Educação integral deve visar desenvolvimento pleno para ser efetiva
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Educação integral deve visar desenvolvimento pleno para ser efetiva

Dados apontam que a oferta de Educação em tempo integral tem crescido no país, porém, é fundamental que esse tempo seja qualificado, para que o modelo resulte em melhorias educacionais

Todos Pela Educação

25 Julho 2016 | 16h46

FOTO JOAO BITTAR / UNESCO- MEC

FOTO JOAO BITTAR / UNESCO- MEC

Você sabia que de cada seis alunos da rede pública de Educação Básica, em 2014, apenas um estava matriculado em tempo integral?

Oferecer essa modalidade em, no mínimo, 50% das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% dos alunos da Educação Básica no Brasil é meta 6 do Plano Nacional de Educação, que deve ser cumprida até 2024.

De acordo com dados do Censo Escolar, organizados pelo Todos Pela Educação e disponibilizados no Observatório do PNE, o percentual de matrículas da Educação Básica em tempo integral era de 15,7% em 2014, valor 8,3 pontos percentuais maior do que o apresentado em 2011, ano em que essa informação passou a ser coletada. São aproximadamente 6,4 milhões de alunos matriculados na rede pública com jornada de sete horas diárias ou mais. Se esse ritmo for mantido nos próximos anos, é possível que o país alcance a meta de matrículas em tempo integral até o final da vigência do PNE.

A Educação Integral é uma política importante para combater desigualdades, uma forma de dar mais oportunidades de aprendizagem, especialmente para quem está em um entorno de maior vulnerabilidade. Porém, para que isso aconteça é importante que a Educação Integral não seja entendida apenas como mais tempo de aula.

Em artigo para o jornal O Estado de São Paulo, em junho de 2015, Alejandra Meraz Velasco, superintendente do TPE, e Patrícia Mota Guedes, gerente de Educação da Fundação Itaú Social, afirmaram:

“A educação integral tem sido apontada como um caminho importante para ajudar o País a avançar na qualidade do ensino público e também como fator estratégico para a redução da desigualdade, principalmente no que se refere a escolas que atendem alunos em situação de maior vulnerabilidade. Mas para que a educação integral tenha esse efeito transformador é preciso que se baseie no conceito de desenvolvimento pleno do ser humano, que considera diferentes dimensões: física, afetiva, cognitiva, socioemocional e ética. ”

Escolas

Em relação aos estabelecimentos de ensino com matrículas em tempo integral, houve um aumento de 15,9 pontos percentuais em relação a 2011, atingindo a marca de 42% em 2014 – o equivalente a cerca de 62,6 mil escolas públicas. Se for mantido esse ritmo de crescimento, a meta possivelmente será atingida antes mesmo de 2024.

Vale salientar, contudo, que nesse indicador são contabilizadas inclusive escolas que têm um único aluno matriculado com jornada média de sete horas diárias ou mais. Matrículas isoladas em uma escola podem indicar que as atividades propostas não estão de fato integradas ao projeto político-pedagógico, fator fundamental para que essa modalidade gere resultados. Não existem, no entanto, informações sistematizadas e recolhidas periodicamente que nos permitam verificar a qualidade da proposta em cada escola.

Embora alcançar as metas do PNE – e dos planos municipais e estaduais – seja importante, para ser capaz de promover mudanças realmente impactantes, a Educação integral precisa passar a ser a regra no nosso sistema de ensino público e não mais a exceção, privilégio das escolas modelo.

Para acessar mais dados sobre a oferta de Educação integral no país, e também outras análises e informações relacionadas ao tema, acesse o Observatório do PNE.