a Covid-19 nos dá para fazer um balanço dos riscos que estamos assumindo em nosso relacionamento insustentável com o planeta e a oportunidade que temos de reconstruir nossos modos de vida de maneira ambientalmente responsável. Na carta, Denise ressalta a importância dos jovens nesse processo: Em face desta pandemia, reconhecemos o potencial criativo e o impulso dinâmico que a juventude tem na capacidade de reimaginar nosso mundo e transformá-lo para melhor. Ao celebrarmos o Dia Internacional da Juventude com a temática de Engajamento Jovem para Ação Global, uma vez mais reconhecemos, enquanto instituição, o papel da movimentação jovem na concretização das mudanças necessárias no presente, para que se assegure o futuro.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, também falou sobre o papel dos jovens no enfrentamento da crise climática, durante entrevista coletiva de imprensa na abertura da 75ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Em uma mensagem de humildade e esperança, Guterres assumiu que sua geração não foi capaz até agora de enfrentar com eficácia os problemas das mudanças climáticas. Entretanto, apontou com esperança sua expectativa para que a juventude consiga assumir a liderança necessária para reunir todas e todos a fim de pressionar as suas sociedades e os seus governos, para que o mundo se una na derrota da pandemia, na discussão da mudança climática, da ameaça nuclear e no uso das novas tecnologias, sempre na expectativa de criação de um novo contrato social para restabelecer a confiança entre os povos e as organizações internacionais e governos.

Nesse contexto, surgem diversas iniciativas mundo afora protagonizadas por jovens que buscam um planeta mais justo, equitativo e saudável. Ações individuais, como da adolescente sueca Greta Thunberg, ou coletivas, como os diferentes grupos genericamente denominados “Jovens pelo Clima”. Em 2019, na Escola da Vila, um grupo de estudantes começou a se organizar. Em 2020, em meio à pandemia de Covid-19 e incomodados com questões ambientais, como as queimadas na Amazônia e no Pantanal, o grupo ganhou força. Nasceu, então, o Vila pelo Clima, com o propósito de discutir temas relacionados à sustentabilidade, valorizar a diversidade, dar visibilidade a notícias e potencializar discussões.

Pouco mais de um ano depois e de diversas ações, é incrível ver o engajamento dos alunos e das alunas diante de um tema atual e relevante para a sociedade. Luana Turano, aluna do 3º ano do Ensino Médio, relatou: Durante a quarentena, eu estava procurando alguma coisa que fizesse sentido para mim. Discutir sobre meio ambiente, mudanças climáticas, sustentabilidade e veganismo foi o motor que me motivou a fazer coisas fantásticas em uma época tão difícil. A criação de um Instagram foi animador. Alimentá-lo com posts, fotos e notícias, mais ainda. As lives que produzimos foram incríveis, nelas encontramos discussões ricas e conteúdo particularmente indispensável para os dias atuais. Tivemos a oportunidade de entrevistar pessoas que acrescentaram enormemente no nosso repertório. Sem falar nas diversas habilidades que pude desenvolver, como apresentar uma live, usar editores de imagem, me comunicar nas redes sociais com o público. Além disso, o Vila pelo Clima foi definitivo para mudanças no meu cotidiano: parei de comer carne vermelha e passei a consumir produtos, como roupas e cosméticos, provenientes de uma cadeia produtiva sustentável. Toda essa experiência foi essencial para o processo de escolha da minha profissão. Descobri a paixão por ativismo ambiental e decidi que quero trabalhar com Economia Ecológica.

Os jovens anseiam impactar positivamente a realidade. Creio que todos nós nos sentimos impotentes frente às catástrofes da conjuntura global, seja no que tange ao clima, à democracia, à fome, etc. É difícil pensar em formas efetivas de fazer a diferença, ainda mais quando muitos daqueles que estão ao seu redor não necessariamente estão cientes de que é preciso fazer a diferença. Por isso me senti realizado ao participar do Vila pelo Clima e promover discussões que podem alcançar muitas pessoas. Se queremos avançar como sociedade, um ótimo começo é conscientizar aqueles ao nosso redor, e creio que aí reside o grande potencial. Ao promover um debate franco sobre essa questão na nossa comunidade escolar, plantamos sementes para que um dia essa problemática possa ser mais profundamente debatida e levada a sério, afirma João Pedro Carreira Behrend, estudante do 3º ano do Ensino Médio.

Precisamos estar atentos à crise climática e aos movimentos jovens. Estes parecem ter a plasticidade para mudar hábitos que não fazem mais sentido, mas que estão arraigados na sociedade. Denise Hamú em sua carta ressalta ainda que a força da juventude está em sua inquietação e insatisfação, em seu potencial de parar o mundo. A falta de experiência permite que vejam as questões antigas com novos olhos e proponham soluções jamais pensadas. Energia, conectividade e resiliência são ingredientes que os tornam únicos, uma geração com potencial de reconstruir melhor e, por meio de sua luta, garantir maior equilíbrio para um mundo, onde um ambiente saudável seja um direito fundamental.


Educação socioambiental, desenvolvimento sustentável desde a sala de aula. Baixe o ebook para saber mais sobre projetos de educação socioambiental na Vila.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.