A Educação não é (apenas) factual
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A Educação não é (apenas) factual

"O tema da Educação merece espaço não apenas impulsionado por tragédias, escândalos e efemérides, mas sob um tratamento mais propositivo, detalhado e, claro, baseado em histórias, sejam elas animadoras ou não", afirma Rodolfo Araújo, diretor de mobilização do Todos Pela Educação

Todos Pela Educação

22 Agosto 2018 | 14h33

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Por Rodolfo Araújo, diretor de Mobilização do Todos Pela Educação

Ligue a televisão, o rádio, abra o jornal ou sua página preferida de notícias na internet: quantas matérias falam de Educação? Ou melhor: quantas delas passam ao largo do tema? 

É frequente o protagonismo da Educação em abordagens factuais – das mais trágicas, como o assassinato a caminho da escola do jovem Marcos Vinicius da Silva, em junho deste ano – até as mais clássicas, quando são lançados novos dados, índices e os tão aguardados rankings de escolas. Há também as coberturas de exames: o ENEM, aqui, monopoliza as atenções ao lado dos vestibulares. Os escândalos, é claro, não perdem espaço na agenda, sobretudo quando tratam de desvios e corrupção.

O jornalismo de Educação vive constantemente dois desafios: um, de enfoque; o outro, de linguagem. Ao longo das últimas décadas, é clara a evolução nas lentes debruçadas sobre o assunto, que saíram de uma perspectiva mais orientada à denúncia por falta de vagas e condições insalubres nas escolas para um olhar que tem contemplado a questão da qualidade e da desigualdade, ainda que em um estágio incipiente quanto ao protagonismo.

Sob o ponto de vista da linguagem, é tarefa diária desmistificar as siglas, as normas, as regras que pautam as políticas públicas educacionais, as quais refletem, no fim do dia, lá nas sala de aula. Como estourar essa bolha e aproximar a Educação do cotidiano dos indivíduos para, junto a eles, proporcionar informações relevantes, acurar a crítica e estimular a indignação?

Estamos, no entanto, em um momento positivo para a atividade. A cobertura eleitoral tem pautado o tema com mais frequência, como se pode notar em dois dos maiores jornais do País: n’O Estado de S. Paulo, o blog Eleição+Educação deu centralidade ao tema na pauta política ao questionar diretamente os candidatos à Presidência da República quanto a suas prioridades no tema. Já a Folha de S. Paulo esteve ao lado do Todos Pela Educação em uma série de entrevistas presenciais chamada Diálogos #EducaçãoJá, nas quais os principais concorrentes ao Planalto tiveram mais uma chance de expor e aprofundar seus pontos de vista sobre o Ensino Básico brasileiro. Ao mesmo tempo, ganha consistência a atuação da Jeduca – Associação de Jornalistas de Educação, que tem tecido uma rede de qualificação importante em torno da cobertura jornalística.

Um tema tão urgente e estratégico para o Brasil merece espaço – não apenas impulsionado por tragédias, escândalos e efemérides, mas sob um tratamento mais propositivo, detalhado e, claro, baseado em histórias, sejam elas animadoras ou não. E este lugar pode ser ocupado e expandido, somente, pelo bom jornalismo.