Jovens precisam concluir a Educação Básica na idade certa
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Jovens precisam concluir a Educação Básica na idade certa

Taxa de conclusão do Ensino Médio até os 19 anos tem aumentado muito lentamente no País

Todos Pela Educação

16 Setembro 2016 | 14h40

FOTO JOAO BITTAR / UNESCO-MEC

FOTO JOAO BITTAR / UNESCO-MEC

Você se lembra quantos anos tinha quando concluiu o Ensino Médio – o antigo “colegial”? No Brasil, apenas pouco mais da metade dos jovens concluem essa etapa na idade certa. Concluir a Educação Básica até 19 anos é essencial para que os jovens possam acessar com qualidade fases posteriores da vida, como a Educação Superior ou o mercado de trabalho.

Não é à toa que a quarta Meta do Todos Pela Educação, que completa 10 anos neste mês de setembro, foca no fluxo escolar:  Todos os jovens com Ensino Médio concluído até os 19 anos. Para isso, é essencial que concluam o Ensino Fundamental até, no máximo os 16 anos, além de terem tido condições de acesso à escola, alfabetização e aprendizagem na idade certa, temas das Metas 1, 2 e 3.

Na última década, o Brasil progrediu, mas os obstáculos ainda são enormes e diversos. O País avançou 15,3 pontos percentuais na taxa de conclusão do Ensino Médio até os 19 anos: de 41,4% em 2005 para 56,7% em 2014, de acordo com levantamento do TPE com base m dados da Pnad/IBGE. Durante esse período, o número de estudantes concluintes subiu de 1.442.101 para 1.951.586. Vale destacar que, entre 2013 e 2014, a taxa no Ensino Médio aumentou 2,4 pontos percentuais, sendo elevada de 54,3% para 56,7%.

 

Mas, apesar da melhora nos dados, o Brasil ainda precisa corrigir desigualdades históricas que persistem há décadas. Quando analisamos os dados de conclusão do Ensino Médio por renda familiar per capita, por raça/cor e por localidade, as diferenças ficam evidentes. Por exemplo: entre os 25% mais ricos e os 25% mais pobres da população, a diferença na taxa caiu de 62,4 pontos percentuais em 2005 para 48,1 pontos percentuais em 2014. Mas, analisando o mesmo período, mesmo se a taxa de conclusão dos 25% mais pobres fosse dobrada, ela não alcançaria o nível da faixa da população mais rica.

O Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em 2014 e válido até 2024, pretende elevar a taxa líquida de matrículas no Ensino Médio para 85% até o fim de sua vigência. Para isso, conta com estratégias diversas – entre elas, está a que abrange o incentivo a manutenção e ampliação de programas de correção de fluxo da etapa anterior, o Ensino Fundamental.

Corrigir o fluxo escolar e garantir a aprendizagem adequada na rede pública do Brasil é dar uma oportunidade aos jovens de concluírem a sua trajetória na época certa da vida, para que tenham, assim, melhores oportunidades de darem continuidade aos estudos e às suas profissões.

Mas isso não basta. Pesquisas mostram que um dos grandes problemas do Ensino Médio é a falta de atratividade dessa etapa para os jovens. Com 13 disciplinas obrigatórias espremidas em 4 horas diárias de aulas, a escola não dialoga com o projeto de vida dos alunos, não faz sentido para eles, não oportuniza que descubram seus interesses e se aprofundem nos temas que escolherem, ou que desenvolvam habilidades e competências tão necessárias para a vida no complexo século 21.

Por isso, rever o formato dessa etapa é essencial, e já há propostas nesse sentido tramitando no Congresso Nacional – você pode saber mais sobre esse tema, aqui.