Seis professores que acreditam em seus alunos
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Seis professores que acreditam em seus alunos

Educadores contam por que tiveram e têm esperança em seus alunos e, sobretudo, na Educação

Todos Pela Educação

09 de agosto de 2017 | 10h10

Por Denise Crescêncio, do Todos Pela Educação

Segundo levantamento do Todos Pela Educação, com base nos dados da Prova Brasil 2015, apenas 50% dos educadores de escolas com nível socioeconômico (NSE) muito baixo acreditam que seus alunos conseguirão concluir o Ensino Médio. A credibilidade depositada nos estudantes sobe conforme os níveis socioeconômicos aumentam. Nas escolas com NSE baixo, médio-baixo e médio-alto, cerca de 60% professores têm esperança em seus alunos. Ter esperança nos alunos passa por uma formação adequada para lidar com os desafios de infraestrutura, didática e situação socioeconômica dos estudantes,  assunto contemplado nas estratégias da Meta 15 do Plano Nacional da Educação (PNE).

Acreditar na capacidade dos estudantes, apesar das adversidades vividas dentro e fora da escola, é essencial para transformar o ensino e mudar a realidade deles e do seu entorno. Diante disso, seis professores contam por que tiveram e têm esperança em seus alunos e, sobretudo, na Educação.

1 – PORQUE UM DIA ACREDITARAM EM MIM

“Acredito nos alunos porque foi basicamente o que aconteceu comigo. A minha realidade e a de meus alunos são muito parecidas. A escola onde leciono, por exemplo, está localizada em uma área próxima ao bairro Parada de Lucas (RJ), local onde há muito confronto entre policiais e traficantes. O entorno do colégio é dominado por milicianos, isso prejudica a frequência dos estudantes nas aulas. Eu vim de uma realidade parecida, de uma família muito pobre e se não tivessem acreditado em mim, eu não teria chegado até aqui. Faço questão de retribuir isso me dedicando aos meus alunos, pois sei de suas vivências e dessas histórias cruéis que vivem. É meu papel e minha missão como educadora tirar o melhor do que cada ser humano tem.”

Alexandra Volker, 37, é professora de inglês na rede estadual do Rio de Janeiro há oito anos. Leciona para o Ensino Médio no Colégio Estadual Professor José de Souza Marques – Rio de Janeiro (RJ)


2 – PORQUE MELHORA A AUTOESTIMA DOS ALUNOS

“Sou professora em um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Meus alunos são do campo, vivem da terra e enfrentam muitas dificuldades. Muitos deles vêm de escolas itinerantes, percorrem vários lugares até conseguirem um pedacinho de terra para chamar de seu. Eles gostam da escola e veem nela sua segunda casa. Com o ensino, eu procuro trabalhar a autoestima desses alunos. Meu objetivo é vencer a resistência deles em achar que não são capazes, mostrando quão importante é acreditar no próprio futuro para que se sintam preparados para alcançar o que quiserem.”

Flávia Casa Grande, 39, é professora de língua portuguesa na rede estadual do Paraná há quinze anos. Leciona para o Ensino Fundamental II na Escola Estadual do Campo José Martí  Jardim Alegre (PR)


3 – PORQUE MUDA A RELAÇÃO DO ALUNO COM O CONHECIMENTO

“Acreditar é uma injeção de ânimo diária e eu me inspiro muito nos meus estudantes. No dia a dia da escola, eu olho nos olhos de meus alunos e vejo que eles querem aprender e participar das ciências, mas eles têm dúvidas. Ao longo da carreira, eu fui descobrindo que me aproximar mais deles facilitaria o processo, então venho investindo nessa proximidade com todas as minhas turmas. Gosto de trabalhar com eles as atividades práticas, fazer experimentos para incentivá-los a pesquisar. É preciso crer na mudança que a Educação pode proporcionar na vida deles.”

Ayanda Ferreira, 40, é professora de estudo orientado em ciência na rede estadual de Goiás há 18 anos. Leciona para o Ensino Fundamental II e Médio no Colégio Estadual Dom Veloso – Itumbiara (GO)


4 – PORQUE FOMENTA O PROTAGONISMO ESTUDANTIL

“Não acreditar nos meus alunos seria uma contradição que tornaria o meu trabalho completamente sem sentido. O conhecimento é uma construção coletiva que só é possível por meio da relação entre professor e aluno. Meus estudantes são uma nova geração em termos de atitudes e ideias – eles são ricos culturalmente, perspicazes em criticar o mundo e a realidade que os cerca e eu tento valorizar isso. Com um projeto fotográfico que realizei na escola, alguns de meus estudantes recuperaram a autoestima e a identidade. Eles também são políticos e ocupadores do espaço público, responsáveis por uma das maiores greves da história da Educação no Rio de Janeiro. Os meus alunos são meus companheiros de fé em mim e na luta que é viver.”

Thiago Santos, 31, é professor de história na rede estadual do Rio de Janeiro há sete anos. Leciona para o Ensino Médio na Escola Estadual Rubens Farrula – São João de Meriti (RJ)


5 – PORQUE DESPERTA TALENTOS

“Tive sorte de ter grandes professores que acreditaram no meu progresso. Se nós queremos que a Educação melhore, se queremos um País modelo, precisamos lutar. A Educação desperta talentos, ela estimula a participação e a atuação dos estudantes. É preciso investir nos alunos para termos um bom retorno, tanto na parte didática quanto na emocional. Escolhi acreditar fazendo um bom trabalho no magistério.”

Hercílio Cordova, 32, é professor de física na rede estadual do Rio de Janeiro há três anos. Leciona para o Ensino Médio no Colégio Estadual Professor José de Souza Marques – Rio de Janeiro (RJ)


6 – PORQUE A EDUCAÇÃO É UM DIREITO DE TODOS

“Todos nós temos nossas limitações, não apenas as pessoas com deficiência. Eu acredito que todos podem aprender e viver de forma igualitária, mas, muitas vezes, falta oportunidade. Infelizmente, a verdadeira inclusão caminha a passos lentos. É preciso sensibilizar as pessoas para essa questão e exigir que as instituições de Educação Superior capacitem os professores. Os desafios de promover a interação social dos alunos da Educação Inclusiva só me fortalecem.”

Elisângela Felix Santana, 39, é pedagoga especializada em Educação Especial na rede municipal de Recife há seis anos. Trabalha com a inclusão (atividades lúdicas, exercícios de coordenação motora e expressão corporal) de alunos com deficiência do Ensino Fundamental II na sala de recursos multifuncionais da Escola Municipal Antônio Heraclio do Rego Recife (PE)

 

 

 

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