Educação para a vida
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Educação para a vida

"É necessário investir em metodologias que valorizem os letramentos (tanto escrito quanto numérico) como ferramentas que potencializam o exercício da cidadania e contribuem para a diminuição das desigualdades socioeconômicas e de aprendizagem". afirma Dianne Melo, do Itaú Social

Todos Pela Educação

23 de maio de 2019 | 09h00

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Dianne Melo*

Todos os dias, desde o momento em que acordamos, recebemos estímulos que vão se multiplicando a partir das nossas práticas sociais na escola, no trabalho, nas atividades que realizamos. A resposta a essas demandas está em grande parte relacionada ao domínio das formas de representação escrita e numérica, das habilidades que desenvolvemos, do nosso repertório, da nossa capacidade de fazer escolhas e de interagir com o mundo.

Por outro lado, sabemos que são marcantes as dificuldades de acesso à leitura e à escrita de qualidade, em especial para as populações mais vulneráveis. A escola, como espaço privilegiado para o ingresso de crianças, adolescentes e jovens nesse universo, precisa conduzir uma formação que lhes permita compreender a realidade que os envolve e nela agir.

O Sistema de Avaliação de Educação Básica (Saeb) 2017, conforme dados de estudo elaborado em março pelo Todos Pela Educação, aponta que 60,7% dos estudantes brasileiros matriculados no 5º ano do Ensino Fundamental apresentam aprendizado adequado em Língua Portuguesa e 48,9%, em Matemática. É nesta etapa da escolaridade que se observam os maiores progressos, com melhoria contínua e significativa desde 2007. Essa curva, porém, perde força nos Anos Finais do Ensino Fundamental e fica estagnada no Ensino Médio. Ao final do 9º ano, os percentuais são de 39,5% e 21,5%, respectivamente. Às portas de entrar na faculdade e na vida profissional, apenas 29,1% dos estudantes que concluíram o Ensino Médio têm aprendizagem adequada em Língua Portuguesa e 9,1% em Matemática.

A escola, como espaço privilegiado para o ingresso de crianças, adolescentes e jovens no universo da leitura e escrita, precisa conduzir uma formação que lhes permita compreender a realidade que os envolve e nela agir.

Como consequência, respostas a estímulos cotidianos como escrever um e-mail ou identificar desconto de um produto no supermercado tornam-se constrangedores desafios. Em 2018,  o Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf) apontou que três em cada dez brasileiros entre 15 e 64 anos enfrentam essa situação. São os chamados analfabetos funcionais.

Apesar de o número de analfabetos funcionais ter caído de 39% para 29% desde 2001, quando foi realizada a primeira edição do estudo, o percentual de brasileiros que alcançam o nível de compreensão plena e capacidade analítica e crítica está estacionado em 12%, concentrado em pessoas da classe média alta, escolaridade elevada e famílias com gerações anteriores já escolarizadas. Além da acentuada desigualdade de aprendizagem por condição socioeconômica, os dados demonstram ainda que o avanço no acesso/matrícula não garantiu a permanência e o sucesso escolar.

O cenário geral não deixa dúvida sobre a necessidade de investir em metodologias que valorizem os letramentos (tanto escrito quanto numérico) como ferramentas que potencializam o exercício da cidadania e contribuem para a diminuição das desigualdades socioeconômicas e de aprendizagem. Cabe, então, à escola garantir o acesso democrático à leitura e à escrita, além de promover situações concretas para a resolução de problemas de modo a inserir, de forma plena e ativa, todos os estudantes numa cultura letrada.

Mas como estabelecer percursos capazes de cumprir esse objetivo? A formação de educadores tem papel estratégico no aprimoramento das práticas pedagógicas, incidindo sobre os conteúdos colocados à disposição de crianças e adolescentes, e também sobre o engajamento dos profissionais com a melhoria da qualidade da Educação. Um esforço nesse sentido, o Programa Letras e Números, iniciativa do Itaú Social, elege a formação como eixo catalisador, capaz de favorecer tanto a aprendizagem das habilidades de leitura, escrita e matemática, como de contribuir para estimular a formulação de políticas públicas que possibilitem melhores resultados de aprendizagem.

À medida que acessam novos conhecimentos e se conectam com os avanços das áreas em que atuam, os profissionais de Educação ganham autonomia e segurança para ensinar, repensar suas práticas pedagógicas, compreender melhor as novas gerações (em constantes mudanças) e engajá-las nos próprios processos de aprendizagem, contribuindo assim para a efetivação do direito ao pleno desenvolvimento das habilidades de leitura, escrita e matemática, no contexto de uma educação pública de qualidade para todos.

* Dianne Melo é especialista em Programas Sociais do Itaú Social

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