Pelo direito de aprendizagem do professor
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Pelo direito de aprendizagem do professor

"A formação inicial precisa investir na preparação do docente para a prática da sala de aula", afirma a Comunidade Educativa CEDAC

Todos Pela Educação

29 Novembro 2018 | 11h35

Para transformar a Educação Básica, é preciso repensarmos a formação inicial dos professores. Não há como falar em direito de aprendizagem sem abordar as condições que precisam ser asseguradas ao profissional a quem atribuímos a missão de promover esse direito a todas as crianças, adolescentes, jovens e adultos.

Abaixo, listamos 4 pontos que consideramos cruciais para que os cursos superiores de Pedagogia e Licenciaturas possam contribuir mais com a formação dos professores e para a sua atuação profissional:

1) Maior vinculação entre as práticas das didáticas e fundamentos teóricos
Diversas pesquisas indicam que a maioria dos cursos de formação inicial no Brasil, tanto para Pedagogia como para Licenciaturas de áreas específicas, não estão voltados para a qualificação do professor com foco nos desafios da prática em sala de aula, dando muita ênfase a por quê ensinar e pouca importância a o quê e como ensinar. O ensino das filosofias, das histórias, do pensamento dos grandes teóricos da Educação é essencial para fortalecer no futuro professor a capacidade crítica e reflexiva e a consciência política do seu papel. No entanto, é importante que esses conhecimentos estejam articulados com as práticas didáticas desde o início da formação, para que os futuros docentes possam também compreender as intencionalidades que estão presentes nas metodologias.

2) Revisão do estágio supervisionado
Uma boa estratégia para promover a articulação entre a prática e seus fundamentos teóricos seria o estágio supervisionado que, embora esteja previsto formalmente nos cursos de Pedagogia, não é utilizado como instrumento efetivo durante a formação universitária.

Bernardete Gatti, especialista nesse assunto, no seu estudo “Formação Inicial de Professores no Brasil: Resultados de Investigação” afirma que a maior parte dos estágios envolve apenas atividades de observação – “constam nas propostas curriculares de modo vago, sem planejamento, sem vinculação clara com os sistemas escolares, e sem explicitar as formas de sua supervisão”.

O estágio precisa acontecer de maneira dialógica entre os envolvidos: escola, universidade e futuro professor. O professor em formação precisa ir para a escola na qual estagiará tendo se preparado com seu orientador. Sabendo o que observar, o estudante poderá aproximar-se da prática como um investigador, que tem hipóteses, coloca-as a prova e analisa os resultados dessa observação-ação.

3) Maior investimento nas didáticas
No estudo conduzido por Gatti, chama atenção que apenas 3,4% das disciplinas ofertadas nos cursos de pedagogia referem-se à “Didática geral”. O grupo “Didáticas específicas, metodologias e práticas de ensino” (“o que e como” ensinar cada disciplina) representa 20,7%, e apenas 7,5% das disciplinas são destinadas aos conteúdos a serem ensinados nas séries iniciais do Ensino Fundamental.

Já as Licenciaturas que preparam professores especialistas por disciplinas são, conforme aponta o documento Educação Já!, usualmente subprodutos ou apêndices dos bacharelados; nos cursos de Pedagogia, a formação de professor multidisciplinar é uma das habilitações entre as várias que o curso pode oferecer (como por exemplo: Educação Infantil, alfabetização, ciclo final dos Anos Iniciais e gestão escolar) e, dada essa generalidade, acabam não preparando adequadamente para nenhuma delas.

4) Formação com visão integral dos alunos
O trabalho do professor deve considerar os alunos de forma integral, sendo impossível dissociar os conteúdos dos conceitos, procedimentos e atitudes a serem desenvolvidos. É fundamental, portanto, que a sua formação contemple conhecimentos relacionados a essa visão integral de desenvolvimento e aprendizagem e que estes se apresentem de forma articulada com as práticas, a fim de ajudar o futuro professor a refletir como atuar nas situações reais e a ter elementos para fazer uma análise crítica da sua prática.