Apenas 3,9% da população elegível para a EJA no Ensino Fundamental está na sala de aula
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Apenas 3,9% da população elegível para a EJA no Ensino Fundamental está na sala de aula

Modalidade articulada com o Educação Profissional é aposta para atrair jovens e adultos para a escola, mas matrículas nesse modelo ainda são inexpressivas

Todos Pela Educação

17 de outubro de 2016 | 11h48

Foto de Arquivo/Agência Brasil

Foto de Arquivo/Agência Brasil

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é contemplada pelo Plano Nacional de Educação (PNE) em duas metas, 9 e 10, o que sinaliza que o País quer dar mais atenção a essa modalidade de ensino. No entanto, o desafio de torná-la mais atrativa (uma vez que a frequência não é obrigatória) permanece imenso.

Os dados do Censo Escolar 2015 mostram que as matrículas na EJA de Ensino Fundamental vêm caindo ao longo dos anos. Em 2008, havia aproximadamente 3,3 milhões de estudantes nessa modalidade e, em 2014, o número reduziu para 2,3 milhões.

Essa realidade preocupa por diversos motivos. Se observarmos a população de 15 anos ou mais, veremos que um grande contingente é elegível para a EJA: em 2014, nessa população, 58,5 milhões (36,8%) não haviam concluído o Ensino Fundamental e estavam fora da escola. Ou seja, do total de pessoas que poderiam cursar a EJA, apenas 3,6% estavam na escola em 2014.

Situação semelhante acontece na EJA do Ensino Médio, que tem como população elegível pessoas de 18 anos ou mais. Embora em 2014 esse grupo fosse de 78,1 milhões (52,5%), apenas 1,3 milhão frequentavam a escola.

O cenário inquieta porque, quanto mais tempo fora da escola, menor a probabilidade de retorno às salas de aula. Atrair o público da EJA para a matrícula é tarefa complicada por se tratar de um contingente não homogêneo, de pessoas com vidas e expectativas em relação à Educação muito diferentes entre si.

Nesse sentido, o PNE avançou ao estabelecer, na meta 10, que 25% das matrículas de EJA, nos Ensinos Fundamental e Médio, sejam integradas à Educação Profissional até 2024. Essa articulação é a aposta da sociedade para responder à heterogeneidade desse público. Infelizmente, a proporção de matrículas em EJA no Fundamental integrada à Educação Profissional é praticamente inexpressiva, apenas 9 mil matrículas ou 0,4%, em 2014, apontam dados do Observatório do Plano Nacional de Educação (OPNE).

Ao desagregar o indicador por rede de ensino, verifica-se que apenas a rede federal possui um percentual expressivo – 60,4%, em 2012. Dois anos depois, em 2014, essa taxa caiu para 36,6%, mas permanece acima da meta de 2024. Já as redes municipal, estadual e privada mantiveram-se próximas, atingindo em 2014 respectivamente 0,3%, 0,7% e 0,5%.

Os números denunciam o grande potencial humano que o País tem desprezado. Não basta associar a EJA ao ensino profissionalizante, é preciso trabalhar com propostas pedagógicas pensadas para os perfis de aluno de cada turma, bem como um esforço incessante de conquistar o interesse dessa população pela escola.

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