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Ideb reforça que Brasil deve repensar o Ensino Médio e manter o avanço no Ensino Fundamental

A boa notícia vem dos resultados dos Anos Iniciais: o desempenho das crianças no 5º ano já alcançou a meta para 2017

Todos Pela Educação

09 Setembro 2016 | 10h19

Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para 2015, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), trazem tanto pontos alarmantes quanto dados que devem ser celebrados, evidenciando rumos que devem ser tomados de forma urgente ou intensificados.

A boa notícia vem dos resultados dos anos iniciais do Ensino Fundamental. O desempenho das crianças no 5º ano alcançou a meta estipulada não apenas para 2015, mas já a projetada para 2017 (5,5). A nota média em Matemática e Língua Portuguesa cresceu em dois anos (entre 2013 e 2015) o mesmo que havia crescido nos quatro anos anteriores. Nessa etapa, quase todas as Unidades da Federação e cerca de 73,4% dos municípios cumpriram suas metas para 2015. Além disso, 690 municípios que em 2013 estavam aquém de suas metas conseguiram atingir seus objetivos em 2015, mostrando que é possível reverter cenários negativos.

Muitos fatores podem ter contribuído para esse resultado. O Brasil teve uma elevação substancial do acesso das crianças à Pré-Escola na última década e, nos últimos três anos, colocou foco na alfabetização das crianças com políticas específicas, como o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), um compromisso entre governo federal, estados municípios de assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas até os oito anos de idade. É importante dar continuidade às políticas para alfabetização no país, como faz com sucesso o Ceará, estado que desde 2004 tem programa direcionado para esse ciclo e que tem o maior avanço no Ideb dos anos iniciais tanto na comparação 2005-2015 quanto no período 2013-2015.

Mas a melhora dos anos iniciais do Ensino Fundamental não se reflete em bons resultados para os anos finais do Ensino Fundamental. Nessa etapa, o Brasil ficou novamente abaixo da meta estipulada (4,7 para 2015), embora o índice tenha crescido de 4,2 pontos em 2013 para 4,5 pontos em 2015 – o que fez com que a distância para a meta não se ampliasse. A evolução se deu principalmente pela melhoria nos desempenhos em Língua Portuguesa e Matemática, tendo o indicador de fluxo avançado pouco. Dentre os municípios do país com Ideb divulgado, 62,4% tiveram evolução positiva no 9o ano do Ensino Fundamental em relação a 2013, porém só 23,5% deles cumpriram suas metas para 2015.

Para melhorar os resultados dessa etapa é preciso políticas específicas que levem em consideração a fase em que o aluno se encontra – mudança da infância para a adolescência, por exemplo – articulando a transição entre os anos iniciais e os finais. Além disso, a Educação integral também é um caminho que tem o potencial para melhorar o aprendizado nessa etapa.

Já o cenário alarmante vem dos indicadores do Ensino Médio, estagnados em um patamar muito baixo há anos ou com avanço abaixo do ritmo que necessitamos para cumprir as metas estabelecidas até 2021. O Ideb do Ensino Médio foi de 3,7 pontos, mesmo valor de 2013, o que significa que nos distanciamos ainda mais da meta projetada – que é crescente ao longo do tempo e para 2015 era de 4,3 pontos. Por trás do Índice, os dados mostram um crescimento no desempenho em língua portuguesa, uma melhora no fluxo escolar e uma queda no desempenho em matemática. Trata-se do pior resultado nessa disciplina na série histórica desde 2005. 

Os caminhos para melhorar o Ensino Médio passam pela necessária reformulação da etapa, tornando-a mais relevante e conectada com o projeto de vida dos nossos jovens.

Em todos as etapas, também é importante salientar, o professor tem papel  central, por isso melhorar a formação inicial e continuada, suas condições de trabalho, buscando ampliar a dedicação a uma só escola, valorização salarial e planos de carreira mais atrativos são questões fundamentais para fazer a Educação avançar em ritmo mais acelerado e sustentável.

Esse assunto também foi tema do quadro De Olho na Educação, parceria do TPE na Rádio Estadão, que contou com Ricardo Falzetta, gerente de conteúdo do movimento, no dia 8/9. Confira aqui.