Gênero, raça/cor e localidade dos alunos interferem nos índices de aprendizagem
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Gênero, raça/cor e localidade dos alunos interferem nos índices de aprendizagem

Dados da Meta 3 do Todos Pela Educação mostram que melhores resultados são de alunos brancos e residentes em áreas urbanas

Todos Pela Educação

27 Janeiro 2017 | 15h02

FOTO JOÃO BITTAR / UNESCO – MEC

FOTO JOÃO BITTAR / UNESCO – MEC

Acompanhar os índices de aprendizagem nas avaliações é importante para sabermos como evolui a qualidade da Educação brasileira. Nas últimas semanas, temos abordado neste blog os resultados do monitoramento da Meta 3 do Todos Pela Educação, mostrando os dados nacionais e as disparidades regionais.

É possível aprofundar ainda mais o debate sobre as desigualdades se observarmos as informações referentes a gênero, raça/cor e localidade. Tais dados são fundamentais para embasar a instituição de políticas públicas focalizadas que respondam a demandas educacionais específicas e tragam mais equidade para o sistema de ensino brasileiro.


Gênero

Em toda a Educação Básica, as meninas apresentam índices de aprendizagem em língua portuguesa superiores às taxas dos meninos. Tal relação é invertida quando observamos os dados de matemática, disciplina na qual eles têm melhor desempenho do que elas. No 5° ano, por exemplo, essa diferença é de 10 pontos percentuais (pp) em português: enquanto 61,1% das meninas tinham aprendido o conteúdo esperado, essa taxa foi de 51,1% para os meninos. Os dados são de 2015.

Já no 9° ano, a discrepância entre a taxa de garotos e a taxa de garotas que sabiam matemática aumentou de 3,6 pp em 2013 (18,5% de meninos e 14,9% de meninas), para 5,7 pp em 2015 (21,3% de meninos e 15,6% de meninas).

No Ensino Médio, embora a situação seja crítica para ambos os sexos, a diferença se mantém: apenas 5,6% das meninas saem dessa etapa sabendo o que deveriam da disciplina, enquanto a quantidade de meninos é de 9,7%.


Raça/cor

Assim como nos anos anteriores, os resultados de 2015 mostram que os alunos autodeclarados brancos tiveram melhores resultados do que os pardos e pretos. As maiores diferenças foram encontradas no 5° ano: em português, 63,06% dos brancos saíram da etapa sabendo o considerado adequado para o seu ano, número 21,51 pp maior que o de pretos, que foi de 41,52%. A taxa dos alunos pardos foi de 56,26%. Em matemática, a discrepância é ainda maior, chegando a 22,17 pp de diferença: 51,83% dos brancos terminaram o 5° ano sabendo o apropriado para o seu ano, enquanto a porcentagem de pretos foi de apenas 29,66% e a de pardos, 43,76%.

Em matemática no Ensino Médio, os resultados apresentam as menores discrepâncias, uma vez que brancos, pardos e pretos tiveram índices mais próximos. Enquanto 12,17% dos brancos aprenderam os conteúdos adequados na disciplina, a taxa de alunos pardos foi de 5,05% e a de pretos, somente 3,51%.


Localidade

O local em que o estudante reside e consequentemente frequenta a escola também apresenta relações com os índices de aprendizagem. Historicamente, há um grande desequilíbrio entre os dados da zona urbana e da zona rural, especialmente no 5° ano. Nas zonas urbanas, a quantidade de alunos que conclui os Anos Iniciais sabendo o que deveria em língua portuguesa é de 57,5%, enquanto no campo esse número cai para 32,7% – uma diferença de 24,8 pp. Em matemática, essa distância é de 22,4 pp, sendo que a taxa de alunos do perímetro urbano com aprendizado adequado na disciplina alcançou 45,5%, ao passo que o índice dos estudantes que frequentam escolas rurais não passou de 23,1%.

O Ensino Médio é a etapa com os índices mais baixos; porém, a discrepância entre as localidades é menor. Em matemática, por exemplo, a diferença é de 5,3 pp. Entretanto, só 7,5% dos jovens que estudam na zona urbana aprenderam o esperado na disciplina, enquanto na zona rural a taxa é muito mais baixa, totalizando apenas 2,2%.