A escola do jovem
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A escola do jovem

Para Mozart Neves Ramos, do Instituto Ayrton Senna, Educação Integral é caminho para promover a escola do jovem do século 21

Todos Pela Educação

08 Agosto 2016 | 08h00

FOTO JOAO BITTAR / UNESCO- MEC

FOTO JOAO BITTAR / UNESCO- MEC

O prazo para que todos os jovens de 15 a 17 anos estejam matriculados na escola vence já neste ano, de acordo com a Emenda Constitucional 59, de 2009, e o Plano Nacional de Educação (PNE). Mas, infelizmente, os dados educacionais mostram que o País dificilmente conseguirá atingir essa meta em 2016. E mais, se mantiver o mesmo ritmo de inclusão dos últimos anos, nem mesmo ao fim da vigência do PNE, em 2024, a universalização do ensino médio deverá ser alcançada. Uma projeção feita pelo Instituto Ayrton Senna mostra que sairíamos dos atuais 84,3% para cerca de 88% dos jovens dessa idade na escola – percentual ainda distante da universalização.

Outro fato preocupante é que, hoje, apenas 58,6% dos jovens brasileiros matriculados estão cursando a etapa correta, ou seja, o Ensino Médio. Ao término do PNE, serão pouco mais de 70%, número ainda distante da meta prevista na lei, de 85%. Esses são apenas alguns dados que dão a dimensão do desafio que o Ensino Médio representa para a Educação brasileira.

O avanço só ocorrerá na velocidade necessária quando finalmente tivermos uma escola de qualidade, capaz de motivar e atrair nossos jovens, com professores bem formados e valorizados, e com um currículo que responda aos desafios impostos pelos novos tempos de mudanças exponenciais como o século 21. O atual inchaço de disciplinas e a falta de professores formados nas áreas que lecionam contribuem ainda mais para o desinteresse dos estudantes, o que se reflete no próprio desempenho deles ao final da etapa: só 27,2% têm o aprendizado adequado em Língua Portuguesa e somente 9,3% em Matemática.

O jovem quer uma escola que caiba na vida e o atual modelo de ensino médio pouco tem dialogado com seus anseios. Além disso, sabemos que os novos tempos, de frequentes descontinuidades tecnológicas, exigirão um novo conceito de Educação, que seja capaz de levar os alunos ao limite de suas potencialidades, preparando-os para um mundo cada vez mais globalizado, que os ensine a se adaptar ao novo, a experimentar, a criar e a inovar. São tempos que exigem maior integralidade do ser humano, capaz de alinhar o desenvolvimento cognitivo com o socioemocional. A chamada Educação Integral poderá ser um caminho fundamental para atingirmos esses objetivos.

Nesse sentido, já existem algumas iniciativas inovadoras que podem servir de inspiração para a imprescindível mudança dessa etapa. Uma delas é a proposta de Educação Integral implementada na rede estadual do Rio de Janeiro, em parceria com o Instituto Ayrton Senna. Trata-se de uma concepção contemporânea de Educação Integral, que promove a formação plena do aluno e desenvolve competências cognitivas de forma integrada com o desenvolvimento socioemocional, promovendo nos jovens habilidades como colaboração e responsabilidade. O resultado são alunos que gostam da escola e, assim, conseguem realmente aprender – prova disso é o desempenho cerca de 50% superior à média da rede, combinado com baixíssimos índices de evasão escolar.

Mozart Neves Ramos é diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, organização parceira do Todos Pela Educação no Observatório do PNE