Quais são as competências da professora alfabetizadora?
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Quais são as competências da professora alfabetizadora?

Todos Pela Educação

03 de janeiro de 2019 | 08h00

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Por Instituto Avisa Lá

Os resultados da Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA) de 2016, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram que a rede pública não consegue alfabetizar grande parte das crianças até os 8 anos de idade. Em leitura, 70% das crianças do Norte e 69% do Nordeste tiveram níveis insuficientes. No Centro-Oeste mais de 50% estavam nessa situação. Em relação à escrita, no Norte e Nordeste, mais de 50% das crianças dos terceiros anos não atingiram a proficiência mínima necessária.

Todos esses dados desafiadores nos levam a uma pergunta: é realmente possível alfabetizar todos os alunos nos Anos Iniciais nas escolas públicas do Brasil? Sim! Desde que as professoras possam desenvolver competências profissionais – muitas vezes não adquiridas na formação inicial -, por meio da formação continuada focada em didáticas de leitura e escrita. Não sabe que competências são essas? Nós te contamos! São cinco:

 

1- Reconhecer que as crianças chegam à escola com conhecimentos diferentes em relação à cultura escrita

O contato desde cedo com situações da vida cotidiana em que ler e escrever tem seu espaço diário é de grande ajuda para se alfabetizar. Compreender as diferentes fases de cada aluno em relação à cultura escrita e planejar atividades customizadas farão com que todos possam avançar. Saber observar e ouvir as crianças de forma intencional é o único modo de compreender o que sabem, e a partir daí, ajudá-las a se desenvolver, a aprender e a interagir.

2- Aprender e desenvolver didáticas específicas para alfabetizar

Várias pesquisas na área retomam a importância da didática como um dos pilares do saber profissional. Uma professora com uma didática eficiente depende de um esforço pessoal para refletir sobre a sua prática de alfabetização, da busca de apoio técnico e formação continuada. Também, a gestão da aprendizagem dos diretores/coordenadores escolares e equipes técnicas são indispensáveis para apoiar os educadores.

3- Refletir sobre a prática, extrair conhecimento e documentar

A professora que analisa sua prática busca extrair novos conhecimentos acerca dos processos de ensino e aprendizagem nos quais está envolvida junto com seus alunos. Esta ação profissional requer tempo, pois é um processo de apropriação.

Para tornar essa competência efetiva há que se investir no registro profissional, planejamentos, além de toda a produção das crianças – escritas convencionais ou não. Documentar é preciso para repensar a prática e aprender com a experiência.

4- Propor atividades que façam sentido para os alunos

Possibilitar a construção de sentidos por meio de um ensino que traz para a escola práticas sociais de leitura e escrita é uma das competências da professora contemporânea. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) preconiza a centralidade do texto como unidade de trabalho.

Já na Educação Infantil as crianças devem participar de atividades de leitura e de escrita, mesmo antes de escreverem ou lerem convencionalmente, tendo a docente como mediadora. Dessa forma, desenvolver práticas sociais nas quais a linguagem escrita seja fundamental às interações e às estratégias interpretativas dos pequenos fará toda a diferença na alfabetização.

5- Trabalhar em equipe

Saber trabalhar em equipe e refletir com os pares é imprescindível. As práticas cada vez mais diversificadas das linguagens, a busca por maior expressividade e autonomia dos alunos e, ao mesmo tempo, a necessidade de assegurar a boa convivência no ambiente escolar por meio de atitudes e valores comuns é desafio para a professora alfabetizadora. Na mesma linha, o trabalho com as famílias para que elas sejam ouvidas em suas dúvidas em relação à alfabetização dos filhos e trazer suas contribuições contribuirá para o sucesso da alfabetização inicial.

 

[NOTA] Professora alfabetizadora: Denominamos no feminino porque  há uma maioria de mulheres como professoras alfabetizadoras

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