Rabiscos e Garatujas

Rabiscos e Garatujas

eliza

30 de maio de 2016 | 16h55

Os rabiscos fazem parte do desenvolvimento infantil, da motricidade fina, da escrita, da representação do mundo, da confiança em si e da formação da personalidade. Eles são uma tentativa da criança de representar o mundo. São importantes na exploração do traçado, da criatividade e da expressão emocional.  Desenhar é uma arte que vai se desenvolvendo, quanto mais a criança interage com o mundo e com outros desenhos.

Nós, adultos, sempre temos uma resposta imediata no sentido de orientar os traços das crianças. Mas, para o seu melhor desenvolvimento, a atitude oposta é a mais adequada, porque, na realidade, não estamos de fato entendendo os “rabiscos”. Pais, educadores, professores e responsáveis devem encorajar e apoiar a criança a usar este meio para se expressar, para melhorar as suas aptidões, e conseguir, de alguma forma, dar um significado ao mundo, uma conotação emocional, mas de forma livre e espontânea.

Na DreamKids fazemos isso.

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Os elogios e os incentivos são fundamentais, assim como as questões que podemos ir colocando sobre o que a criança está desenhando. Tentar compreender essa expressão é uma forma de ver e perceber o mundo através do olhar da criança.

Quanto mais a criança tiver a oportunidade de contato com outros desenhos, outros objetos, outras pessoas, mais enriquecido será o seu repertório, a sua grafia, o seu traço e o seu desempenho.

Estes traços vão sendo modificados, melhorados, e o desenho da criança vai também tomando novas formas, tornando-se mais identificável e compreensível. São diversas as fases e, apesar de moldado pelo contexto em que a criança vive e pela sua cultura, de forma parecida ou diferente, todas as crianças passam por elas, até chegarem num traço mais definido e os seus desenhos serem mais compreensíveis.

Estas garatujas desenvolvem-se sensivelmente desde mais ou menos 12 meses (quando já conseguem segurar no lápis), e podemos definí-las por dois tipos, segundo Piaget:

Garatujas Desordenadas: quando a criança ignora os limites do papel e é o corpo que se movimenta para desenhar, acabando por desenhar o chão e as paredes; para além disso, não conseguem ainda compreender que o risco é resultado do movimento com o lápis, acabando por não estar atenta ao que faz, segurando o lápis de forma indiferenciada e alternada entre as duas mãos.

Garatujas Ordenadas: é quando a consciência da relação do movimento com o traço começa a existir, e a criança sente o controle que tem da tarefa, começando a concentrar-se e a controlar o tamanho, a forma e os espaços onde desenha. Estes riscos são simbólicos, ou seja, têm uma forma imaginária e por isso um traço pode significar uma casa agora, e daqui pouco, quando são acrescentados outros aspectos ao desenho, esse mesmo traço pode já ter outra atribuição, inclusive uma letra ou palavra.

Os desenhos são ricos em informação, tanto da forma como a criança vê e interpreta o mundo, e como se sente interiormente. À medida que vai crescendo, as opções que faz, as cores que escolhe, o que desenha, são muito significativos dos sentimentos bons e maus, dos conflitos e receios, das descobertas e alegrias que vão sentindo. Desta forma, é importante encorajar a criança a desenvolver o seu desenho, criando oportunidades para que ela possa se expressar, e ao mesmo tempo estar atento aos desenhos que vão sendo feitos, mostrando interesse por compreendê-los, e compreender o que está sentindo.

O desenho é, de alguma forma, um dos meios que criança tem para se encontrar com as suas próprias emoções, conseguir representá-las, dar-lhe significado, quando ainda não consegue identificar um nome para aquelas sensações que sente constantemente. Para além disso, o desenho é a forma que as crianças têm de se comunicar com os adultos quando não conseguem pôr palavras.

O desenho é uma boa fonte de informação, tanto para professores como para psicólogos. Através deles, é possível conhecer um pouco mais a criança, perceber alguns traços de personalidade, o seu temperamento, os seus sentimentos, as suas necessidades e faltas, entrar em contato com os diferentes acontecimentos marcantes que estão vivendo, dificuldades ou conquistas. O melhor de tudo isto, é que para a criança isto é apenas mais uma forma de brincar e uma tarefa da qual tira prazer.

Se inicialmente a criança desenha impulsivamente, sem ter noção do que está fazendo, nem  de como controla o que está fazendo, posteriormente (já por volta dos 3 anos) ela passa a dominar o desenho, colocando cada vez mais o que é, o que sente, o que gostaria de ser, etc., em cada desenho que faz. Deste modo, nesta fase, acaba por pensar antes de realizar o desenho, conseguindo decidir e expressar o que vai desenhar. Aos 4 anos, já consegue utilizar as cores corretas, de forma a corresponder à realidade.

Podemos assim dizer que, quanto mais permitimos e estimulamos as crianças a realizarem rabiscos e garatujas, estamos contribuindo para o seu desenvolvimento, ao nível cognitivo, motor e emocional, e estamos oferecendo ferramentas para que ela consiga explorar e interpretar cada vez melhor o contexto e o mundo que a rodeia.

Por tudo isso, nós na DreamKids, estimulamos o desenho quase que diariamente e o valorizamos como uma forma especial de comunicação.

Por Vera Regina, coordenadora pedagógica da DreamKids.

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