O que docentes experientes têm a dizer a iniciantes
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O que docentes experientes têm a dizer a iniciantes

Professores apontam três aspectos fundamentais para uma docência de qualidade

Todos Pela Educação

28 Fevereiro 2018 | 11h19

Unsplash Images

Ter profissionais qualificados nas salas de aula que disponham de ferramentas para garantir que as crianças e jovens aprendam é o segredo dos melhores sistemas educacionais do mundo. Mas garantir uma formação que permita aos professores ter a melhor performance ainda é um desafio no Brasil. Para induzir um avanço nesse sentido, o Plano Nacional de Educação (PNE) estabelece que todos os docentes da Educação Básica tenham curso Superior até 2024.

O Blog conversou com dois professores experientes, hoje parte de equipes pedagógicas, sobre o que eles pensam da formação dos professores brasileiros e como é possível melhorá-la.

 

1 – Estude metodologia de ensino
Além do conhecimento dos fundamentos, os professores precisam ter a capacitação de aplicar as metodologias de aprendizagem, defende Alex Moraes, coordenador pedagógico da Escola Estadual Nidelse Martins de Almeida, em Carapicuíba, com 14 anos de experiência como educador.

“Na formação de Pedagogia, há um peso enorme de fundamentos [por exemplo, disciplinas como Psicologia e Filosofia da Educação]. Mas, ao chegar à sala de aula, os professores deixam a desejar quanto à forma que as crianças aprendem. Ensinar matemática para os Anos Iniciais, por exemplo, envolve uma complexidade de ideias que exigem aprofundamento tanto do conteúdo quanto da metodologia”, avalia Alex.

Dessa forma, ele considera que a formação dos professores do Fundamental 1 precisa investir em mais técnicas de ensino. “A grade precisa ser encharcada de didática. O professor precisa conhecer mais e mais fundamentos da Educação, pois não adianta ter a consciência da profissão e não receber o saber técnico para exercer”, explica.

 

2 – Teoria não basta
Se estudar a teoria didática é fundamental, mais ainda aplicá-la. O estágio foi o diferencial na carreira de Khorem Barbosa, licenciada em matemática e 31 anos dedicados à Educação. Seu curso foi realizado na Pontifícia Universidade Católica (PUC) Campinas e tinha disciplinas relacionadas a fundamentos da Educação no currículo. Mas, não foram apenas esses conteúdos que a prepararam para sala de aula. “Não tive estágios tradicionais, de observação de aula. Eu aprendia na prática”, afirma.

Dois momentos foram decisivos, relata a docente: planejar um curso supletivo, durante a época da faculdade, e a elaboração de um minicurso de matemática para Ensino Fundamental II e Médio aplicado na Escola Técnica Estadual Conselheiro Antônio Prado (Etecap). Ambos foram relevantes para Khorem enfrentar os percalços entre a teoria e a aprendizagem de fato.

Para Alex, a prática também foi um divisor de águas. Formado na Educação Básica Centro Especialização de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério (CEFAM), o educador explica que o estágio desse período o ensinou a dar aula. Durante um ano, um dia por semana era reservado para a prática. Havia sempre o acompanhamento de um professor supervisor, ajudando no planejamento das aulas e nas devolutivas do estágio. “Depois do estágio, discutíamos e debatíamos com o supervisor o que tinha sido feito e planejávamos a aula da próxima semana”, explica o professor.

 

3- Procure apoio
Khorem hoje ocupa a vice-diretoria na Escola Estadual Maria José, em São Paulo, que atende os Ensinos Fundamental e Médio e vivencia o lado do apoio aos professores. Ela identifica as Atividades de Trabalho Pedagógico Coletivo (ATPC) como uma das ações estratégicas para corrigir problemas de formação. “Nas ATPCs, conversamos, debatemos e fornecemos o suporte necessário às dificuldades dos professores”, explica a gestora. Ela alerta, entretanto, que o trabalho em mais de uma escola dificulta esse preparo. “Trabalhando em várias instituições, os professores se desgastam muito e não conseguem se envolver nas ATPCs de cada escola como deveriam”, afirma.

Alex, por sua vez, chama atenção ao acompanhamento dos professores recém-formados. Todo início de ano letivo, ele faz um diagnóstico das dificuldades que os docentes enfrentam e, a partir daí, ajuda na rotina de sala de aula: observação das aulas dadas, planejamento e discussão dos resultados. “Os primeiros 5 ou 6 anos são decisivos na maneira como o professor vai levar sua carreira, mais do que a própria formação. Eles precisam ir à escola acompanhados de professores experientes que possam ensiná-los os saberes e os desafios da profissão. Porque sem saber como exercê-la, ele reproduz prática pedagógica semelhante à que recebeu quando foi aluno ou apenas o que livro-didático apresenta, e isso se torna um ciclo vicioso”, explica.